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Xi Jinping quer ambiente social “mais justo e equitativo” e primado da lei

Dezembro 21, 2014

3142-1O presidente chinês não poupou nos recados e alertas à governação na RAEM, deixando clara a necessidade de respeitar o primado da lei e apostar num ambiente social “mais justo”.

Sandra Lobo Pimentel

Acabado de ser empossado, o IV Governo da RAEM saiu ontem do Dome com uma lista generosa de conselhos para gerir os destinos do território. O presidente Xi Jinping tomou a palavra para apontar o caminho à RAEM, agora que passam 15 anos da transferência de soberania.

Começando pelo princípio “um país, dois sistemas” e pela Lei Básica, asseverou que “são amplamente aceites pela população de Macau e são aplicados efectivamente”, com garantia plena da autonomia da RAEM por parte de Pequim.

“Macau vem testemunhando o desenvolvimento ordenado do sistema político e democrático, o rápido crescimento económico, a constante melhoria da vida dos habitantes, a harmonia e a estabilidade social”, notando ainda que a cooperação com o Continente é cada vez mais estreita.

Xi Jinping não mostrou dúvidas de que o “‘Amor à Pátria e a Macau’ já se torna um valor principal da sociedade” e que todos os “grupos étnicos” que aqui habitam “convivem de forma harmoniosa”, “demonstrando a dinâmica da cidade”.

Foram quatro as propostas de Xi Jinping, começando pelo primado da lei, apelando aos “trabalhos proactivos” de forma a “aprimorar constantemente a capacidade e o nível de governação conforme as leis da RAEM”.

Com um sistema de governação “cada vez mais aperfeiçoado e a capacidade de governação cada vez mais elevada”, o reverso da medalha também se verifica, quando “novos requisitos mais exigentes são colocados pela evolução da conjuntura e pelas expectativas da população”.

Sublinhando que a governação conforme as leis é a “mais confiável e estável”, aconselhou a “boa capacidade de governar com pensamento e maneira jurídica”.

O presidente chinês pediu um Governo “diligente, honesto, eficiente, justo que actua, faz decisões e governa segundo as leis, a fim de garantir que o desenvolvimento da RAEM permaneça na trajectória jurídica”.

Para tal, é preciso “intensificar a construção e a gestão dos funcionários públicos”, e “formar uma grande quantidade de profissionais qualificados com bom conhecimento da Lei Básica”.

A segunda proposta foi no sentido do fomento da harmonia e estabilidade, valores que “tanto o Governo, quanto as personalidades de todos os sectores da sociedade devem valorizar e defender com todo o esforço”.

A “receita” de Xi Jinping está em “ter as pessoas como o primordial no nosso conceito de governação, acompanhar de perto a situação dos habitantes, conhecer as opiniões e atender às preocupações”.

Neste particular, foi claro em pedir a Chui Sai On e sua equipa que procurem “activamente”, criar “um ambiente social mais justo e equitativo mediante o tratamento adequado dos diversos pleitos da sociedade e o equilíbrio entre os interesses das diferentes partes”.

Aludiu também para a necessidade de “tomar medidas preventivas contra a infiltração e a interferência das forças exteriores para consolidar a tranquilidade e a solidariedade”.

Recados para os dois lados do Delta

Dezembro 21, 2014

Sandra Lobo Pimentel

Xi Jinping insistiu em parte do seu discurso na necessidade de concretizar de forma correcta o princípio que tem vindo a sustentas as duas regiões administrativas especiais. O presidente chinês frisou que “Um país, dois sistemas” é uma política básica do país, alertando que a “observação inabalável desta politica não é apenas as exigências obrigatórias da manutenção da prosperidade e estabilidade duradoura de Hong Kong e Macau, mas também faz parte importante da concretização do sonho chinês”.

O recado para as duas regiões deixou claro que o princípio serve a todos, “aos interesses fundamentais do país e da nação, aos interesses inteiriços de longo prazo para Hong Kong e Macau, bem como aos interesses dos investidores estrangeiros”.

Para que não se perca, “é preciso segurar firmemente o seu propósito fundamental”, insistindo que só assim será possível “salvaguardar juntos os interesses da soberania, segurança e desenvolvimento do país a fim de manter a prosperidade e estabilidade duradoura”.

A “governação à luz da lei” e a “garantia da prática” daquele princípio são fundamentais para que se continue a concretizar, lidando da melhor forma com eventuais percalços. “É preciso integrar apropriadamente, sem inclinação em qualquer momento, o princípio de um país com respeito à diferença entre os dois sistemas, a defesa do poder central com a garantia do alto grau de autonomia das regiões administrativas especiais e o firme apoio do Interior da China com a elevação da própria competitividade de Hong Kong e Macau”.

