Skip to content

Lionel Leong passou empresas para sociedades offshore

Novembro 28, 2014
Lionel Leong Vai Tac

O mais que provável secretário para a Economia e Finanças do novo Governo transmitiu as acções da Seng San e Smartable para um total de quatro companhias registadas nas Ilhas Virgens Britânicas.

Sónia Nunes

Lionel Leong, que deverá dentro de dias ser confirmado como secretário para a Economia e Finanças do novo Governo de Chui Sai On, cessou funções nas empresas onde, nos últimos 15 anos, fez carreira e fortuna. As participações sociais (que constam na parte pública da última declaração de rendimentos prestada pelo empresário) estão em nome de sociedades offshore.

A transmissão das acções foi feita entre o final de Outubro e o início deste mês – duas semanas antes de o jornal Ou Mun, próximo do Governo, ter divulgado a lista dos novos secretários. As informações constam dos registos comerciais que o PONTO FINAL obteve junto da conservatória.

Além do destacado perfil político, Lionel Leong foi um dos raros empresários que conseguiu dar a volta ao declínio da indústria têxtil em Macau para estabelecer uma das maiores lavandarias do mundo. Fê-lo através de duas grandes empresas: a Seng San e a Smartable Holdings, que fundou e a que presidiu. Esta é uma história que já deve ser escrita no passado: as duas companhias foram recentemente adquiridas, no total, por quatro empresas instaladas no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, que garante ainda sigilo financeiro e mantém também em segredo a identidade dos donos das sociedades.

Três das quatro empresas têm sede na mesma morada.

A Smartable que, em 2009, anunciou um investimento de 280 milhões de patacas para o Parque da Concórdia, em Coloane, três anos depois antecipava um crescimento dos lucros anuais até cinco vezes mais – 150 milhões de patacas por ano, foi o valor avançado por Lionel Leong em 2011, numa entrevista à revista Macau Business.

A sociedade anónima presta serviços de lavandaria aos grandes hotéis dos casinos. Tinha até aqui como administrador a Seng San Comércio e Indústria, representada por Lionel Leong, e como membro do conselho fiscal a sociedade de auditores CSC & Associados, de Chui Sai Cheong, deputado e irmão do Chefe do Executivo. É agora detida pelas offshore Joy Free Limited e Clear Age Global Limited, e pela Seng San. As três empresas têm como representante Leong Bosco, que chega a declarar como domicílio a mesma morada da lavandaria industrial.

Ainda de acordo com os dados da conservatória do registo comercial, Lionel Leong e a mulher, Pun Sao Io, foram destituídos da Fábrica de Artigos de Vestuário Seng San, que detém a Seng San Comércio e Indústria, para dar lugar a dois novos sócios. A saber: as offshore Huge Proffit Asset Limited e Pine One Limited, que se encontram representadas em Macau também por Leong Bosco.

O PONTO FINAL entrou em contacto com Lionel Leong, através da secretária, para saber por que transmitiu as acções para sociedades offshore e quem são os actuais beneficiários, mas o ainda membro do Conselho Executivo não se mostrou disponível para prestar declarações.

Os titulares dos principais cargos públicos estão sujeitos ao regime geral de impedimentos e devem abster-se do exercício de quaisquer actividades privadas assim que assumem funções.

A confirmar-se a lista avançada pelo Ou Mun, Lionel Leong é o único membro do novo Governo que vem do sector privado.

União Europeia pediu que Macau tenha uma lei da concorrência

Novembro 28, 2014
vincent-piket-entrevista

Em Julho, durante a reunião anual com o Executivo, os representantes da UE disponibilizaram-se para ajudar a criar legislação que regule a competição. 

Patrícia Silva Alves

A União Europeia (UE) considera que é do interesse de empresários e consumidores que exista uma lei da concorrência em Macau, por isso, na reunião anual que tiveram com o Governo, em Julho, os quadros da UE pediram a Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça, que a RAEM criasse legislação nesse sentido.

A revelação foi ontem feita por Vincent Piket, chefe do Gabinete da União Europeia para Hong Kong e Macau.

