Ho Iat Seng assume “grande impacto” dos casos recentes na economia e avisa que orçamento será revisto

FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

Os recentes casos de Covid-19 detectados em Macau vão deixar mossa na economia. O Chefe do Executivo admitiu ontem, em conferência de imprensa, que as receitas de jogo vão cair e que, por isso, o orçamento será revisto. Ho Iat Seng indicou também que o Governo vai estudar apoios para as pequenas e médias empresas. Ho voltou a apelar à inoculação da população e deixou de lado a possibilidade de impor medidas mais incisivas na promoção da vacinação, porque “isso traz como consequência instabilidade social”.

André Vinagre

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

Na sequência dos recentes casos de Covid-19 detectados em Macau, Ho Iat Seng apresentou-se ontem perante os jornalistas. Na conferência de imprensa, o Chefe do Executivo admitiu que os casos detectados esta semana vão provocar um “grande impacto” na economia da região, o que fará com que o Governo tenha de alterar o orçamento para este ano.

“Tendo [os casos] acontecido neste momento, traz um grande impacto para a Semana Dourada. Não era o desejável”, assumiu o líder do Governo, dizendo mesmo que “as receitas de jogo vão cair e vamos rever o orçamento”. O Chefe do Executivo ainda não tinha detalhes para apresentar relativamente à alteração do orçamento.

Recorde-se que o Governo elaborou o orçamento para 2021 com base numa estimativa feita no início do ano que apontava para que as receitas de jogo iriam rondar os 130 mil milhões de patacas. Entre Janeiro e Agosto, as receitas de jogo totalizaram menos de 62 mil milhões de patacas, o que faz com que falte alcançar 68 mil milhões de patacas para alcançar o previsto pelo orçamento, com apenas quatro meses até ao final do ano.

O Chefe do Executivo admitiu que “estamos a viver um momento muito árduo” e, por isso, disse já ter pedido ao secretário para a Economia e Finanças para estudar medidas de apoio às pequenas e médias empresas. Porém, assinalou: “Não sabemos quanto mais dinheiro podemos distribuir. Se nós distribuímos o dinheiro este ano, no futuro como é que vai ser? Ainda estamos a estudar”. O Governo irá avaliar também a taxa de desemprego antes de conceder eventuais apoios.

Taxa de vacinação é a mais baixa da China e impede negociações com Pequim

Na conferência de imprensa de ontem, Ho Iat Seng voltou a insistir nos apelos à vacinação. Segundo apontou o Chefe do Executivo, Macau tem agora cerca de 50% da população vacinada, sendo que essa taxa é a mais baixa da China.

Para explicar que quem está vacinado pode na mesma ser infectado, porém, sem sintomas graves, Ho Iat Seng deu o exemplo de Portugal: “Estamos a observar a taxa de vacinação de Portugal. Continua a ter casos novos. As pessoas que estão nos cuidados intensivos são bastante reduzidas porque depois da vacina, mesmo que estejam contaminados, têm anticorpos suficientes para combater o Covid-19”.

A baixa taxa de vacinação de Macau está a atrasar as negociações entre o Governo da região e o Governo Central no que toca à reabertura das fronteiras para excursões. “Sem vacinação é muito difícil eu poder discutir com o Governo Central para começar a abrir [as fronteiras] a excursões. A nossa taxa de vacinação é muito baixa”, justificou, acrescentando: “Eu não posso dizer ao Governo Central que a nossa taxa é de apenas 50 ou 60% e depois discutir as medidas. A taxa de vacinação é muito baixa, não podemos aliviar as nossas medidas em relação a excursões”.

Ho Iat Seng notou que, sem os visitantes das excursões, a economia local “não se consegue desenvolver”. Por isso, o Chefe do Executivo disse mesmo que “os cidadãos não estão a assumir as suas responsabilidades”, ao não se vacinarem. “Apelo aos cidadãos para nos apoiarem. Não é apenas para apoiar o Governo, é para apoiar a si próprio. Assim é que vamos ter uma economia mais estável e sociedade mais estável”, reiterou. Só com uma taxa de vacinação superior a 80% é que as autoridades locais vão começar a discutir com Pequim a reentrada de excursões.

No entanto, o Chefe do Executivo deixou de lado a imposição de medidas mais assertivas para aumentar a vacinação, como impedir a entrada em restaurantes de não-vacinados, por exemplo. Ho salientou que, apesar de altas taxas de vacinação, na Europa registaram-se “muitas manifestações em relação à vacina”. “Como é que podemos equilibrar as duas coisas?”, questionou, sublinhando que “medidas muito exigentes” podem trazer como consequência “instabilidade social”. “Não queremos obrigar as pessoas a tomar a vacina”, repetiu.

Tal como não estão a ser pensadas medidas restritivas para quem não está vacinado, também não estão a ser ponderadas medidas para incentivar a vacinação, como conceder um dia de férias a quem se for vacinar. “Será que oferecer um dia de férias pode incentivar as pessoas a irem vacinar-se? Isto tem a ver com uma questão moral e ética”, referiu. Para Ho Iat Seng, não seria justo dar um dia de férias a quem se vai vacinar, uma vez que quem já se vacinou também não teve um dia de férias. “Por exemplo, numa sala de aula, os alunos que têm boas notas é normal, mas devemos premiar aqueles que não têm boas notas?”, interrogou.

Reabertura de Zhuhai à espera dos próximos dias

Zhuhai está a impor quarentena para quem chega vindo de Macau até à meia-noite de hoje e, além disso, as autoridades da cidade vizinha exigem um certificado de teste de ácido nucleico negativo emitido nas 24 horas anteriores. “Se nos próximos dias não acontecer nada de grave podemos retomar as entradas e saídas com Zhuhai, mas não sabemos o que vai acontecer nos próximos dois ou três dias”, afirmou, acrescentando: “Se houver mais casos confirmados nos hotéis é um grande problema. Não podemos confirmar se dia 1 de Outubro vão ser reabertas as fronteiras, só nos próximos dias é que podemos confirmar”.

Na conferência de imprensa de ontem, o Chefe do Executivo inocentou os seguranças do hotel Golden Crown infectados com Covid-19 depois de terem lidado com um residente infectado enquanto usavam a máscara de forma errada. “Os seguranças estão inocentes”, disse mesmo Ho Iat Seng, aproveitando para valorizar o trabalho desempenhado por estes trabalhadores: “Eles não queriam ser contaminados. Se algum residente de Macau quer assumir esta tarefa, pode assumir, mas eu duvido que alguém que pretende assumir a tarefa porque os trabalhos deles não são fáceis”.

Ho Iat Seng assumiu que foi ele próprio a solicitar que as autoridades verificassem as imagens de videovigilância do hotel Golden Crown para perceber o que aconteceu para que os seguranças tivessem sido infectados. O Chefe do Executivo admitiu que há lacunas na fiscalização das orientações do Governo, mas também não culpou os Serviços de Turismo: “Temos de ter sentido de responsabilidade, mas isso não quer dizer atirar a culpa para um director ou segurança, todos nós temos de assumir as responsabilidades. Eu, como Chefe do Executivo, assumi a minha responsabilidade na reunião de trabalho [com as autoridades de Zhuhai]”.

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