Nessa base, “encontramos um caminho certo e avançamos a passos firmes”, garantiu Xi Jinping, “em vez de calçar o sapato direito no pé esquerdo”.

É preciso melhorar a regulação da indústria do jogo

Dezembro 21, 2014

Sandra Lobo Pimentel

Uma das propostas do presidente chinês, e já habitual nos discursos referentes a Macau, prende-se com a necessária diversificação económica. “Macau tem conseguido um rápido progresso socioeconómico acompanhado por conflitos profundos e riscos de desenvolvimento que se formam ao longo do tempo”, alertou Xi Jinping.

O dirigente defendeu a necessidade de um pensamento e plano “racional” de forma a promover o desenvolvimento saudável da economia e da sociedade. “Devemos insistir em andar com as duas pernas, isto é, promover simultaneamente a elevação da capacidade de desenvolvimento e o fortalecimento da cooperação regional”, acrescentando que é ainda preciso resolver os problemas “com maior coragem e sabedoria”.

Uma das questões que sublinhou foi a necessidade de “fomentar e melhorar o regulamento da indústria de jogos, e criar novos pontos de crescimento”.

O caminho traçado por Xi Jinping para o IV Governo da RAEM, e, em especial, para o secretário Lionel Leong, passa também por “tirar melhor proveito das políticas e medidas oferecidas pelo Governo Central”.

Governo vai reformar na distribuição de recursos pela população

Dezembro 21, 2014

Sandra Lobo Pimentel

De concreto, muito pouco. Foi assim o discurso de tomada de posse de Chui Sai On, que deixou para Xi Jinping a apresentação de “novas exigências” e “novas orientações” para o desenvolvimento de Macau, confiante no “início de uma nova etapa” para o território.

O reeleito Chefe do Executivo não ignorou a responsabilidade da nova equipa governativa em “dar prioridade à promoção do bem-estar da população, com vista à construção célere de uma cidade aprazível para viver e trabalhar”, e prometeu até que “não cruzaremos os braços”.

Apontando mecanismos eficientes de longo prazo, sublinhou os domínios da segurança social, dos cuidados de saúde, da habitação, da educação e da formação de recursos humanos, como prioritários.

De concreto, mas não tanto, disse apenas que “estamos a estudar a criação de um mecanismo eficiente de longo prazo no domínio da distribuição dos saldos financeiros, que permita uma alocação mais eficiente de recursos sociais e uma distribuição de recursos mais justa”.

Chui Sai On quer também garantir “uma maior dignidade ao trabalho e mais oportunidades de mobilidade ascendente aos trabalhadores”.

A “pujança” economia e o “melhoramento notável da qualidade de vida dos cidadãos, a harmonia e a estabilidade da sociedade”, são pontos fortes dos 15 anos da RAEM, na óptica do líder do Executivo, que considera que “está demonstrada a superioridade e a vitalidade do princípio ‘um país, dois sistemas’, e concretamente fica provado que ‘quanto melhor a Pátria estiver, melhor será Macau’”.

Não podia faltar o tópico da diversificação adequada da economia, que é assumida para o novo mandato “como uma opção indiscutível e como uma estratégia de longo prazo para o desenvolvimento económico”.

“Encontramo-nos, hoje, num novo ponto de partida, e a nossa missão é grandiosa e de longo prazo”, afirmou Chui Sai On, prometendo “enfrentar o futuro com sentido de responsabilidade, superando as insuficiências em constante auto-aperfeiçoamento”.

A palavra “reforma” também fez parte do discurso, de forma a “analisar novas situações, resolver novos problemas e acumular novas experiências”.

O primeiro dia do resto das suas vidas

Dezembro 21, 2014

Sandra Lobo Pimentel

Os primeiros a chegar ao Dome para a cerimónia da tomada de posse do IV Governo da RAEM foram os jornalistas, como já vem sendo habitual. Os muitos convidados demoraram cerca de uma hora para começar a dirigir-se às cadeiras cuidadosamente reservadas.

A entrada de Xi Jinping e da primeira-dama da República Popular da China estava marcada para as 9h30 horas. Antes disso, com a chegada à sala de Chui Sai On e dos titulares dos principais cargos, toda a plateia já estava sentada e em silêncio, interrompido apenas pelos directos sucessivos dos vários repórteres da CCTV que marcaram ao minuto o aproximar do início da cerimónia oficial.

Depois do hino, Chui Sai On prestou juramento perante Xi Jinping, findo com uma enorme ovação de várias personalidades do território que despontavam na assistência.

