Arte desaparecida em Macau, na primeira longa metragem de Bessmertny

O realizador baseado em Macau Max Bessmertny está a trabalhar num novo projecto, a sua primeira longa metragem, que vai ser rodada em Macau. O filme baseia-se numa história real acerca de um pintor que perdeu a sua obra de arte nas traseiras de um táxi em Hong Kong.

Joana Chantre

joanachantre.pontofinal@gmail.com

Maxim Bessmertny, director, escritor e produtor baseado em Macau, tem um novo projecto na manga, a sua primeira longa metragem. O realizador do filme “Tricycle Thief”, que estreou em 2014 no festival internacional de Toronto no Canadá e que levou o prémio “Kodak World Award”, está presentemente à procura de fundos para financiar o seu novo projecto. “Para esta minha primeira longa-metragem, escolhi um título chinês, porem que não quero revelar ainda, porque pode mudar e como tal afectar a sua comercialização ou algo do género” começa por falar ao PONTO FINAL.

Fundador do Pontus Maximus Productions, companhia que criou para ajudar a desenvolver longas metragens no território e erguer pontos de contacto entre o oriente e o ocidente, Bessmertny prepara-se para começar as filmagens já no início do próximo ano com um guião que mistura comédia, sátira e drama. “Vai ser basicamente um filme com uma história meio comédia absurda acerca de um artista que vai em busca da sua obra de arte desaparecida algures no universo de Macau, com cenas e personagens multiculturais, e isso é basicamente a essência do enredo. Mais não digo, porque quero que as pessoas vejam por si mesmas”, refere ao PONTO FINAL.

Este novo projecto marca uma nova fase para o realizador. “A novidade não é apenas por esta ser a minha primeira longa metragem, mas também por o estar a fazer de forma completamente independente. Por isso, desta vez, sendo financiado por amantes do cinema apenas, esta produção vai ser realmente independente e a sua viagem ainda mais interessante”, considera.

O realizador de origem russa revela que é entusiasmante começar a realmente haver uma indústria cinematográfica no território. “Eu que me formei na escola de cinema da NYU Tisch sei que, normalmente, todos os filmes que admiramos historicamente, como os do Martin Scorsese ou Spike Lee, tiveram de passar também pela produção dos seus próprios filmes em algum momento, é realmente isso que nós aprendemos na escola de cinema, um pouco de tudo”, sublinha.  

Bessmertny assegura que fazer filmes em Macau não é algo em que uma pessoa se possa apenas especializar. “Temos de aprender a fazer um pouco de tudo e é realmente difícil porque vai-se descobrindo como as coisas funcionam, um pouco durante o processo, como se estivéssemos a navegar ao vento’ e a juntar as pecas de um puzzle. Não nos podemos concentrar apenas na história e só nas coisas divertidas, como estar no set e no filmar e na promoção. Isso é tudo divertido, porém é realmente muito mais complexo, temos de criar um universo ou um planeta inteiro do zero e isso exige trabalho, sem falar que as filmagens por vezes são muito longas e duram quase um mês”, descreve.

Relativamente a como surgiu a ideia de fazer este filme, Bessmertny revela que surgiu na altura do início da pandemia. “Eu tive esta ideia para um guião e daí a história simplesmente fluiu, e eu fui escrevendo, e desenvolvendo-a, chegando a este ponto de agora, estando cada vez mais perto de ser realmente financiada. Tem sido fantástico”, reitera o realizador.

A história do filme, que é baseada em acontecimentos reais, é sobre uma obra de arte desaparecida no banco traseiro de um táxi que, na realidade, pertencia a um pintor que a perdeu e daí começou a saga. “Foi muito caótico, mas na verdade aconteceu em Hong Kong e baseia-se numa história verdadeira, fluiu e tornou-se agora neste universo de personagens loucas, com o Oriente a encontrar o Ocidente”, explica.

O financiamento, revela, foi e continua a ser o mais complicado de resolver “Tens de bater em milhares de portas e tens de ter um bom ‘pitch’ para a tua história, basicamente uma grande ideia, e avançar com isso com esperanças que os amantes de cinema em geral e as pessoas que gostam de filmes vejam algo especial e acreditem em ti, e queiram que realmente vás em frente com o projecto. Basicamente é um processo complicado, mas há sempre as pessoas que amam cinema e querem que mais seja feito. Não estamos nisto apenas para fazer trocos rápidos, porque isso não é cinema, estamos nisto por paixão”, sublinha.

O realizador exemplifica com produções independentes e ‘indies’, como a que planeia fazer, que apesar de serem mais pequenas foram muito bem-sucedidas, dando como exemplo o filme “Blairwitch Project”. “Eles voltaram com grande sucesso de bilheteira, mas isso é a cereja no topo do bolo, pois se isso acontecer com o meu filme seria espantoso e incrível. A principal razão pela qual faço filmes é porque os quero mesmo fazer, e se as pessoas reagirem bem a eles também é fantástico, mas não é o fulcral”, conclui.

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