Rostos de Macau alertam para o uso de máscara 

FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

“Faces of Macau” é o nome do mais recente projecto de Gonçalo Lobo Pinheiro, que procura retratar várias pessoas de Macau para alertar para a importância do uso de máscara em tempos de Covid-19. O fotojornalista radicado em Macau publica diariamente novos retratos no Instagram, mas o projecto poderá vir a transformar-se mais tarde numa exposição ou num livro.

Pedro André Santos

Pedrosantos.pontofinal@gmail.com

São, para já, 10 retratos, mas o objectivo de Gonçalo Lobo Pinheiro é ultrapassar os 100. Em “Faces of Macau”, o fotojornalista português quer destacar a importância do uso de máscara na actualidade, tendo decidido retratar pessoas de Macau que vai publicando diariamente na rede social Instagram. Mais tarde, o projecto poder-se-á desenvolver numa exposição ou na publicação de um livro.

“O fio condutor é a máscara, quero ter essa mensagem subliminar de que uma das formas de combater esta pandemia é usando a máscara. Enquanto não houver tratamento, o grande acessório da nossa vida diária é a máscara”, disse ao PONTO FINAL. “Numa altura em que se está sempre a discutir se se deve usar máscara achei que gostaria de ficar com um registo para memória futura de alguns retratos também com alguma diversidade, embora nem sempre é fácil”, prosseguiu.

Inicialmente, e para fazer arrancar o projecto que conta com menos de duas semanas de existência, Gonçalo Lobo Pinheiro começou por recorrer a pessoas conhecidas, passando depois para abordagens na rua, um processo que nem sempre é fácil. “Há pessoas que não estão interessadas em ser fotografadas, é complicado abordar os chineses na rua para os fotografar, e a ideia é um bocado mostrar esses rostos com máscara, os rostos da pandemia de Macau. A abordagem na rua tem um interesse especial, mas tem resultado”, disse. 

FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

Apesar das 10 imagens publicadas, Gonçalo Lobo Pinheiro revela que já conseguiu reunir perto de 40 retratos, um número que rapidamente se vai aproximando da meta mínima que pretende atingir. “Tenho que ter 100, depois para a frente logo se vê. As pessoas têm aderido, tenho recebido mensagens de pessoas que gostariam de participar no projecto e eu aceito. Faço isto de várias formas, abordo pessoas na rua e pergunto se querem ser fotografadas. Tenho um papel traduzido em chinês e mostro aos chineses, é mais difícil porque às vezes ficam meio assustados, ainda mais com fotografias. A outra forma que tenho é convidar pessoas”, explicou o fotojornalista.

O número 100, porém, não é “um número fixo”, mas um valor mínimo para a iniciativa ter alguma projecção. Relativamente ao período de recolha de imagens, Gonçalo Lobo Pinheiro não se mostra preocupado. “Acho que o projecto tem pernas para andar, vamos ter pandemia para os próximos meses, isto não é uma questão que vai acabar já amanhã. Vamos continuar a andar de máscara por muito mais tempo, portanto acho que pode continuar. Mas também não tenho interesse em ter números exorbitantes, com 500 ou 1000 retratos, não faz sentido”, disse. 

Ho Iat Seng na agenda

Ao longo do projecto, Gonçalo Lobo Pinheiro quer apostar na diversidade, reunindo rostos de Macau dos mais diversos quadrantes. Já retratou pessoas de várias nacionalidades, mas há um nome em particular que gostaria de fotografar: Ho Iat Seng. “O Chefe de Executivo actual faria todo o sentido e não está posto de parte, vou tentar fazer esse contacto”, contou ao PONTO FINAL. “Gostaria também de ter pessoas desconhecidas, gostaria de ter alguém do mercado, gostaria de ter uma foto de um ‘croupier’, mas são precisas autorizações especiais. Vou tentando”, acrescentou.

FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

Numa fase posterior, Gonçalo Lobo Pinheiro conta que gostaria de fazer uma exposição ou publicar um livro, mas tudo dependerá também da recolha de material que for fazendo. “A ideia mais tarde era poder fazer um álbum ou um livro disto, ou até expor. E para ter um livrinho com alguma envergadura teria que ser sempre acima de 100 fotografias. Em exposição já não funciona tão bem esses valores, já teria que fazer uma escolha mais criteriosa de alguns retratos. Mas isso é no futuro, primeiro é focar-me no projecto e tentar perceber para onde posso ir e que formas de retrato posso fazer. A ideia é tentar fazer qualquer coisa para ficar marcado que a pandemia também passou por aqui”, concluiu.

 

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