Qualidade do ar melhorou em 2016

Macau viveu mais dias com uma boa ou moderada qualidade do ar em 2016 mas, pelo contrário, aumentou o nível de poluição de materiais não metálicos na orla costeira do território. Estas foram algumas das conclusões do Relatório do Estado do Ambiente de Macau divulgado pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. Segundo o mesmo documento, a RAEM supera cidades como Pequim, Xangai e Hong Kong na quantidade de lixo “per capita”.

O número total de dias classificados como “bom” e “moderado”, registados em todas as estações de monitorização de qualidade do ar no território no ano passado, ultrapassou os 95%. Esta foi uma das conclusões do Relatório do Estado do Ambiente de Macau referente a 2016 e divulgado pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) na passada sexta-feira. O aumento de cinco pontos percentuais face ao ano anterior é “significativo” mas não é “um motivo de orgulho” diz Joe Chan, presidente da Macau Green Student Union, em declarações ao PONTO FINAL.

O dirigente associativo entende que “a melhoria geral dos problemas de poluição atmosférica nos últimos anos” se deve principalmente aos esforços encetados pelas regiões vizinhas mas também às políticas de redução do número de veículos em circulação levadas a cabo pelo Governo da RAEM.

No ano passado, verificou-se um “aumento considerável no abate de todos os tipos de veículos – excepto de ciclomotores – face a 2015”, um resultado que “tem que ver com a melhoria da economia, o reforço do controlo no número de veículos, a promoção da deslocação por meios ‘amigos do ambiente’ e a aceleração do abate e substituição de veículos” pode ler-se no relatório. O número total de veículos abatidos (12.856 ou +13,6%) figurou, aliás, como “o mais alto da última década”.

Por outro lado, e apesar de o documento indicar uma melhoria na qualidade das águas costeiras, a poluição de materiais não metálicos “ainda se manteve grave” em 2016. De acordo com Joe Chan, estes poluentes vêm de montante do Rio das Pérolas e, juntamente com as descargas ilegais de combustível e de águas residuais dos residentes de Macau, constituem a principal fonte de poluição da costa do território.

Sobre o despejo de águas para o mar sem tratamento na sequência da reparação efectuada na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) há duas semanas, Chan considera que este foi “um desastre ambiental evitável”. “Veio piorar a já preocupante situação” declarou.

A intervenção durou um dia e meio, período durante o qual as águas residuais foram directamente descarregadas para o mar. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, não quis divulgar qual foi o valor total mas, segundo a Agência Lusa, “em Maio, a ETAR recebeu 4.741.825 metros cúbicos de águas residuais, o que resulta numa média diária de quase 153 mil metros cúbicos por dia. Assim, a obra de um dia e meio terá resultado no descarregamento de cerca de 229 mil metros cúbicos de águas residuais.”

 

 

MACAU BATE PEQUIM, XANGAI OU HONG KONG NA QUANTIDADE DE LIXO “PER CAPITA”

 

Segundo o documento, embora mantendo o mesmo nível de 2015, a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados ‘per capita’ superou, “quase no dobro, a de diversas cidades nas regiões vizinhas”. A quantidade de Macau correspondeu a 2,11 quilogramas por dia, “um nível muito alto”, ultrapassando Pequim (1 quilograma/dia), Xangai (0,70 quilogramas/dia), Cantão (0,93 quilogramas/dia), Hong Kong (1,39 quilogramas/dia) ou Singapura (1,49 quilograma/dia), indica o relatório.

Neste âmbito, a DSPA destaca ainda que também “vale a pena prestar atenção ao facto de a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados ‘per capita’ em Macau em 2016 ter sido a mais alta da última década”. Este tipo de detritos – gerados na vida diária e nas actividades comerciais e industriais – também subiu em termos globais (1,7% para 503.867 toneladas), mas o organismo salienta, neste caso, o facto de o aumento ter ocorrido “a um ritmo claramente mais lento em comparação com o crescimento de dois dígitos de 2015”.

Mais de um terço (38,5%) dos resíduos sólidos urbanos era composto por matéria orgânica, com o pódio a completar-se com o papel/cartão (24,4%) e o plástico (21%). Já a quantidade de resíduos especiais e perigosos (que inclui químicos hospitalares, óleos usados, pneus ou carcaças de animais) sofreu uma ligeira redução de 0,2%, enquanto a de resíduos de construção para deposição em aterros caiu mais de 30% “devido à conclusão de alguns projectos de turismo e entretenimento” no Cotai – faixa de casinos entre as ilhas da Taipa e Coloane – face a 2015.

A DSPA destaca que, através de actividades de incentivo à reciclagem, foram recolhidos, no ano passado, mais vidros, metais, latas de alumínio/ferro, passíveis de serem reaproveitados, mas que o mesmo não se passou, no entanto, com o papel e o plástico. A título de exemplo, a quantidade de papel recolhida diminuiu 0,5% e a de plástico 15,1% em termos anuais homólogos. A taxa de recolha de resíduos recicláveis cresceu 1,2% face a 2015, reflectindo uma ligeira melhoria, dada a tendência de redução verificada na última década.

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