Confiança a mais e desejo de dinheiro rápido entre as razões para o aumento dos crimes online

RODRIGO DE MATOS

A criminalidade informática registou, ao longo da primeira metade de 2021, um crescimento exponencial de 382% em relação ao ano passado. Ao PONTO FINAL, o gabinete do secretário para a Segurança explica que ainda existem muitas dificuldades na investigação, uma vez que o crime informático é, na sua maioria, “transfronteiriço e dissimulado”. O gabinete de Wong Sio Chak diz ainda que as vítimas têm “falta de sensibilidade e de capacidade de prevenção”, têm “confiança na sorte” e “esperança de ganhar dinheiro rápido”.

André Vinagre

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

No primeiro semestre do ano, a criminalidade informática aumentou significativamente. Neste período, as autoridades contabilizaram um total de 617 casos, o que se traduz num aumento de 382% em comparação com os 128 detectados no primeiro semestre de 2020.

Os dados foram revelados em meados de Agosto e, na altura, o gabinete do secretário para a Segurança justificou que a subida estava relacionada com a pandemia, “situação que levou à mudança da forma de vida dos cidadãos, passando muitos a utilizar a internet para conhecer novos amigos e fazer compras online, dando mais oportunidades aos malfeitores”. Por outro lado, o aumento da actividade criminosa deste género deve-se “à fraca noção de prevenção dos cidadãos, fornecendo facilmente os dados pessoais para outras pessoas através da internet”.

Agora, em resposta ao PONTO FINAL, o gabinete de Wong Sio Chak explicou que “a falta de sensibilidade e de capacidade de prevenção, a confiança na sorte ou a esperança de ganhar dinheiro rápido observadas na maior parte dos utilizadores da internet, são as causas que os tornam vítimas desse tipo de criminalidade”.

Quanto aos ataques por parte de piratas informáticos, destacam-se os sistemas informáticos de instituições públicas e privadas que, segundo o gabinete, são gerados pelas “vulnerabilidades da segurança dos sistemas, resultantes da falta de actualização periódica ou de correcção dos programas, o que aponta para a necessidade de aumento do sentido de segurança na rede das instituições e dos trabalhadores”.

O gabinete do secretário para a Segurança explicou que ainda existem muitas dificuldades na investigação da criminalidade informática, já que este tipo de crime é, maioritariamente, “transfronteiriço e dissimulado”, o que faz com que os investigadores se deparem com obstáculos à averiguação, obtenção de provas, colaboração e detenção dos suspeitos.

Além disso, “a maioria dos programas de comunicação social e dos instrumentos de pagamento electrónico populares é operada por empresas no exterior, o dinheiro burlado é transferido, maioritariamente, para contas em bancos estrangeiros, também os dados envolvidos são armazenados no exterior, mesmo em servidores anónimos ou escondidos no exterior”, o que causa ainda mais dificuldades às autoridades de Macau.

Para prevenir este tipo de crime, a Polícia Judiciária (PJ) aposta em campanhas de sensibilização junto da comunidade e acções de combate ao crime. As autoridades apontam que têm emitido alertas anti-crime, “de forma a que [a população] possa tomar medidas contra o novo ‘modus operandi’”. O gabinete do secretário acrescenta que “em colaboração com os sector bancário e órgãos de outras jurisdições, foram lançadas medidas para persuadir as vítimas a suspender as transacções suspeitas e para interceptação urgente além fronteiras dos capitais”.

As autoridades reforçam que têm intensificado a troca de informações com as polícias de jurisdições vizinhas, tendo sido criados grupos especializados para analisar os casos. Além disso, a PJ e as autoridades policiais de outras jurisdições realizam operações específicas de combate. “Desde 2019, a PJ efectuou várias operações conjuntas com as polícias da China continental, da RAEHK e de outros países do Sudeste Asiático, tendo resolvido vários casos de crime cibernético, nomeadamente, burlas de namoro online, extorsão de ‘nudechat’ e furto de informações de cartões de crédito para fazer compras online”, aponta o gabinete.

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