Saltar para o conteúdo

“A intimidação não vai ter efeitos”

Maio 20, 2013

2755_Page_01O advogado Jorge Menezes não pretende abdicar de nenhum caso, nem alterar a vida profissional na sequência da agressão que sofreu e que relaciona com a actividade que exerce. “Não se deve abrir precedentes e deixar que a intimidação interfira no exercício da justiça”, diz. O caso está a ser investigado pela PSP, que pede ajuda para conseguir identificar os dois suspeitos.

Sónia Nunes

Os dois homens que agrediram com violência o advogado português Jorge Menezes ainda não foram localizados e seguiram em direcções opostas após o ataque. O caso está, por enquanto, nas mãos da Polícia de Segurança Pública (PSP), que não confirma a presença de testemunhas oculares no local para não prejudicar a investigação, mas apela à colaboração de quem tenha informações que possam ser úteis à identificação dos suspeitos.

Jorge Menezes foi agredido na quinta-feira passada, pelas 9h30, quando saía de casa na companhia do filho, de cinco anos, que estava a caminho do infantário. O advogado foi atacado na zona da Praça da Amizade, no centro da cidade e perto da Escola Portuguesa de Macau. A agressão foi feita pelas costas: Jorge Menezes foi atingido com um tijolo na cabeça e, quando se virou para trás para tentar defender-se, foi atacado por um segundo agressor, que vinha na direcção oposta do primeiro.

Simon Wong, subcomissário da PSP, explica que o ataque foi rápido (a agressão ocorreu em plena luz do dia, numa das zonas mais movimentadas da cidade) e brutal. “Havia muito sangue no local. O tijolo ficou partido em seis partes, no chão. O ataque durou alguns segundos e os dois suspeitos fugiram em direcções diferentes. Um fugiu pela Avenida Dr. Mário Soares. O outro, pela Avenida Infante D. Henrique”, indica.

“A PSP pede a qualquer pessoa que tenha alguma informação sobre o caso ou tenha estado no local para entrar em contacto connosco”, apela Simon Wong. As informações podem ser prestadas por telefone, através do número 85970528.

“Estou a colaborar com a polícia em tudo o que pedem. Estão a dar muita atenção ao assunto”, diz Jorge Menezes, que teve de receber tratamento hospitalar na sequência da agressão. O advogado ficou ferido nos braços e na cabeça, tendo levado pontos, mas encontra-se livre de perigo.

O caso está a ser acompanhado pelo cônsul-geral de Portugal em Macau, Vitor Sereno que entrou em contacto com o advogado e com o gabinete do secretário para a Segurança, para garantir a protecção de Menezes e da família. “Recebi um apoio inexcedível do cônsul e do presidente da Associação dos Advogados. Fizeram tudo o que estava ao seu alcance”, reconhece Menezes, que refere ainda as “inúmeras mensagens de solidariedade e apoio da comunidade portuguesa”.

Ataque premeditado

O advogado não tem dúvidas em classificar a agressão como um “acto de intimidação”, premeditado e relacionado com a profissão que exerce. “Isto foi uma ameaça executada com violência. Não tem que ver com os advogados em geral, mas com um caso meu concreto. Há um motivo específico, que é o que se está a tentar apurar na investigação”, diz Jorge Menezes, sem avançar qual caso poderá estar na origem da agressão.

“Não se deve generalizar. Não há motivos para ter medo”, afirma ainda Jorge Menezes, ao reforçar o carácter premeditado do ataque: “São pessoas que esperaram à porta da minha casa – onde não vivia há muito tempo – e me terão seguido, preparado e antecipado isto”. Apesar de estar “evidentemente apreensivo” – “não posso fingir que não aconteceu, nem presumir que é um ponto final no assunto”, diz – o advogado garante que a agressão “não vai ter absolutamente efeito nenhum no desempenho profissional”.

