Dúvidas ensombram Ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai

Dificuldades de engenharia que têm provocado atrasos e aumentos nos custos vêm somar-se a uma grande dúvida: afinal, quem irá utilizar a ponte? Há quem defenda que a ligação marítima entre as duas margens do Delta continuará a ser a mais conveniente, mesmo após a entrada em funcionamento da nova travessia.

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A extensa ponte que irá ligar Hong Kong a Macau e a Zhuhai pode até ficar pronta dentro do prazo estimado, mas o cumprimento do calendário de nada servirá se as ligações da travessia a Macau e ao município continental de Zhuhai não estiverem concluídas e operacionais. Essas são os mais recentes problemas a ensombrar uma prodigiosa obra de engenharia que tem encantado o mundo.

No final de Setembro, os construtores da estrutura  anunciaram com grande regozijo a conclusão dos 22,9 quilómetros do tabuleiro da ponte e garantiram que a travessia deverá abrir ao trânsito até ao final do próximo ano. O segmento da ponte propriamente dito é a maior componente de um projecto que se irá estender por 55 quilómetros sobre o Delta do Rio das Pérolas e será a mais extensa travessia do género no mundo a cruzar o mar.

A obra está orçada em 38,1 mil milhões de yuans – qualquer coisa como 44,9 mil milhões de patacas – dos quais o Governo Central chinês entra com sete mil milhões, o de Hong Kong, com 6,75 mil milhões e o de Macau com 1,98 mil milhões de yuans. O  restante capital terá sido, de acordo com a imprensa, com recurso a empréstimos bancários. Mas alguns problemas – tanto de engenharia, como financeiros – têm maculado o projecto, de acordo com a edição electrónica do Hong Kong Economic Journal.

Os desafios de engenharia são consideráveis. Além da ponte propriamente dita, são necessários 6,7 quilómetros de túneis sob um mar normalmente sujeito a fortes correntes e tufões durante o Verão. Um dos problemas que se têm verificado é que parte da ilha artificial que está a ser construída perto do Aeroporto Internacional de Hong Kong tem sofrido algumas deslocações devido às dificuldades em estabilizar o leito oceânico na área. A firma Dragages Hong Kong está a executar dois túneis de pista dupla no fundo do mar entre Tuen Mun e a ilha artificial, mas essa empreitada não pode ser concluída enquanto os aterros não estiverem estabilizados.

O outro grande ponto de interrogação é, porventura, ainda mais problemático: afinal, quem irá utilizar a ponte? Os três governos envolvidos na construção da estrutura ainda não empreenderam negociações para decidir que veículos é que poderão circular na nova travessia. Hong Kong e Macau querem restringir o número e o tipo de veículos que podem entrar nos seus já abarrotados territórios. Assim, enormes ilhas artificiais estão a ser construídas em cada um dos destinos com o propósito de acolher zonas de estacionamento de veículos.

Actualmente, é possível apanhar um ferryboat em Macau ou na Taipa e chegar aos terminais de Sheung Wan ou Tsim Sha Tsui, de Hong Kong, em cerca de uma hora, sem apanhar trânsito. Calcula-se que a ponte possa reduzir esse tempo de travessia para apenas meia-hora. Mas, tendo em conta que ainda é necessário desembarcar numa das ilhas artificiais, passar pela imigração e apanhar um autocarro ou táxi para finalmente chegar ao destino, esse tempo pode acabar por ser o mesmo da opção marítima, ou até mais, dependendo do trânsito.

 

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