“Alegoria dos Sonhos” seleccionada para representar Macau na Bienal de Arte de Veneza

Um trabalho da autoria do curador João Miguel Barros e dos artistas Ung Vai Meng e Chan Hin Io foi o escolhido para representar o território em Itália, no próximo ano. O trabalho, que recorre a vários suportes como a fotografia, a escultura, a videoarte, a arte performativa, entre outras formas de arte, dilui as fronteiras entre o sonho e a realidade e revela a abundância, densidade e vivacidade dos recantos de Macau.

Gonçalo Lobo Pinheiro

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com

O Instituto Cultural (IC), em co-organização com o Museu de Arte de Macau (MAM), anunciou em comunicado de imprensa, na passada sexta-feira, a escolha do trabalho representante de Macau na próxima Bienal de Arte de Veneza, em Itália, a ter lugar de 23 de Abril a 27 de Novembro do próximo ano. A proposta “Alegoria dos Sonhos”, da autoria do curador João Miguel Barros e dos artistas Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Io, foi a escolhida.

Ao PONTO FINAL, Guilherme Ung Vai Meng, mostrou-se “muito feliz”. “Como artistas seleccionados, estamos muito honrados e felizes em participar na Bienal de Arte de Veneza no próximo ano”, começou por dizer.

O artista, que esteve à frente dos destinos do IC de 2010 a 2017, agradeceu ao instituto e ao MAM “por permitirem aos artistas de Macau a oportunidade de participarem na Bienal de Veneza, um evento artístico internacional”, e não esquece o curador João Miguel Barros. “Estamos especialmente gratos ao nosso bom amigo João Miguel Barros, curador desta exposição, que investiu muita energia e sabedoria neste projecto”.

Guilherme Ung Vai Meng referiu ainda ao nosso jornal sentir uma satisfação imensa. “Vamos poder promover o espaço de vida humanístico e o ambiente cultural de Macau através desta plataforma internacional de arte”, notou, fazendo referência ao seu companheiro Chan Hin Io. João Miguel Barros também se mostrou satisfeito ao nosso jornal.

Depois de um convite à apresentação de propostas para seleccionar uma obra de excelência para o Pavilhão de Macau, China na 59.ª edição da Bienal de Arte de Veneza, 24 propostas de 60 curadores e artistas locais, em grupos, foram recebidas pelo IC. O júri composto pelo curador-chefe do Museu de Arte da Academia de Belas Artes de Guangzhou, Wang Huang Sheng, pelo director da Escola de Arte Intermédia da Academia de Arte da China, Guan Huai Bin, pelo curador de renome, Feng Bo Yi, pela artista contemporânea de Macau, Bianca Lei,  e pelo representante do IC, Noah Ng Fong Chao, fez a selecção da melhor proposta em duas etapas, nos dias 10 e 11 de Setembro, e seleccionou a proposta “Alegoria dos Sonhos”.

De acordo com o júri, a proposta vencedora vai ao encontro do tema da bienal de 2021, “O Leite dos Sonhos”, reunindo profundas preocupações humanistas e reflexões sobre o espaço de vivência. “Ao entrelaçar uma visão panorâmica com um olhar pormenorizado, a obra eleita disseca a história singular e a miscigenação cultural de Macau, criando assim uma espécie de alegoria poética que espelha as características locais resultantes da globalização cultural”, admitiu o júri presidido por Wang Huang Sheng, que ficou particularmente “impressionado pela presciência e originalidade da obra, assim como pelas suas intensidade dramática e expressão visual”.

Sob uma perspectiva única de “união entre o céu e a terra”, a “Alegoria dos Sonhos”, que recorre a vários suportes como a fotografia, a escultura, a videoarte, a arte performativa, entre outras formas de arte, dilui as fronteiras entre o sonho e a realidade e revela a abundância, densidade e vivacidade dos recantos de Macau, apresentando a sua memória colectiva e a situação actual.

A equipa vencedora é, portanto, composta por João Miguel Barros, curador independente, activo na área da fotografia contemporânea e organizador de diversas mostras fotográficas em Portugal; Ung Vai Meng, doutorado em estudos artísticos pela Academia de Arte da China, com uma vasta experiência em arte contemporânea, tendo participado em projectos de grande dimensão em Lisboa, Portugal, Singapura, entre outros países; e Chan Hin Io, fotógrafo que realizou exposições individuais em Macau e Portugal, entre outros locais.

A Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza foi fundada em 1895 e é considerada a maior plataforma para o intercâmbio de arte contemporânea. É a sétima vez que o MAM participa neste evento artístico com o nome “Macau, China” desde 2007. “Desta vez, fica a cargo de dois conceituados artistas locais a apresentação de uma série de memórias fantasiosas de Macau, no palco mundial, o que permitirá ao público de todo o mundo conhecer Macau através de diferentes perspectivas”, escreve ainda a organização no mesmo comunicado.

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