“O que aconteceu foi muito grave, da perspectiva pessoal. Mas ultrapassa a minha participação pessoal no assunto porque trata-se, em abstracto, de uma tentativa de interferência com o exercício da justiça. Isto preocupa a todos. É uma semente que não se pode permitir que cresça e sei que isto preocupa muito o Governo e a polícia”, sublinha Menezes. Esta é, de resto, uma das razões que o advogado dá para continuar a defender os casos que tem em mãos. “Não se deve, na medida do possível, abrir precedentes e deixar que a intimidação interfira no exercício da justiça. A intimidação não vai ter efeitos, não pode resultar em nenhuma cedência”, defende.

“Um ataque destes visa resolver um litígio – que devia ser resolvido de forma civilizada e justa em tribunal – de forma selvática”, aponta Menezes. O advogado desenvolve: “Este aspecto torna este acto de violência duplamente grave. É gravíssimo ser agredido desta forma – se tivesse caído no chão teria sido uma desgraça – mas a tentativa de resolver litígios através da brutalidade torna a agressão ainda mais grave”.

“No dia em que uma região veja a força física, a violência, ser um factor nas tomadas de decisão relativamente à justiça é um passo atrás num mundo civilizado”, remata Jorge Menezes.

“Quando os advogados tiverem medo, nenhum cidadão pode estar descansado”, disse Jorge Neto Valente, que em declarações ao Canal Macau também descreveu a agressão contra Menezes como um “acto de intimidação” e um “ataque traiçoeiro”.  “A Associação dos Advogados, como toda a sociedade sã, repudia qualquer acto deste género e confia que seja feita justiça, através da investigação. As polícias têm meios para descobrir os culpados e levá-los a juízo”, destacou Neto Valente. O advogado admite a hipótese de haver mais suspeitos além dos dois homens, que terão sido “meros executadores”.

Granada encontrada em São Domingos

Maio 20, 2013

A PSP diz que o caso é raro – mas não inédito – e ainda não sabe o que aconteceu. Ontem de manhã uma granada desactivada foi encontrada no Pátio de São Domingos. As autoridades estão agora a investigar.

Inês Santinhos Gonçalves

Eram 7h30 quando um residente do edifício Kuok Va, no Pátio de São Domingos, encontrou um objecto inusitado do lado de fora do portão do edifício: uma granada. A Polícia de Segurança Pública (PSP) foi imediatamente alertada, tendo-se deslocado ao local e isolado o objecto bélico.

De acordo com a PSP, a granada estava “vazia” e o mecanismo detonador não funcionava. “Apresentava-se oxidada e com um aspecto muito velho. Já não representava perigo. Mas era, de facto, uma granada verdadeira”, explica o sub-comissário Simon Wong.

Os motivos que levaram à presença de um explosivo numa rua de Macau continuam incógnitos. “Porque é que uma granada apareceu assim na rua? Não sabemos. Temos de investigar”, frisa Wong. Esta não foi a primeira vez que a polícia de Macau encontrou uma granada na via pública. “Já encontrámos uma mas foi há muitos anos e era de outro tipo. Este é um caso muito raro”, comenta.

A granada é um objecto bélico, utilizado habitualmente durante confrontos armados. É activada através da retirada de uma cavilha de segurança, que acciona um dispositivo que dispara uma espoleta. Quando atirada, a granada provoca uma explosão de significativa dimensão.

Três detidos sob suspeita de lenocínio e tráfico de droga

Maio 20, 2013

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem e duas mulheres na sequência do desmantelamento de uma rede de lenocínio ocorrido no passado dia 10. Outras seis mulheres foram expulsas do território, de acordo com informações prestadas pelo órgão de investigação criminal, que adianta que a detenção das mulheres se deve ao facto de uma delas ser suspeita de lenocínio e tráfico de droga.

“Uma das oito mulheres detidas é dirigente de uma organização criminosa responsável por lenocínio e tráfico de droga. As restantes são prostitutas acusadas de abuso de drogas e posse de instrumentos para consumo”, alega a PJ. A prostituição não é ilegal em Macau. Apenas o lenocínio se encontra criminalizado, prevendo penas entre um a cinco anos de prisão .

As detenções, de nove indivíduos oriundos do Continente, ocorreram numa rusga no início do mês num edifício localizado no centro da cidade. O líder do grupo criminoso encontra-se em parte incerta.

