Mok Ian Ian: “Macau é o centro de mestiçagem entre a China e os países de língua portuguesa”

A primeira edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa” concentra em Julho uma boa parte da programação que inclui exposições de artes, cinema, serão e fórum cultural, com música, dança e palestras. O evento deverá passar a incluir uma secção dedicada à literatura nas próximas edições, anunciou a presidente do Instituto Cultural, Mok Ian Ian.

 

Cláudia Aranda

 

A exposição “Chapas Sínicas – Histórias de Macau na Torre de Tombo”, com inauguração marcada para 6 de Julho, é um dos destaques da primeira edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, cuja programação foi ontem anunciada na íntegra em conferência de imprensa. A presidente do Instituto Cultural (IC), Mok Ian Ian, adiantou que o Festival de Artes e Cultura, que conta com um orçamento de 28 milhões de patacas, surge em resposta “às políticas nacionais e às directivas do Primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, anunciadas em 2016”, que propunham a criação em Macau de um “Centro de Intercâmbio Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. O plano é “organizar este evento anualmente”, acrescentou Mok Ian Ian, que considerou incluir a literatura nas próximas edições, adiantando que a intenção do IC é continuar a “enriquecer o festival com mais actividades culturais”.

O “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, inclui cinco grandes eventos, um festival de cinema, que se realiza entre 30 de Junho e 13 de Julho, um serão de espectáculos, no dia 6 de Julho, um fórum cultural, nos dias 6 e 7, a exposição anual de artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que inaugura a 8 de Julho e mantém-se até 9 de Setembro, assim como a exposição, palestra e emissão de selos comemorativos sobre as Chapas Sínicas, que decorre por várias fases até Dezembro.

Incluída no registo da Memória do Mundo da UNESCO em Outubro de 2017, após uma candidatura conjunta do Arquivo de Macau e do Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Portugal, a colecção de correspondência Chapas Sínicas documenta a permanência dos portugueses em Macau e as negociações com o império chinês durante a dinastia Qing, entre 1693 e 1886. A exposição cruza imagens e documentos que ajudam a “construir um retrato vivo de Macau”, indicou a presidente do IC.

 

 

O fórum cultural é um evento dedicado à “diversidade cultural”, que irá reunir oradores e especialistas da China, Hong Kong, Macau e dos países de língua portuguesa nos dias 7 e 8 de Julho. Vão estar presentes oradores como Jiang Bo, de Pequim, para falar sobre “De Quanzhou ao Golfo Pérsico: Etnicidade e Religião ao longo da Rota Marítima da Seda”, Emanuel Baboco, de Angola, apresenta uma palestra sobre “Panorâmica da diversidade cultural angolana: Cultura, povos e línguas”, do Brasil, a historiadora Kátia Santos Bogéa vai abordar o “Património Cultural do Brasil: Diversidade, Identidade e memória”, de Moçambique vem Alexandre António, que aborda “O Papel da diversidade cultural no desenvolvimento sustentável do turismo em Moçambique”. Há oradores, também, de Cabo Verde, com Hamilton Fernandes, da Guiné-Bissau vem Fernando Teixeira, de Portugal chega Ana Paula Ramalho Amendoeira, de Timor-Leste, Cecília Assis, e de São Tomé e Príncipe vai estar presente Maria Nazaré Ceita. Os arquitectos Carlos Marreiros e Maria José Freitas vão abordar temas relacionados com Macau.

 

Festival de Artes e Cultura vai incluir literatura  

 

A primeira edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa” não inclui ainda uma secção dedicada à literatura na sua programação, mas, no próximo ano, o IC pretende convidar autores e abordar obras de escritores premiados, adiantou Mok Ian Ian. “Para esta edição não convidámos escritores dos países de língua portuguesa, talvez nas próximas edições, talvez no próximo ano, de Portugal, por exemplo, estamos a ponderar incluir obras de escritores que obtiveram o Prémio Nobel”, disse a presidente do IC, referindo-se ao escritor José Saramago.

Questionada sobre a possibilidade deste festival “Encontro em Macau” poder sobrepor-se ao Festival Literário de Macau – Rota das Letras, que já se realiza desde 2012, a presidente do IC afirmou que os dois eventos são distintos e organizados por entidades diferentes, sendo que a secção de literatura neste Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa “é apenas uma parte” de todo o evento. A presidente do IC acrescentou que o Festival de Artes e Cultura “é mais abrangente, temos cinema, exposições, serão de espectáculos, e também gostaríamos de enriquecer o seu conteúdo”, com o convite a escritores, destacou. Mok Ian Ian sublinhou que “a cultura envolve diferentes sub-áreas e cremos que no futuro iremos enriquecer toda essa actividade”.

Questionada novamente sobre a possibilidade de haver uma duplicação com o Festival Literário de Macau, que organiza, também, exposições e espectáculos, a presidente do IC destacou que o Festival de Artes e Cultura vai ter em referência o Rota das Letras, e que “se houver actividades duplicadas, não iremos desperdiçar recursos, vamos ponderar como organizar da melhor forma o Festival de Artes e Cultura”, afirmou.