“Macau é uma pequena economia e há por isso razões para ter um enquadramento adequado que regule a concorrência e que se adapte à sua economia. Isso será bom para as empresas e também para os consumidores”, disse ontem o responsável à margem de um almoço feito para assinalar a tomada de posse da nova Comissão e Parlamento europeus.
Nesse aspecto, a UE poderá ajudar Macau tanto na implementação da lei como na sua posterior regulamentação, à semelhança do que já fez com Hong Kong em 2012, disse ainda Piket.

Assinalando que a relação comercial entre Macau e a União Europeia é “excelente”, o responsável disse, no entanto, que é possível ir mais além. E foi essa a ideia que deixou ao Governo ao fazer outra sugestão: a da criação de uma plataforma de diálogo institucional regular entre o Executivo da RAEM e a União Europeia. O objectivo é resolver questões práticas.

“[Neste momento] há alguns problemas sobretudo ao nível profissional já que temos profissionais nossos [que têm dificuldade] em ser colocados no mercado de trabalho de forma rápida. Esse é um dos tópicos que podemos discutir [nessa plataforma]”, referiu o responsável acrescentando que os agentes económicos dos dois lados também teriam uma palavra a dizer.

Segundo Vincent Piket, as dificuldades em obter vistos de trabalho e de residência por parte dos empresários europeus afectam por vezes os membros-chave das operações que as companhias querem estabelecer ou expandir para Macau. O representante da União Europeia disse esperar que esta plataforma se estabelecesse “algures no próximo ano”.

Ainda na sua intervenção, Vincent Piket assinalou que Macau poderia, à semelhança de Hong Kong, aderir ao Acordo de Compras Públicas que os países-membros da União Europeia já subscreveram e que está sob a alçada da Organização Mundial do Comércio – a China ainda está em negociações.

Quando questionado sobre a reacção do Executivo, Piket assinalou que os membros do Governo não deram uma resposta concreta.

“Disseram que estavam a considerar e que iam estudar e reflectir sobre as questões de forma cuidadosa”, acrescentou Vincent Piket lembrando que o novo Governo está prestes a tomar posse.

Raimundo do Rosário, o embaixador discreto

Novembro 28, 2014
raimundo do rosário

O até aqui responsável pela representação de Macau em Lisboa e Bruxelas é apontado como novo secretário para os Transportes e Obras Públicas. Rosário é um engenheiro com perfil de diplomata. 

João Paulo Meneses

Raimundo do Rosário precisará de algum tempo para recuperar os conceitos aprendidos na faculdade de engenharia e que o tempo passado na política poderá ter feito esquecer.
Aquele que é dado como o novo secretário dos Transportes e Obras Públicas do Governo local, sucedendo a Lau Si Io, há muito que deixou a engenharia para trás, transferindo-se para a política: foi duas vezes deputado à Assembleia Legislativa, indicado por Rocha Vieira (entre 1992 e 1999), e é desde 2000 o chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau (14 anos nas mesmas funções, portanto).
Ainda assim, a confirmar-se a informação de que será o novo secretário com a pasta das Obras Públicas, trata-se de um regresso a casa, já que foi nesse departamento que Raimundo do Rosário fez carreira no serviço público e ao qual se encontra ligado.
Afastado de Macau desde a transferência do exercício da soberania, Raimundo Arrais do Rosário regressa – por motivos profissionais – várias vezes por ano à RAEM e por força das competências, que não se resumem a Lisboa mas também incluem Bruxelas (União Europeia) e Genebra (Organização Mundial do Comércio). É alguém que conhece bem os principais dossiers de Macau – ainda que nas áreas económicas e políticas.
Em Dezembro do ano passado recebeu a medalha de mérito profissional, atribuída pelo Governo da RAEM.
Mas, pelo que foi fazendo nestes 14 anos, Raimundo do Rosário transformou-se sobretudo num diplomata – também é um adjectivo, que se aplica bem ao novo secretário, mas neste contexto significa mesmo um embaixador: foi o embaixador de Macau fora do Oriente.
Nesse sentido, em função do capital político adquirido pelo ainda chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa, das muitas e muitas horas passadas em reuniões na União Europeia ou nos ministérios em Lisboa, talvez surpreenda a sua escolha como responsável das Obras Públicas, pasta que provavelmente estaria longe dos seus planos, caso equacionasse regressar a Macau.