Segundo a polícia, “não há qualquer prova que sustente que as mulheres foram traficadas para Macau”. “Depois de o caso ter sido tratado pelas autoridades, duas mulheres e um homem foram mantidos sob detenção (sendo o homem e uma das mulheres líderes da organização criminosa)”, afirma a Judiciária sem dar conta das suspeitas que recaem sobre a uma das mulheres detidas.

“As restantes seis mulheres foram libertadas sob medida de coacção, transferidas para a Polícia de Segurança Pública, e expulsas de Macau de acordo com a lei”, acrescenta o órgão de investigação.

Número de infecções com VIH estável

Maio 20, 2013

Cerca de metade dos casos de infecções com VIH registados em Macau dizem respeito a não-residentes, destacam os Serviços de Saúde locais, que continuam a agrupar os indivíduos portadores do vírus segundo a sua etnia. Para as associações locais que trabalham na prevenção, os números não são razão para alarme. No primeiro trimestre, houve cinco novos casos de VIH.

Maria Caetano

O número de novas infecções com VIH manteve-se estável no primeiro trimestre deste ano, com cinco novos registos de portadores do vírus contabilizados pelos Serviços de Saúde de Macau. Tanto dos dados de novas infecções com HIV, como os de novos casos de SIDA (dois) foram de exacto igual número ao registado nos três primeiros meses de 2012.

No ano passado, recorde-se, ocorreu uma subida de 84 por cento nos casos de VIH e SIDA diagnosticados localmente, com o total de indivíduos seropositivos e doentes a atingir o número de 581, desde 1986 – ano em que os serviços de saúde pública passaram a compilar estatísticas sobre a doença. No total, em 2012, houve 33 novos casos de VIH e 13 novos casos de SIDA, a maioria tendo como via de transmissão a existência de relações sexuais desprotegidas com pessoas de sexo diferente.

Já entre Janeiro e Março deste ano, foram identificados cinco novos casos de HIV, envolvendo adultos exclusivamente – quatro homens e uma mulher. Na informação estatística, os Serviços de Saúde continua a diferenciar os indivíduos infectados segundo a sua “etnia/raça”, facultando assim a informação de que três dos novos infectados são chineses e outros dois não-chineses. Os casos de indivíduos seropositivos que adoeceram com SIDA  envolvem dois homens chineses.

Os Serviços de Saúde também destacam nos documentos de informação estatística que do total de casos acumulados de infecções por VIH, 513, “45 por cento eram residentes temporários ligados à indústria de diversões”. As relações sexuais desprotegidas entre homem e mulher são a vias principais de transmissão, com 288 casos. Por falta de informação, o segundo maior grupo de infecções, 104, dá-se por causa “desconhecida”, de acordo com os dados públicos.

“Os dados são os mesmos do ano passado. Não há subida, nem descida”, cosntata Dennis Cheang, presidente da Associação para os Cuidados da SIDA em Macau (MAC, na sigla inglesa). Apesar do nome, trata-se de uma organização vocacionada sobretudo para a prevenção, realizando campanhas e sessões de esclarecimentos junto de escolas e outras organizações não-governamentais.

“Uma cidade mais internacional”

As estatísticas do primeiro trimestre não permitem aferir se há uma tendência de aumento ou redução dos casos, assinala, lembrando porém os dados que dão indicações no sentido de parte significativa dos indivíduos seropositivos registados poder já não se encontrar em Macau.

“Parte das novas infecções são de indivíduos de nacionalidade não-chinesa. Talvez sejam pessoas que vêm para Macau trabalhar e às quais, quando a infecção é detectada, não é permitido ficar. Mas o número fica nas estatísticas”, aponta minimizando os valores totais. “Não só em Macau, como muitos outros países e regiões do Sudeste Asiático, um grande número de novas infecções tem origem nas relações sexuais”, generaliza também.

A associação que lidera não tem qualquer acção de prevenção junto dos trabalhadores que prestam serviços sexuais em Macau. Questionado sobre se o sector deve ser mais visado pelas campanhas de informação de saúde pública, Dennis Cheang não responde directamente. “Se pudermos, acho que devemos fazer algo em relação aos não-residentes e não-chineses”, diz.

