Frank Havermans pela primeira vez em Macau, na montra da Impromptu

Uma “exposição cultural sem precedentes”. Assim é descrita a mostra “Frank Havermns: Infra#Macau_Artificial Landscapes”, que será inaugurada esta quarta-feira, às 18h30, na Impromptu Storefront, e ficará patente ao público até 31 de Dezembro.

Gonçalo Lobo Pinheiro

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com

A Impromptu Projects e a Ephemera Public Space Cooperative apresentam uma “exposição cultural sem precedentes” do artista holandês Frank Havermans. A mostra, intitulada “Frank Havermns: Infra#Macau_Artificial Landscapes”, será inaugurada esta quarta-feira, dia 22 de Setembro, às 18h30 na Impromptu Storefront, e ficará patente ao público até 31 de Dezembro. “Este é o segundo evento na Impromptu Storefront, é o resultado de um convite lançado em 2018 ao artista holandês Frank Havermans. Quando nos surgiu a ideia de arrancar com este projecto de montra de arte para a cidade, o seu nome surgiu-nos de forma  natural. O seu experimentalismo formal e desafiador era algo que acreditávamos trazer uma mais valia enquanto objecto artístico”, referiu a directora artística Rita Machado ao PONTO FINAL.

Esta instalação, que conta com o apoio do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos em Hong Kong e Macau e do Instituto de Estudos Europeus de Macau, revela uma observação contínua da infraestrutura. Sendo as maiores estruturas construídas da humanidade, a infraestrutura compreende uma rede internacional que ultrapassa as fronteiras nacionais. “É inspirada nos mapas dos portos de Macau, Shenzhen, Hong Kong e ligando-os a Portugal (Lisboa) e Holanda (Roterdão). O projecto tornou-se uma forma de transmitir as relações ultramarinas que existem há centenas de anos entre estas cidades”, pode ler-se no comunicado de imprensa enviado às redacções.

O autor, garante a organização, “mantém uma relação pessoal ou profissional com os territórios escolhidos”. “Se a infraestrutura conecta as pessoas, a montra é um mapa tridimensional que colide com uma afeição pós-geográfica. A linguagem espacial dos mapas negros dobrados manifesta visões estranhas de uma tipologia plana e genérica. O autor propõe um empreendimento transnacional imaginário no qual os vazios brancos são apenas lacunas temporárias que logo são preenchidas à medida que o ambiente construído nunca para de se expandir. Hipoteticamente, a iteração final desta janela seria uma imagem preta densa e desconfortável”, explica ainda o comunicado.

O trabalho que será apresentado na quarta-feira foi feito remotamente numa colaboração especial entre o estúdio Impromptu Projects e o estúdio de Frank Havermans. Trata-se de um modelo de estudo que foi desenvolvido e depois replicado no outro lado do mundo através de desenho auxiliado por computador para garantir o ajuste fino da instalação em tamanho real. A madeira compensada cortada a laser de diferentes espessuras foi aplicada às formas designadas, pintada com spray e instalada no local por um carpinteiro local.

O artista não poderá estar presente na inauguração da instalação devido à pandemia de Covid-19. O seu trabalho surge pela primeira vez em Macau. “Todos os projectos que temos pensados para a montra nascem de uma necessidade de partilhar e tem como objectivo comum trazer novas formas de arte para a cidade, que nos façam despertar para a forma como desenhamos e percebemos o espaço”, pontuou a arquitecta ao nosso jornal.

O comunicado de imprensa revela ainda que “as inovações arquitetónicas de Frank Havermans sempre provocam interações e podem ser consideradas como propostas de mudança arquitetónica e urbana”.

Webinar no próximo mês

A organização anunciou também a realização de um webinar, co-organizado com a Associação de Arquitectos de Macau, agendado para o dia 20 de Outubro. Intitulado “Engagement Tactics: Art, Architecture and Urbanism in Public Spaces”, será uma palestra pública, para a qual Frank Havermans seleccionou uma série de projectos que foram categorizados pelos arquitectos Rita Machado e João Ó, criadores e directores artísticos da Impromptu, em quatro temas que eventualmente podem reportar-se ao caso de Macau e suas condições urbanísticas: patrimónios, fronteiras e sítios abandonados, infraestruturas e, por último, uma intervenção de Macau na montra Impromptu.

A Impromptu Storefront é um novo espaço cultural, inaugurado antes do Verão. Trata-se de uma galeria conceito sem fins lucrativos, que está aberta 24 horas, sete dias por semana, baseada num modelo de exposição inovadora para mostrar intervenções comissariadas a artistas estrangeiros.

O objectivo da Impromptu Projects, dona do espaço, é “provocar e estimular a consciência pública, abordando questões locais e globais, bem como valores pessoais e universais”, por isso, “pretende-se fomentar e contribuir para o discurso do pensamento crítico com projecções, painéis de discussão e apresentação de livros”.

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