Regresso às Obras Públicas

“Diplomata” é também uma palavra que se ajusta bem às características pessoais de Raimundo Arrais do Rosário.
Extraordinariamente calmo, é um conciliador por natureza e nestes 14 anos em Lisboa conseguiu resolver diversos dossiers, aliando paciência e eficácia.
No Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal Raimundo do Rosário é bem conhecido e respeitado – muito por força da capacidade de organização e seriedade que coloca na discussão dos temas. Mas Raimundo do Rosário junta estas qualidades a uma extraordinária descrição.
Apesar de várias vezes solicitado para isso, não terá dado mais do que três entrevistas – e sem surpresa não aceitou colaborar neste perfil.
Também sem surpresa, a página da delegação não inclui qualquer informação sobre o seu responsável e são muito escassos os dados biográficos.
Sabe-se, ainda assim, que o jovem Raimundo Arrais do Rosário concluiu a licenciatura em Engenharia Civil aos 22 anos e que fez estágios em várias empresas, como Brisa, e ainda no Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
Regressou a Macau um ano depois do curso tirado na Faculdade de Engenharia do Porto e começou como técnico na repartição dos Serviços de Obras Públicas e Transportes, onde fui subindo até ao lugar máximo: de 87 a 90 foi o director dos Serviços, tendo, por inerência, desempenhado funções na Comissão de Terras, e tendo estado na delegação portuguesa ao Grupo de Terras Luso-Chinês.
Lançado desta forma na política, é com naturalidade que é convidado em 1991 para ser deputado à Assembleia Legislativa.
Esteve também no Comité de Redacção da Lei Básica da RAEM e integrou a equipa que preparou a criação da própria Região Administrativa Especial.

Governo recebe palestra sobre Estado de Direito

Novembro 28, 2014
EStado de Direito

Chui Sai On esteve entre a assistência que ouviu admoestações contra interferências externas e um repto para o combate à actividade ilegal transfronteiriça.

Lou Shuo

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, esteve entre um público de mais de 500 pessoas que ontem assistiu a uma palestra sobre “governação do país de acordo com a lei”, tema do último plenário comunista chinês, realizado no mês passado, e quem tem vindo a ser traduzido livremente na imprensa internacional com o equivalente “Estado de Direito”. O orador foi Yuan Shuhong, vice-director do gabinete de Assuntos Legislativos do Conselho de Estado e também académico da Faculdade de Direito da Universidade de Pequim. Ho Chio Meng, procurador do Ministério Público, e Sam Hou Fai, presidente do Tribunal de Última Instância, estiveram também entre a assistência.

A organização da palestra, a cargo do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM e do Governo local, decorreu no Centro de Ciência de Macau e teve Yuan Shuhong a discorrer sobre os últimos enunciados de orientação pelo Presidente Xi Jinping, aqueles que se seguiram ao da luta contra a corrupção: “promoção integral da governação do país de acordo com a lei” e a “aceleração da construção do Estado de Direito na China”.

A palestra apresentada teve por base o relatório final do 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China na sua 4.ª sessão, ocorrido entre 20 a 23 do mês passado na capital, Pequim. Yuan Shuhong é também vice-presidente da Associação de Estudo de Ciências Jurídicas da China e participou nos trabalhos de redacção das decisões do último congresso nacional.

Em Macau, Yuan sublinhou o papel relevante e fundamental da Constituição da República Popular da China, como garante de alta autonomia da RAEM e do princípio “um país, dois sistemas”. “O Governo Central apoia o trabalho de administração de direito do Chefe Executivo de Macau “, afirmou.

O responsável do Conselho de Estado referiu-se à situação de segurança das duas regiões administrativas especiais, Macau e Hong Kong, para, em linha com o discurso que o Governo Central tem mantido, condenar aquilo que considera interferências externas. “Pequim está contra a interferência de forças externas nos assuntos de Hong Kong e Macau, com o fim de manter a prosperidade e estabilidade das duas regiões”, avisou.

Yuan também valorizou a importância da cooperação jurídica e de segurança entre o Continente e Macau. “Para proteger os interesses da população, tanto do Continente quanto de Macau, temos que colaborar contra as actividades ilegais transfronteiriças”, instou.