A Associação Arco-Íris, de defesa dos direitos da comunidade LGBT, realizou no último sábado um seminário sobre doenças infecciosas em colaboração com o Centro de Prevenção e Controlo da Doença dos Serviços de Saúde de Macau. O grupo, liderado por Anthony Lam, admite que “o trabalho de prevenção pode ser melhorado”. “Daí termos convidado um representante dos Serviços de Saúde. Podemos dizer que, na verdade, estamos a trabalhar estreitamente com os Serviços de Saúde sobre esta matéria”, realça.

No entanto, a Arco-Íris, à semelhança da MAC, não vê como preocupantes os dados de 2012 que apontam para um aumento dos casos de infecção com HIV. “Macau está a tornar-se uma cidade mais internacional. Todos os dias há novas pessoas a chegar, que ficarão por períodos curtos ou mais longos. É inevitável haver uma tendência de aumento dos casos de HIV em Macau. O que os Serviços de Saúde nos dizem é que estão a trabalhar arduamente para tornar a situação melhor”, relata Lam

Ambientalistas contra sacos de plástico grátis

Maio 20, 2013

A União de Estudantes Macau Verde vai realizar um inquérito à população para avaliar os seus hábitos na utilização de sacos de plástico. A ideia é avançar com sugestões para a sua redução – introduzir um preço simbólico nos sacos dos supermercados é uma das hipóteses. O grupo, liderado pelo ambientalista Joe Chan, vai divulgar os resultados do inquérito no dia 1 de Junho, Dia Mundial do Ambiente.

“Precisamos de ter alguma informação-base sobre isto. Nos últimos dez anos, as pessoas não mudaram os seus hábitos em relação ao uso dos sacos de plástico. Não estão prometidas estratégias [governamentais] para um futuro próximo”, aponta Joe Chan. “A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental tem um plano de dez anos para a protecção ambiental mas não encontro nem uma palavra sobre sacos de plástico. É uma desilusão. Temos de criar um calendário para esta questão”, critica.

Com os resultados do inquérito, que vão fornecer ao Governo, estudantes e professor pretendem contribuir para a elaboração de um plano estratégico que ajude a reduzir o consumo deste tipo de sacos, tão prejudiciais para o ambiente. Recolhidos os dados, o grupo vai também lançar uma campanha junto das escolas, para promover a reciclagem, e junto dos edifícios residenciais para incentivar as pessoas a reutilizarem os sacos.

Joe Chan apoia a ideia de introduzir um custo por saco, ainda que admita que esta “não é a única maneira” de combater o problema. “É uma forma muito eficiente para reduzir o uso de sacos de plástico. Concordo com essa ideia”, afirma. O ambientalista sugere que o preço se situe nos 50 avos por saco – em 2008, outro inquérito promovido pelo grupo indicava que a maioria das pessoas concordava com esse valor.

“[O preço] é simbólico, é um conceito. Actualmente, quando as pessoas vão às compras recebem os sacos de graça e não prestam atenção a quantos gastam”, lembra Chan. O ambientalista explica que a medida deve ser imposta pelo Governo, de forma generalizada, já que os supermercados temem perder clientes: “Já falámos várias vezes com os supermercados mas eles queixam-se que se não oferecerem os sacos, as pessoas vão optar por outro supermercado que o faça. Se o Governo regulamentar isto e se todos os supermercados tiverem de o fazer, é justo”.

Para o professor de Biologia, o Governo ainda não avançou com esta imposição porque “vai sofrer pressão da população”. No entanto, a medida “tem sido um sucesso em muitos países”, lembra. “É uma questão de hábito e o Governo deve dar um empurrão”, salienta. I.S.G.

RAEM não quer Grupo de Amigos de Macau no parlamento português

Maio 20, 2013

MonicaFerro_PSDUma deputada do PSD criou há um ano um Grupo de Amigos de Macau na Assembleia da República, à margem do Grupo de Amizade com a China. Já lhe pediram para desistir, mas ainda resiste

João Paulo Meneses

Responsáveis da Região Administrativa Especial de Macau manifestaram à deputada do PSD Mónica Ferro a incomodidade pela criação, há um ano, de um Grupo de Amigos de Macau na Assembleia da República.

