Desafios regionais e globais do ambiente em palestra na Fundação Rui Cunha

David Gonçalves, director do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José, vai ser um dos oradores do evento “Going Green” agendado para a próxima quinta-feira, na Fundação Rui Cunha. O académico pretende dar o seu parecer numa reflexão acerca do papel de Macau no contexto ambiental, relacionando várias questões incluindo o aquecimento global derivado do efeito de estufa.

Joana Chantre

joanachantre.pontofinal@gmail.com

No dia 30 de Setembro vai ser realizada uma palestra acerca dos desafios regionais e globais da adopção de iniciativas amigas do ambiente, intitulada “Going Green”, na Fundação Rui Cunha. O evento é organizado e moderado por José Carlos Matias, director da Macau Business, terá também Nelson Moura, editor da Macau News Agency, como moderador. Quatro oradores foram convidados de diversas áreas do sector privado, como Christine Loh, ‘Chief Development Strategist’ para o Instituto para o Ambiente da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, Benson Lam, Chefe de Operações da MECOM Power and Construction Limited, David Gonçalves, director do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José, e a ambientalista Annie Lao.

O PONTO FINAL falou com David Gonçalves, que estará presente no evento através de videochamada devido a estar actualmente em quarentena, para descrever um pouco sobre o que vai ser abordado. “Será um evento para reflectir um pouco sobre o papel de Macau no contexto do último relatório do painel intergovernamental para as operações climáticas que vêm alertar para uma aceleração das questões relacionadas com o aquecimento global derivado do aquecimento por causa de gases de efeito de estufa”, começa por explicar o português radicado em Macau desde 2011.

“Creio que o evento serve um pouco para reflectirmos sobre qual é que é o papel de Macau nesse contexto nomeadamente agora nesta lógica de integração ou de cooperação com a Grande Baía e o que é que pode ser feito para os próximos anos para termos um perfil ambiental mais positivo, mais verde, digamos assim, em Macau”, referiu.

O director do Instituto de Ciência e Ambiente revela que o evento não será propriamente um ciclo de palestra, e que o que se pede aos oradores é que, no fundo, façam uma pequena introdução que possa gerar uma conversa, uma discussão entre os participantes. No caso de David Gonçalves será mais fazer um enquadramento geral daquilo que tem sido as emissões de carbono aqui nesta parte do globo, nomeadamente em Macau, e como é que isso se interliga com outras questões ambientais. “Daí partimos para a parte da discussão em que podemos reflectir um bocadinho sobre o que que é necessário fazer e que passos é que são necessários tomar para mitigarmos as consequências desse aumento de temperatura e de emissões”, prosseguiu.

Relativamente aos dados concretos existentes, Gonçalves aponta que há informação compilada pelas entidades governamentais e não só. “Aqui em Macau essencialmente, temos os dados do gabinete de protecção ambiental, que todos os anos publica relatórios sobre o estado do ambiente de Macau. Uma das secções é sobre os expoentes atmosféricos e a outra sobre a emissão de gases com efeitos de estufa no território e quais é que são as principais fontes desses mesmo gases. Eu acho que algo a realçar é que tem vindo a acontecer uma monotorização dessa emissão de gases”, sublinhou.

Quando questionado acerca do que mais se poderia fazer para assegurar uma melhor sustentabilidade do ambiente em Macau, Gonçalves responde. “Acho que há dois aspectos a considerar: O primeiro é de no fundo fazer uma listagem daquilo que são os principais problemas ambientais que Macau e esta região aqui do globo atravessa, e perceber de que forma é que eles estão interligados. E em segundo é, tendo feito esse levantamento de quais é que são os principais desafios que se colocam, perceber quais é que podem ser as acções, e eu não punha isso apenas na esfera governamental, porque acho que há muitas acções que podem ser levadas a cabo pelos privados e pela sociedade em geral”, realça o académico.

“No fundo o importante é perceber que passos é que têm de ser dados num futuro próximo para de uma forma mais holística, não olhando apenas para um problema ambiental especifico como o das alterações climáticas ou da poluição atmosférica ou da perda de biodiversidade, mas sim olhar de uma forma mais integrada para os vários problemas ambientais do território. E que passos podem ser tomados que sejam mais eficientes em reverter aquilo que tem sido uma crescente degradação ambiental. Eu diria que isso talvez possa ficar para a parte da discussão que vamos ter durante o seminário, mas de facto há passos que podem ser dados muito efectivos na parte da energia, na parte dos resíduos sólidos, na protecção da biodiversidade, etc., que Macau podia estar a fazer muito melhor, e tenho a certeza que está tudo em cima da mesa para que se caminhe nesse sentido”, disse ainda o académico, concluindo de seguida: “Tem sido essa a tendência global nos países mais desenvolvidos e Macau, com os recursos que tem, certamente não vai querer ficar para trás. E esses passos vão ser dados, estou seguro disso”.

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