Associação de Hotéis prevê estabilidade no sector na segunda metade de 2022

FOTOGRAFIA EDUARDO MARTINS/ARQUIVO

Rutger Verschuren, presidente da Associação de Hotéis de Macau, aponta para uma recuperação estável do sector na segunda metade do próximo ano. Depois de ter sido noticiado que quase dez mil trabalhadores perderam o seu emprego no sector hoteleiro, Verschuren mostrou-se surpreso por o número não ter sido mais alto.

Joana Chantre

joanachantre.pontofinal@gmail.com

No início da semana foi noticiado que o sector hoteleiro local perdeu mais de nove mil trabalhadores no ano passado, dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos que reflectem o impacto da pandemia no sector hoteleiro.

Questionado pelo PONTO FINAL, Rutger Verschuren, presidente da Associação de Hotéis de Macau, mostrou-se surpreendido por os números não terem sido até mais elevados. “É do conhecimento de todos que muitos hotéis tiveram de reduzir as suas despesas e uma das maiores despesas para a indústria hoteleira é obviamente a mão-de-obra. Quando chegou a altura para as extensões dos contratos para os trabalhadores não-residentes no ano passado, e também ainda este ano, os hotéis tiveram realmente de ponderar e pensar duas vezes antes de decidirem”, começa por explicar o holandês sediado no território. “Muitos dos contratos dos trabalhadores não-residentes não foram renovados porque o momento não tem sido o mais propício. Porém, quando o negócio recomeçar, voltaremos a candidatar-nos para as extensões”, prosseguiu.

Relativamente se estava a prever este número, o presidente da associação refere que praticamente todos os hotéis têm estado a trabalhar para se sustentarem durante este período, e que apesar de não ser algo que queiram divulgar publicamente, muitos têm estado a reduzir o seu pessoal. “Honestamente pensei que seriam mais de nove mil, especialmente no sector da limpeza”, revela.

Rutger Verschuren adianta que os hotéis tiveram de pensar duas vezes sobre como proceder porque tudo apontava a que não tivessem outra opção senão fazer uma pausa nos muitos contratos de trabalhadores não permanentes que estariam prestes a expirar, sabendo que poderiam voltar a contratar novos quando a situação melhorasse. “O mesmo se aplica a alguns dos restaurantes, pois alguns hotéis fecharam alguns dos seus restaurantes durante o auge da pandemia ou fecharam outras áreas, começando por não estender os contratos”, explica.

Problema latente na hotelaria

“Esperemos que o negócio se recupere e que, de momento, o negócio tenha já recuperado para alguns deles e que haja uma pressa em tentar pôr o recrutamento de novo em funcionamento. De momento há já um impulso para o recrutamento por parte de muitos hotéis, especialmente para os trabalhadores em posições como empregados de quartos, de limpeza, empregados de cozinha, empregados de mesa, basicamente os trabalhadores operacionais com as funções mais físicas nos hotéis”, prosseguiu.

Outra questão fulcral é o facto da dificuldade ou impossibilidade de os hotéis trazerem trabalhadores de qualquer lugar do mundo, podendo trazer apenas do interior da China e de Hong Kong, e isso torna-se notório nos locais onde se serve comida e bebida. “Algumas das cozinhas precisam de cozinheiros especializados que têm de vir de outros países porque fazem comida estrangeira, por exemplo, se for um restaurante de Singapura, um tailandês ou francês ou até português, é obvio que querem ter uma equipa de cozinha especializada na comida do país, e isso é realmente um problema, recrutar em conformidade para manter os padrões de qualidade”, reitera.

Em contrapartida, Verschuren revela que, apesar da situação estar lenta a recuperar, está sem dúvidas a dar cada vez mais sinais que o negócio está a regressar. “Lentamente, com os seus altos e baixos, mas o processo está a acontecer, apesar de ser difícil de prever as melhorias e para quando. Tenho visto que o Governo está a tentar, juntamente com Hong Kong e Pequim, de aliviar as restrições de viagem também para os titulares dos ‘bluecards’ que ficaram presos em Hong Kong, portanto esperamos que, passo a passo, voltemos a uma situação melhor”, apontou.

O presidente da Associação de Hotéis de Macau adiantou também que durante uma reunião do organismo foi discutido entre os membros um pouco sobre o orçamento para os próximos anos. “Há muita incerteza e basicamente estamos a procurar uma recuperação muito lenta a partir da segunda metade do próximo ano. A recuperação já está a acontecer agora, mas esperamos tornarmo-nos muito mais estáveis na segunda metade do próximo ano porque esse é um cenário mais realista”, disse ao PONTO FINAL.

Questionado sobre o aproximar da Semana Dourada, Verschuren referiu que espera “quatro dias muito ocupados”, mostrando algumas preocupações. “Neste momento penso que o problema em Macau é o preçário por quarto e não a taxa de ocupação, e esse problema vai tornar-se mais forte nos próximos meses. Vemos que os negócios em volume talvez voltem lentamente, mas as taxas de ocupação de quartos ainda são extremamente baixas”, lamentou.

Leave a Reply

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s