O principal argumento é o de que sendo Macau, precisamente, uma região da China, os assuntos em termos de parlamento português devem ser tratados através do Grupo de Amizade Portugal-China, que tem uma existência formal e reconhecida por Pequim.

Aliás, como disse ao PONTO FINAL o presidente deste Grupo de Amizade, Vitalino Canas, “sendo Macau uma Região Administrativa Especial da China não dispõe de soberania, pelo que não é possível constituir um Grupo Parlamentar de Amizade com Macau, uma vez que este tipo de grupos se definem entre Parlamentos de Estados soberanos”.

Canas, frisando que “como Presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal China não me cabe emitir (nem estou mandatado pelo Grupo) uma reacção que não seja apenas factual», acrescenta que “qualquer Deputado é livre de expressar a sua relação com qualquer zona do globo e, por maioria de razão, com Macau. Isso não tem de estar formalmente coordenado (e não está) com o Grupo parlamentar de Amizade com a China. Em termos oficiais, as relações com Macau, como uma parte (muito relevante para nós) da China continuam a ser cobertas pelo Grupo parlamentar de Amizade com a China. Não há nenhuma resolução da AR que altere isso».

Falta acrescentar que Mónica Ferro, a deputada do PSD que dinamizou este grupo informal, não pertence ao Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China.

Anunciado em Abril do ano passado por Mónica Ferro, este Grupo informal de deputados teve algumas actividades nos meses seguintes mas não se soube de outras iniciativas este ano.

Poder-se-ia pensar, assim, que a “sugestão” feita pelas autoridades da RAEM teria levado à extinção “informal” do Grupo, mas Mónica Ferro enviou uma mensagem, na qualidade precisamente de coordenadora do Grupo de Amigos de Macau na Assembleia da República e do Grupo Parlamentar do PSD na Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, por ocasião do Ano Novo Lunar – e que foi noticiada pela imprensa portuguesa de Macau.

Ou seja, com menos actividade, o Grupo continua “activo” e a recomendação feita pela RAEM não terá sido tida em conta. Ainda assim, é de notar que numa outra mensagem, enviada em Outubro, ao colóquio sobre a identidade macaense, que decorreu na Escola Portuguesa, Mónica Ferro apenas assinou como “deputada e coordenadora do PSD na Comissão de Negócios Estrangeiros” – o que suscita, desde logo, a dúvida sobre porque o fez.

Justificava-se, por isso, ouvir Mónica Ferro mas o conjunto de questões enviadas pelo PONTO FINAL na última sexta-feira não tiveram resposta até ao momento. Aliás, a deputada também não respondeu às perguntas enviadas por este jornal para o Parlamento há cerca de um ano.

Formada em Relações Internacionais, preparando um doutoramento nesta área e especializada em termos parlamentares nos negócios estrangeiros, Mónica Ferro não parece ter sido sensível aos argumentos expostos pela RAEM relativamente à existência de um grupo completamente autónomo face ao da China. Aliás, nesta linha de argumentos, terá sido sugerido que se criasse uma subunidade dentro do Grupo Portugal-China, dedicado apenas a Macau, o que evitaria mal-entendidos.

Relativamente ainda à actividade do Grupo informal, a melhor forma de perceber o que tem feito neste ano é através da página de Facebook da “Secção PSD em Macau”, que cada vez mais inclui muitas notícias sobre o PSD em… Portugal (ver texto nesta página).

Em várias dessas informações Mónica Ferro é apresentada como “coordenadora do Grupo Informal de amizade Portugal-RAEM na Assembleia da República” (mas, que seja do conhecimento do PONTO FINAL, é desconhecida a restante constituição do Grupo. Uma notícia no ano passado do Jornal Tribuna de Macau dizia que “seria constituído por cerca de 20 parlamentares dos diferentes partidos”).

