Imagens aéreas de Chan Hin Io ou “o lado abstracto da pintura que uma fotografia pode ter”

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FOTO Chan Hin Io

A Associação Cultural da Vila da Taipa inaugura na próxima quarta-feira, dia 5 de Dezembro, uma exposição de fotografia aérea intitulada “Surface Revealed”, que mostra as imagens captadas por Chan Hin Io com drones. A exposição centra-se nas imagens mais subjectivas destas visualizações aéreas, explicou ao PONTO FINAL o arquitecto e curador João Ó, a quem interessou “o lado mais abstracto e visual da pintura que uma fotografia pode ter”.

TEXTO: Cláudia Aranda

O fotógrafo Chan Hin Io, que começou a sua vida profissional como soldador metalúrgico na China, vive no território desde 1999 e é hoje “uma figura incontornável da fotografia de Macau”, descreve o arquitecto João Ó, presidente da Associação Cultural da Vila da Taipa, e curador da exposição, em conversa com o PONTO FINAL. Na próxima quarta-feira, dia 5 de Dezembro, abre na galeria daquele espaço situado na Rua dos Clérigos, na zona antiga da Vila da Taipa, a exposição de fotografia aérea intitulada “Surface Revealed”, do fotógrafo que usou drones para captar estas paisagens.

Nesta “Superfície Revelada”, o fotógrafo Chan Hin Io apresenta composições de diferentes perspectivas, das zonas dos novos aterros, de locais de obras, como é o caso do complexo “The Parisian Macao”, na altura ainda em construção, cenas do dia-a-dia de pessoas imersas na paisagem do território, famílias e chapéus de sol no areal matizado da praia de Hác Sá, um pescador solitário nas rochas à beira-mar em Long Chao Kok, as festividades na Barra, junto ao Templo de A-Ma, durante o festival de Tin Hau, deusa do mar, ou a sessão de treinos dos barcos-dragão no Lago Nam Van.

“O que me despertou o interesse na fotografia de drone de Chan Hin Io foram as vistas aéreas da cidade. Mas o que nós vamos mostrar é outra coisa, vamos mostrar um lado, para mim muito mais interessante, que é o lado mais abstracto e visual da pintura que uma fotografia pode ter e isso acontece muito nas imagens dos aterros, a forma como se dá a evolução da formação dos aterros, as cores saturadas”, explica João Ó.

1. Praia Hac Sa.jpg
FOTO Chan Hin Io

Estas formações acontecem em espaços inacessíveis para o comum do cidadão, prossegue o arquitecto e curador da exposição. Mas, no futuro, “esta vai ser a nossa cidade. No fundo estamos a mostrar o berço do que é a terra onde vai crescer uma cidade sem que haja, por enquanto, nem rasto dela”. Por outro lado, há também, nestas imagens, quando focadas na vida diária das pessoas, uma visão “mais humanista da vivência do local que só pode acontecer naquele sítio e não noutro”, acrescenta.

A exposição vai compor-se de imagens em grande formato, com dimensões de 1,40 por 0,80 metros, uma instalação de fotografias de pequeno formato, o livro “Paisagem Pitoresca – Fotografias Aéreas de Macau Captadas por Chan Hin Io”, editado pelo Instituto Cultural e um vídeo aéreo, que vai passar em “loop”, num televisor colocado no espaço expositivo.

Na brochura da exposição, Chan Hin Io diz que foi através da fotografia que conheceu Macau e é “esse trabalho diário, exaustivo, obsessivo também”, do fotógrafo que percorre e documenta os mesmos lugares, criando séries temporais dos mesmos planos, que também despertou a atenção de João Ó.

Ir no sentido oposto ao figurativo, porque este pode esgotar-se

Neste caso, as fotografias aéreas foram intencionalmente enquadradas para capturar vistas ortogonais, ou seja, em forma de ângulos rectos, da superfície do território, e divulgar composições visuais que podem transformar visualizações de rua reconhecíveis em composições abstractas. “O critério de selecção para esta exposição foi baseado nas qualidades estéticas e na plasticidade em cada imagem, como se fosse uma pintura, em detrimento dos elementos referenciais do tecido urbano das ruas e praças da cidade”, explica o curador.

“Quando olho para uma fotografia de uma rua ou de um local como o Leal Senado tem bastante interesse em termos gráficos, mas depois a imagem perde a profundidade de leitura, quando percebemos o sítio. A fotografia ou a obra de arte deixa de ser interessante, passa a ser só um documento de uma rua ou de um sítio qualquer. Eu procurei ir para além disso. E quando deparei-me com as formações abstractas dos aterros achei aquilo uma pintura de uma sensibilidade incrível, as areias têm cores diferentes e muito intensas, variam dos ocres para os laranjas e para os azuis, são coisas estranhíssimas, e a apreciação de uma fotografia para mim não deixa de ser uma pintura que apetece ver, absorver e continuar a contemplar. O figurativo pode-se esgotar e foi nesse sentido que não quis ir”, conclui o arquitecto e curador.

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