Terá sido Vitório Cardoso o primeiro macaense eleito em Portugal? Especialistas duvidam

FOTOGRAFIA ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Na publicação no Facebook em que falava sobre a sua eleição para a Assembleia Municipal de Proença-a-Nova, Vitório Cardoso disse que seria o primeiro macaense a ser eleito em Portugal, pelo menos desde 1999. No entanto, ouvidos pelo PONTO FINAL, vários especialistas duvidam da teoria.

André Vinagre

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

Depois da eleição como deputado municipal de Proença-a-Nova, Vitório Cardoso usou o Facebook para dedicar o seu lugar na Assembleia Municipal também à comunidade macaense. Na publicação, Vitório Cardoso indicou que “com elevada probabilidade” poderá vir a ser o primeiro macaense a ser eleito em Portugal, pelo menos após 1999.

Ao PONTO FINAL, João Guedes duvida da teoria. O historiador contextualiza e explica que, durante a I República Portuguesa, Macau tinha representantes eleitos no Parlamento, em Lisboa. Durante o Estado Novo, eram eleitos deputados também para a Câmara Corporativa. Depois de 74, houve até um deputado macaense eleito para a Assembleia Constituinte.

Relativamente ao período pós-1999, João Guedes confessa não se recordar de nenhum macaense eleito em Portugal, mas considera que Vitório Cardoso não deverá ter sido o primeiro, uma vez que, depois da transição, muitos macaenses foram para Portugal e alguns poderão ter sido eleitos para cargos em autarquias, por exemplo.

Guedes recorda até que em Freixo de Espada à Cinta, em Bragança, há uma “comunidade importante que é de pessoas que frequentaram o seminário em Macau” e os elementos dessa comunidade eram normalmente eleitas para a presidência da Câmara.

O sociólogo Paulo Godinho, que viveu em Macau entre 1988 e 1995 e depois entre 1998 e 2015, tem a mesma opinião. Godinho diz ter “a maior das dúvidas” de que Vitório Cardoso seja o primeiro macaense eleito em Portugal e lembra que houve “imensos portugueses que vieram viver para Portugal” antes e depois de 1999. “Tenho a maior das dúvidas de que ninguém tenha sido eleito para coisa nenhuma”, frisa, ressalvando que essa é uma informação “difícil de comprovar”.

Nuno Lima Bastos, advogado que viveu em Macau entre 1995 e 2010, diz não se recordar de nenhum outro caso em que um macaense tenha sido eleito em Portugal. “Mas com 308 municípios e não sei quantos milhares de freguesias que o país tem, não punha as mãos no fogo por isso”, diz, admitindo também que a informação poderá eventualmente estar correcta.

Lima Bastos aproveitou também para comentar a eleição de Vitório Cardoso para o cargo de deputado municipal de Proença-a-Nova: “Considero é lamentável que o PSD continue a dar palco a esse senhor. Manifestamente, o lugar dele é em partidos como o Chega”. Recorde-se que Vitório Cardoso, presidente da secção de Macau do PSD, participou, no ano passado, numa manifestação promovida pelo Chega.

Rita Santos, conselheira das Comunidades Portuguesas, diz confiar em Vitório Cardoso. “Que eu saiba, não houve nenhum macaense eleito membro da Câmara Municipal em nenhum município”, comenta. Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, também diz não conhecer outro caso idêntico.

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