Mok Ian Ian rematou a sua intervenção afirmando que “Macau é o centro de mestiçagem entre a China e os países de língua portuguesa”, e que “quer o Festival de Artes e Cultura, quer o Festival Rota das Letras são um esforço de todas as partes”.

O serão cultural inclui actuações de grupos e artistas de oito países de língua portuguesa e da província de Gansu.

 

Festival de Cinema: Macau na tela desde 1923 a 2015

 

O “Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, com arranque a 30 de Junho, decorrendo até 13 de Julho, é um dos destaques da primeira edição de “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura”, que pretende apresentar “os últimos desenvolvimentos cinematográficos da China e dos países lusófonos, assim como a singular história do cinema em Macau”.

O festival abre com o filme de 2017 do realizador chinês Xin Yukun, “Ira do Silêncio” (“Wrath of Silence”, em inglês), no dia 3 de Julho, às 20h no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Macau. A obra foi distinguida no Festival Internacional & Prémios de Cinema de Macau com o prémio do Júri Especial e de Melhor Actor.

O evento inclui dois filmes do realizador Manoel de Oliveira. As versões restauradas da primeira longa-metragem do cineasta português, “Aniki-Bóbó”, e do documentário “Douro, Faina Fluvial”, vão encerrar o alinhamento do festival de cinema, a 13 de Julho.

O festival conta com um total de 24 filmes e 23 sessões, divididos por três secções, “Filmes em Chinês”, “Filmes em Português” e “Imagem Macau”, na Cinemateca Paixão. Além de “Ira do Silêncio” serão apresentados três filmes contemporâneos da China, nove longas e curtas-metragens rodadas na África do Sul, Portugal, Brasil, Cabo Verde e Guiné Bissau, e ainda nove filmes filmados em Macau entre 1923 e 2015.

 

Ira de Silêncio (Wrath of Silence), de Xin Yukun

 

“Macau – Cidade Progressiva e Monumental”, de M. Antunes Amor, é o filme de 1923 que vai ser apresentado numa sessão a 8 de Julho, às 14h30, juntamente com outras obras das décadas de 1950 e de 1960, de Ricardo Malheiro e Miguel Spiguel, sobre Macau. Às 19h30 são mostrados “O Estrangeiro” (2009), de Ivo M. Ferreira, “350 Metros” (2008), de Fernando Eloy, e “INA” (2015), de António Caetano Faria. No mesmo dia, na sessão da noite, é apresentado “A Última vez que vi Macau”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata.

“Tabu”, de Miguel Gomes, longa-metragem a preto e branco de 2012, premiada em vários festivais, é apresentada a 30 de Junho e a 11 de Julho. “A Fábrica do Nada”, de Pedro Pinho, filme de 2017, é mostrado dias 1 e 7 de Julho. “Djon África”, uma co-produção entre Portugal, Brasil e Cabo Verde, de João Miller Guerra e Filipa Reis, vai fazer a sua estreia asiática em Macau, com sessões nos dias 4 e 12 de Julho. Há ainda bastantes outros filmes em cartaz para ver ao longo do festival. C.A.

 

As “múltiplas facetas da arte contemporânea”

 

A primeira edição do ‘Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os países de língua portuguesa’ integra também a “Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, com quatro exposições temáticas de artes visuais e urbana: Alter Ego, O Universo, Aprofundar e Aiya. As exposições vão manter-se abertas ao público entre 8 de Julho e 9 de Setembro.

De acordo com o Instituto Cultural, a primeira edição desta mostra dedica-se às “múltiplas facetas da arte contemporânea” e reúne obras representativas do interior da China, das regiões especiais – Macau e Hong Kong – e dos oito países de língua portuguesa, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

 

ALTER EGO, de Francisco Vidal

 

Os fundadores da galeria “Underdogs” – Alexandre Farto, conhecido por Vhils, e Pauline Foessel são os curadores da exposição “Alter Ego”, tal como foi noticiado pelo PONTO FINAL na semana passada. As obras de 27 artistas dos oito países de língua portuguesa vão ser mostradas divididas por outras seis exposições, espalhadas por diferentes espaços da cidade.

“Aprofundar”, com curadoria do artista plástico de Macau, James Chu, reúne obras de artistas já com bastante visibilidade e reconhecimento em Macau como Cai Guo Jie, Peng Yun, Wong Weng Io, Zhang Ke e Nick Tai.

 

Obra de Joaquim Franco

 

O artista plástico José Drummond faz a curadoria de “Aiya”, que junta no mesmo espaço as obras de artistas estabelecidos no território com trabalhos e percursos tão distintos como Fortes Pakeong Sequeira, João Miguel Barros, Joaquim Franco, Rui Rasquinho e Yves Etienne Sonolet.

Com curadoria de Feng Boyi e Wang Xiaosong, a exposição “O Universo” vai reunir obras de sete artistas plásticos da China. C.A.

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