Em uníssono, os cinco novos secretários, os novos Comissários Contra a Corrupção e da Auditoria, o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, a directora-geral dos Serviços de Alfândega e o Procurador da RAEM prestaram de seguida o juramento perante o Chefe do Executivo e o presidente chinês.

Ontem foi o primeiro dia como titulares dos principais cargos da RAEM, com direito a honras presidenciais.

Também os membros do Conselho Executivo juraram fidelidade à RAEM, a Pequim e à Lei Básica, dois em estreia, o deputado Chan Chak Mo e a nova secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan.

Presidente chegou à ilha da Montanha mudo e saiu calado

Dezembro 21, 2014

xi jinping e wei zhaoXi Jinping terminou a visita de dois dias à RAEM com uma ida à ilha da Montanha onde falou só com estudantes e não com os jornalistas. Os alunos que os esperaram tinham reflectido sobre temas como: que elementos da tradição e cultura chinesas podem estabilizar a sociedade de Macau.

Patrícia Silva Alves

Costuma dizer-se que no melhor pano cai a nódoa. Pois ontem, na Universidade de Macau, pode ter-se criado uma nova versão deste ditado popular: “No melhor chão cai o autocarro”.

O segundo dia de visita de Xi Jinping a Macau acordara azul; as cerimónias do içar da bandeira e da tomada de posse já estavam despachadas e tudo estava a postos no novo campus da ilha da Montanha para receber o Presidente: as malas de todos os jornalistas já tinham passado pelo nariz de um magro cão polícia e todos aguardavam há longos minutos (leia-se mais de uma hora) pelo chefe do Governo Central no exterior da Galeria da Universidade.

Foi então nesse cenário que a nódoa caiu – de repente ouviu-se uma exclamação de uma das jornalistas e todos os olhos se dirigiram para o meio da praça principal do campus. Um autocarro que lá estava estacionado sem ocupantes tinha-se enterrado no chão como se tivesse caído para dentro de uma valeta (na verdade foi a tampa da valeta que cedeu sob o peso do veículo).

A imagem, mesmo de longe, era esta: dois pneus ligeiramente no ar e todo um automóvel com o logo da Universidade de Macau inclinado em plena praça do campus. A mesma que o Presidente da China e o chefe do Executivo de Macau iriam visitar dentro de poucos minutos.

Face à situação de emergência para resolver (e provavelmente à falta de uma grua para içar o veículo), a solução encontrada para minimizar a poluição visual criada com um autocarro mergulhado chão adentro foi mesmo arranjar uma espécie de biombo: alguns minutos depois lá estava estacionado um outro autocarro em frente do veículo azarado.

Assim, quando o Presidente chegou ao local já tudo estava composto na praça graças ao biombo improvado. A partir daí tudo decorreu dentro do planeado.

Mal saiu do carro mesmo em frente à Galeria da universidade, Xi Jinping foi saudado pelo recém empossado secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, o reitor da Universidade de Macau, Wei Zhao e ainda o presidente do Conselho da instituição, Peter Lam Kam Seng. Para os jornalistas que o esperaram há mais de uma hora, Xi fez um aceno de longe e não respondeu a uma pergunta lançada em chinês – a repórter queria saber afinal quais eram os problemas de Macau que o Presidente mencionou nos seus discursos no território, mas que não elencou. A dúvida persistiu.

Durante a visita de breves minutos à galeria – que os jornalistas não acompanharam pois ficaram do lado de fora do edifício – o Presidente ouviu a apresentação da história e conceito educativos da universidade e também observou uma maquete do novo campus. Viu ainda informação sobre dois laboratórios da universidade: um de medicina chinesa e outro de microelectrónica.

As feições de Rui Martins, vice-reitor da instituição, também não passaram despercebidas a Xi Jinping. Numa breve troca de palavras, o Presidente ficou então a saber que o responsável da universidade é português, de Lisboa.

Antes de se encontrar com estudantes num outro edifício do campus, Xi Jinping observou ainda a vista para o campus junto a um dos lagos. Mais uma vez os jornalistas não tiveram oportunidade de fazer perguntas e os fotógrafos foram aconselhados a levar um pequeno escadote. Esta foi a última oportunidade para ver o Presidente que saiu do local depois de ter feito uma oferta de livros à universidade.

Já a oportunidade seguinte de reportagem, no colégio Cheng Yu Tung, um edifício residencial, foi já sem Xi Jinping. É que os jornalistas só foram autorizados a ir lá depois de este ter saído. Lá o Presidente participou numa discussão com 20 alunos durante 25 minutos. Tema da conversa: cultura tradicional chinesa e juventude contemporânea.

