Macau e “o enorme potencial” para os dentistas portugueses

Fotografia: Eduardo Martins

Uma dezena de dentistas portugueses na RAEM é muito pouco. “Macau continua a apresentar um enorme potencial para atrair os médicos dentistas portugueses”, diz o bastonário da Ordem dos Dentistas ao PONTO FINAL, que pretende reactivar o Congresso Dentário Sino-Português em Macau.

João Paulo Meneses

putaoya@hotmail.com

Registados na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) portugueses há quatro profissionais em Macau, mais oito que indicaram à Ordem estarem na China. De nacionalidade portuguesa, em Macau, há cerca de uma dezena, sendo que cerca de metade já aqui nasceu e a outra optou por Macau, após a licenciatura, segundo números fornecidos pelas autoridades da RAEM à OMD, e que esta divulgou ao PONTO FINAL. Mas o bastonário da OMD acredita que é possível aumentar muito mais estes números. “Num momento em que Portugal continua a deparar-se com um excesso de médicos dentistas (conforme comprova o estudo Os Números da Ordem), Macau surge como uma alternativa em termos de oportunidades de trabalho e de aplicação do conhecimento adquirido por estes profissionais altamente qualificados,” diz Orlando Monteiro da Silva, ao PONTO FINAL.

“Macau continua, por isso, a apresentar um enorme potencial para atrair os médicos dentistas portugueses,” acrescenta o bastonário. “Recordo que a Região assume-se como plataforma de ligação entre os países de língua portuguesa e a China, especialmente agora com a abertura da Ponte do Delta, uma obra que certamente trará outra dinâmica à região e desafios em todas as áreas, incluindo a da saúde”.

Para além da questão concreta de Macau poder acolher mais dentistas formados em Portugal, Orlando Monteiro da Silva destaca outra forma de aproximação entre as duas partes: “acredito que existem todas as condições para o intercâmbio ao nível do conhecimento, da tecnologia e da investigação, não só através da prática clínica, mas também académica e científica. Envolver governos, faculdades e outras entidades na dinamização deste relacionamento trará certamente ganhos para as populações e para a profissão”.

Foi neste sentido que a República Popular da China e Portugal assinaram no final de 2017 um protocolo de cooperação na área da medicina dentária. O documento prevê o intercâmbio de conhecimentos científicos, tecnológicos, de inovação e ainda de profissionais entre os dois países, tendo Macau como “ênfase especial”.

Na altura foi referido que o protocolo pretendia trazer benefícios para as populações envolvidas, nos dois países. “É um protocolo de troca de saberes científicos, tecnológicos, de inovação, de profissionais, de congressos, de organizações mútuas, entre a China e Portugal. Obviamente com ênfase especial em Macau, para incrementar as relações a este nível entre os dois países, particularmente na medicina e na medicina dentária”, disse Orlando Monteiro da Silva. Mais de um ano depois, o bastonário da OMD afirma que no contexto do acordo “têm sido desenvolvidos contactos no sentido de realizar alguns eventos em Portugal”.

Em Orlando Monteiro da Silva, que conhece bem Macau, existe “a convicção de que a troca de experiências e conhecimentos é benéfica para ambos os países. Daí ser nossa intenção retomar num futuro próximo o Congresso Dentário Sino-Português em Macau, um evento com provas dadas na aproximação dos dois povos. Este encontro sempre se assumiu como uma oportunidade de excelência para a formação contínua e partilha académica, científica e profissional entre médicos dentistas asiáticos e de países de língua oficial portuguesa”.  

 

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