As estranhas opções do PSD Macau no Facebook

Uma leitura mais ou menos atenta da página do PSD Macau no Facebook mostra duas situações no mínimo curiosas: o aparecimento de diversas informações que nada têm a ver com Macau (e com o PSD) e as várias fotografias de Vitório Cardoso.

Começando pela primeira constatação, não são apenas as referências à formação dos fuzileiros, a jovens músicos portugueses que lançam discos ou a empresas portuguesas que patrocinam o Estoril Open (e querem ir para a China). São sobretudo as diversas referências colocadas no dia 25 de Abril. Os vários textos com essa data têm subjacentes uma manifestação ideológica que não será subscrita – tanto quanto é possível perceber publicamente – pelo PSD nacional. Desde elogios à “à maioria silenciosa da Nação portuguesa”, passando por frases como “Entenda porque é que os auto-intitulados arautos da democracia são tendencialmente totalitários” ou uma canção a gozar com os militares de Abril (“o major na manjedoura…”), a lista não termina sem um “agradecimento aos comandos” e à recuperação do “Despacho assinado pelo secretário de Estado da Orientação Pedagógica, Rui Grácio, de 17 de Outubro de 1974”, que manda “sanear” os livros fascistas. Nos dias seguintes, como em que resposta a eventuais críticas, a página do PSD em Macau inclui vários textos sobre o “politicamente correcto”.

Em destaque está também Vitório Cardoso, o putativo nomeado para o Fórum Macau. Aparece desde logo na “capa” da página, ao lado de José Cesário e Rita Santos. E só em posts de Abril e Maio aparece em mais três fotografias – um protagonismo visual que não divide com mais ninguém, pelo menos nesse espaço de tempo. JPM

Benfica quebra invencibilidade do Monte Carlo

Maio 20, 2013

1As “águias” venceram ontem os “canarinhos”, por 2-0, e encurtaram a distância para o primeiro lugar. A equipa de Bruno Álvares está agora a três pontos da liderança, tal como o Ka I, que superou o Grupo Desportivo da Polícia pela margem mínima.

Pedro Galinha

Foi debaixo de um sol intenso e com temperaturas próximas dos 30º C que o Benfica deu ontem a conhecer o sabor da derrota ao líder Monte Carlo. Bruno Martinho e Pio Júnior marcaram os dois golos “encarnados”, que colocam o emblema de matriz portuguesa a três pontos do primeiro lugar, à semelhança do Ka I (ver caixa).

Tam Iao San ainda viu Leong Ka Hang desperdiçar a primeira oportunidade do jogo, aos 12 minutos. Mas o jovem avançado “canarinho” falhou o alvo à guarda de Juan Castro, depois de receber um passe em profundidade bem medido por Denílson.

A resposta do Benfica não se fez esperar, com Bruno Martinho a inaugurar o marcador. O placard mostrava 14 minutos e nas bancadas parte dos aplausos foram para Iuri Capelo, que actuou como lateral-direito e fez a assistência para o dianteiro português.

Sem conseguir segurar o jogo a meio-campo, o Monte Carlo esteve longe de criar jogadas de perigo. Já o Benfica voltou a rondar a baliza de Domingos Chan, aos 28 minutos, quando Filipe Duarte tentou desviar a bola batida por Chan Pak Chun, na sequência de um canto.

Cuco, Fábio Silva e Jorge Tavares também tentaram aumentar a vantagem. Aos 40 minutos, Bruno Martinho esteve perto de bisar, não fosse a intervenção de Domingos Chan.

Na segunda parte, o Monte Carlo parecia apostado em dar a volta ao jogo. Contudo, o Benfica travou o ímpeto adversário e já com Fabrício em campo mostrou que o rumo do jogo só teria um sentido.

Aos 66 minutos, o brasileiro provou isso mesmo e apareceu isolado à frente de Domingos Chan. Mas o lance acabou com a defesa do guardião de 43 anos de idade.

Fabrício voltou a estar em destaque, no minuto seguinte, ao desenvencilhar-se de dois adversários, com um pormenor técnico de encher o olho. Depois, o antigo jogador do Monte Carlo cruzou a bola para Pio Júnior, que não quis ficar atrás do companheiro de equipa e fez o 2-0 de calcanhar.