“Os nossos estudantes já tinham reflectido sobre temas como que factores da tradição e cultura chinesas podem estabilizar a sociedade de Macau”, explicou Chun Ling, directora da residência, aos jornalistas. E acrescentou: “Penso que o Presidente quer operar um revivalismo da cultura tradicional chinesa na China”.

Já sobre Macau, o Presidente assinalou aos alunos que o território pertence a um sistema que não tem precedentes na História (“Um País, Dois Sistemas”) e que por isso os passos podem não ser todos suaves, mas o Governo está preocupado em melhorar.

Ao todo, Xi Jinping esteve cerca de uma hora no campus e não falou com os jornalistas que fizeram a cobertura do evento durante três horas.

“Xi não sabe aquilo que realmente queremos e de que precisamos”

Dezembro 21, 2014

seac pai van 3O bairro de habitação pública visitado pelo Presidente na sexta-feira, acordou com as mesmas queixas no sábado: falta de autocarros, de um mercado e de um centro de saúde.

Lou Shuo

“Uma cidade pequena com muitas histórias para contar, cheia de alegrias e acontecimentos agradáveis”. Foram as palavras utilizadas pelo Presidente Xi Jinping, no jantar de boa-vindas a Macau, após a sua visita às habitações públicas em Seac Pai Van no dia anterior ao 15º aniversário da RAEM. A descrição de Macau é inspirada pelas letras de uma música popular do tempo da sua juventude (nos anos 1970): “A história de uma pequena cidade”, da cantora chinesa Deng Lijun.

Macau é, sem dúvida, uma cidade cheia de histórias ao longo desses 15 anos do desenvolvimento. No entanto, alegrias e felicidades talvez não sejam sentimentos tão comuns entre a sua população, nomeadamente, a que habita em Seac Pai Van, onde foram construídas 9015 novos apartamentos para alojar quem não dispõe de rendimentos para adquirir casa aos preços correntes. “Xi não sabe aquilo que realmente queremos e de que precisamos”, diz-nos uma residente de habitação económica do bairro novo, ao fim do Cotai, construído sobre a antiga pedreira de Coloane.

Connie, trabalhadora no supermercado Park’n’shop, em Seac Pai Van, tem apenas vinte e poucos anos e já é mãe de dois filhos. “Esperei cerca de dez anos para ter uma casa económica. Agora moro aqui numa casa de dois quartos com a minha família há quase sete meses, e o meu marido não tem trabalho fixo por enquanto”, conta-nos.

A moradora ri-se quando se lhe fala da visita do Presidente Xi Jinping, no sia anterior a falarmos com ela. “O que ele viu na verdade foi muito superficial”, diz, apontando que “há muitos problemas” no bairro, que não terão saltado
á vista por ocasião da visita presidencial. “As infra-estruturas aqui não respondem as necessidades dos residentes. Temos sempre de sair da zona para fazer compras ou ir no médico”, explica.

Connie revela-nos a ambição de ter um mercado de frescos ao pé da porta. “O Governo prometeu que vai terminar a construção do mercado na nossa comunidade no ano que vem, mas acho que isso é impossível de realizar. Precisamos urgentemente de um mercado, pois muitos produtos como peixes frescos não se vendem no supermercado”, sublinha.

A emergência do desejo é justificada pela dificuldade no serviço de transportes públicos que serve a zona. “Nas horas da ponta, quando os trabalhadores da construção saem do trabalho, é impossível apanharmos os autocarros para chegar a casa. Queremos mais circulação de transporte público na zona”, junta à lista de aspirações de quem mora em Seac Pai Van.

A mesma queixa em relação aos transportes públicos é feita por outra moradora da zona, que trabalha na Taipa e mora em Seac Pai Van. A viagem de autocarro que faz todos os dias faz pressupor no entanto uma distância maior.

“Demora por vezes uma hora para conseguir chegar a casa depois do trabalho. Os itinerários dos autocarros são nada científicos, por exemplo, porque é que a linha 55 não passa por mais pontos na Taipa para transportar mais moradores?” questiona.

Outro residente ouvido pelo PONTO FINAL habita no Edifício Ip Heng com a sua família, e considera a sua vida em Seac Pai Van “satisfatória”. “Morava na zona antiga na península de Macau e esperei oito anos para me mudar para aqui. Gosto do qualidade do ar e do ambiente, é mais tranquilo do que morar no centro da cidade”, diz.

Porém, o morador espera uma melhoria nos serviço de saúde oferecidos em Seac Pai Van. “Acho que é não muito fácil ter uma consulta no médico aqui, nem comprar medicamentos. Um posto de saúde provisório não é suficiente para todos os moradores, temos de apanhar autocarros para resolver problemas da saúde na Taipa ou em Macau”, lamenta.

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