Desemprego manteve-se nos 1,7 por cento entre Agosto e Outubro

Novembro 28, 2014

A taxa de desemprego de Macau caiu duas décimas entre Agosto e Outubro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2013, fixando-se nos 1,7 por cento – o valor é idêntico ao registado entre Julho e Setembro deste ano.

De acordo com dados oficiais divulgados ontem, a população activa atingiu 401.300 pessoas durante esse período. A população empregada totalizou 394.400, observando-se uma subida de 2300 pessoas em comparação com os três meses anteriores.

Em termos de ramos de actividade económica, o número de empregados das lotarias e outros jogos de aposta foi de 84.600, mais 3100 indivíduos que no período anterior.

A população desempregada era composta por 6900 pessoas, tendo-se elevado em 300 pessoas, face ao período anterior. O número de pessoas à procura do primeiro emprego representou 26 por cento do total da população desempregada.

Capitais em offshore são quase 10 por cento do total investido fora

Novembro 28, 2014

Ilhas Caimão e Ilhas Virgem Britânicas são os destinos que mais cresceram.

Nos seis primeiros meses de 2014, os investimentos dos residentes de Macau nas Ilhas Caimão e Ilhas Virgens Britânicas, duas jurisdições offshore, cresceram a dois dígitos em relação aos registados a 31 de Dezembro do ano passado: 23 por cento nas Ilhas Caimão e 22,6 por cento nas Ilhas Virgens Britânicas.

As informações constam dos resultados do Inquérito à Carteira de Investimentos publicados ontem pela Autoridade Monetária de Macau.

No mesmo documento é referido que a carteira de investimentos no Atlântico Norte e Caraíbas – onde se incluem as duas jurisdições offshore – continuou a crescer e atingiu 35,9 mil milhões de patacas no final de Junho de 2014. No total, esta zona geográfica concentrava nessa altura 8,6 por cento do investimento externo total dos residentes de Macau.

Os investimentos no exterior atingiram um recorde de 416,9 mil milhões de patacas até ao final de Junho – mais 6,6 por cento em relação a 31 de Dezembro de 2013 e mais 34,6 por cento em termos anuais.

P. S. A.

Novo modelo de previsão da poluição sugerido por investigadores

Novembro 28, 2014

Catarina Mesquita

Os investigadores da Universidade de Macau Mok Kai Meng e Yuen Ka Veng apresentaram ontem a proposta para um modelo mais eficiente e dinâmico de avaliação da concentração de poluentes como o ozono ao nível do solo em Macau.

Após uma análise da concentração de ozono na atmosfera junto ao solo e da influência deste no estado da meteorologia da região durante os anos de 2006 e 2009, os especialistas concluíram que os modelos de previsão existentes são inadequados.

Yuen Ka Veng explicou que “existem mais variáveis que devem ser consideradas”. “Neste momento, os modelos que existem dizem-nos que existem duas épocas fixas: os meses de Verão onde se registam os valores mais elevados de poluentes na atmosfera e os meses de Inverno quando as partículas andam no ar registando valores mais baixos.”

No entanto, os investigadores perceberam a necessidade de avaliar os períodos de transição entre as épocas alta e baixa, que apresentam valores variáveis, criando um modelo “mais dinâmico e eficiente que simplifique o trabalho humano através de um cálculo automático e que permita prever o que vai acontecer durante esses períodos.”

A concentração de ozono é um dos maiores problemas da qualidade do ar de Macau, que segundo, Mok Kai Meng “não consegue ser resolvido facilmente”. Para o professor e investigador da UMAC, “os carros são os grandes contribuidores para a má qualidade do ar de Macau, mas não podemos simplesmente acabar com eles.”

Os investigadores relembram ainda que as condições atmosféricas associadas aos níveis de poluição não só se devem a factores locais, como as emissões de gases poluentes por parte dos transportes, como também por factores regionais, tais como as fábricas da China Continental. Mok Kai Meng sugere que para que hajam melhorias há que haver um trabalho em conjunto.

Para Cheang Ku Wai, membro do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT), os novos projectos “podem vir a trabalhar em conjunto com os serviços de saúde para o melhoramento da vida em Macau.”

O projecto foi apresentado ontem numa conferência promovida pelo FDCT, responsável pelo financiamento a vários centros de tecnologia e investigação de Macau.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 94 outros seguidores