Os “canarinhos” ainda tentaram reduzir a desvantagem, com um “chapéu” de Chan Man, aos 83 minutos. Na reposta, o benfiquista Chan Pak Chun esteve a centímetros de fazer o terceiro golo, através de um canto directo que levou a bola aos ferros da baliza do Monte Carlo.

Até ao final do encontro, sucederam-se remates desacertados do até aqui líder invicto da Liga de Elite. Quanto ao Benfica, foi queimando tempo, com alguns jogadores a pedir assistência médica no relvado, o que levou a um coro de protestos no banco do Monte Carlo.

“Foram enormes”

Bruno Álvares era um técnico satisfeito com a exibição dos seus “jogadores/guerreiros”, que entraram em campo às 14h, debaixo de um calor abrasador. “Foram enormes”, notou o português.

“O jogo saiu à imagem daquilo que queríamos, que era entrar forte e chegar ao golo. Sabíamos que o resultado de 1-0 iria deixar a equipa do Monte Carlo desconfortável porque teriam de fugir do jogo deles”, explicou o treinador de 26 anos de idade.

O médio Cuco frisou que o Benfica “está na luta” pelo título. “Mesmo com duas derrotas, a equipa sempre acreditou e o mister tem feito um excelente trabalho. A direcção e todos os colegas também estão de parabéns”, salientou o camisola 10.

A partida de ontem com o Monte Carlo encerrou o capítulo dos “jogos grandes” que o Benfica teve nas últimas três jornadas. Recorde-se que, antes, o emblema de matriz portuguesa já tinha vencido o Lam Pak e o Ka I, que ainda vão medir forças com os “canarinhos” e entre si.

É nestes embates que o campeonato será resolvido, acredita Bruno Álvares. O técnico diz ainda que o Lam Pak “tem a obrigação de ganhar” todos os jogos porque contratou “jogadores de fora”, como William Carlos Gomes: “É mau demais uma equipa que faz um investimento não ganhar um jogo frente a um candidato ao título”.

“Benfica foi melhor”

Tam Iao San considerou o resultado “justo” e desvalorizou as condições meteorológicas. “Não foi a principal razão por detrás da nossa derrota. O Benfica foi melhor, jogou de forma mais agressiva e pressionou muito na frente. Nós perdemos a luta a meio-campo”, comentou o treinador do Monte Carlo, que mantém a confiança na conquista do título.

“Continuamos a estar a três pontos e vamos lutar até ao fim”, concluiu Tam Iao San.

Paulo Martins também é da opinião de que o desaire de ontem não vai comprometer as aspirações dos “canarinhos”. “Foi só uma derrota, não vai interferir nada”, disse o defesa-central brasileiro, que ao contrário do técnico do Monte Carlo admitiu que “o calor atrapalhou muito”.

Cesinha mantém Ka I na luta

O tricampeão bateu o Grupo Desportivo da Polícia por 1-0, no sábado. O único golo da partida foi apontado por Cesinha (12’), a passe de Nicholas Torrão, e serviu para o Ka I manter-se na luta pelo primeiro lugar.

O Lam Pak, que abriu a 14ª jornada na sexta-feira, também arrecadou três pontos, ao vencer o Lam Ieng, por 5-1. Mas a equipa de Chan Man Kin esteve em desvantagem, graças a um remate de belo efeito de Leonardo de Abrantes (28’).

Os “azuis” acabaram por marcar uma mão cheia de golos. Pang Chi Hang (37’), Pantera (54’), Valença (83’), Lee Keng Pan (84’) e Sio Ka Un (88’) foram os marcadores de serviço.

Nas outras partidas da ronda, destaque para a vitória do Chao Pak Kei. O conjunto orientado por Stephen Chow venceu ontem o Kuan Tai, por 4-3, distanciando-se dos dois últimos classificados, Kei Lun e Sub-23, que jogaram entre si, num jogo que terminou com a derrota da equipa patrocinada pela Associação de Futebol de Macau.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 54 outros seguidores