Voluntário, mas… cerco da vacinação aperta

Tai Wai Hou (FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO)

Os Serviços de Saúde anunciaram ontem que todos os trabalhadores, sejam no público ou do privado, têm de ser vacinados contra a Covid-19 ou, em alternativa, efectuar um teste de ácido nucleico de sete em sete dias. Patrões têm agora que arranjar condições para que as coisas possam fluir.

Gonçalo Lobo Pinheiro

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com

As autoridades sanitárias de Macau anunciaram ontem aquilo que pode ser considerado como uma acção de pressão para que a taxa de vacinação no território atinja valores mais altos. Todos os trabalhadores, sejam do sector público ou do sector privado, que trabalhem directamente com clientes ou que estejam fechados em locais juntamente com diversos colegas, devem vacinar-se contra a Covid-19 ou, em alternativa, fazer um teste de ácido nucleico de sete em sete dias.

O anúncio, feito pelo coordenador do programa de vacinação da RAEM, Tai Wai Hou, suscitou muitas dúvidas aos jornalistas, com o médico a nunca assumir que a nova directriz é uma pressão para a vacinação. “Trata-se de uma directriz de princípio. Nós queremos que os cidadãos tomem a vacina, caso contrário vamos criar directrizes que estimulem a vacinação”, referiu Tai Wai Hou.

A medida é aplicada a todos sem excepção e caberá agora a cada trabalhador, juntamente com o seu patrão, verificar a forma de como, caso a caso, a medida será posta na prática. “Caberá ao trabalhador e ao patrão de cada entidade decidir se avançam para a vacina ou se para o teste”, voltou a frisar o médico dos Serviços de Saúde.

Em caso de incumprimento, não haverá muito a dizer; há uma violação da lei. “Há trabalhadores de muitos tipos. As entidades competentes [entidades patronais] têm de garantir o efeito devido. Isto é uma orientação de princípio, como já expliquei, mas quem não cumprir, viola a lei”, notou.

Se a vacina é gratuita, falta saber se os testes de sete em sete dias também o serão, mas Tai Wai Hou afirmou aos jornalistas que as autoridades “ainda estão a considerar” todas as hipóteses.

Fujian no radar

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus informou ontem, poucas horas antes na conferência de imprensa dos Serviços de Saúde, e que tendo em consideração a evolução epidemiológica na província de Fujian, desde as 15h de ontem, todos os indivíduos que tenham estado na cidade de Putian, ou no subdistrito de Zhonghua, do distrito de Siming, da cidade de Xiamen, capital da província de Fujian, serão sujeitos à observação médica em local a designar, por um período de 14 dias a contar da data de saída destes locais, não podendo esse período ser inferior a sete dias.

“Todos os indivíduos que tenham estado nos referidos locais e que já entraram em Macau, o seu Código de Saúde irá ser convertido na cor amarela e devem ser submetidos a autogestão da saúde, por um período de 14 dias a contar da data de saída dos locais referidos”, acrescentou a coordenadora do Núcleo de Prevenção e Vigilância da Doença, Leong Iek Hou.

As províncias de Yunnan e Jiangsu, bem como a cidade de Xangai, também têm medidas implementadas para os que entram em Macau.

Os Serviços de Saúde voltaram a apelar à vacinação, cuja taxa anda longe dos valores pretendidos pelas autoridades e relembraram que é necessário insistir no uso de máscaras, implementar de forma rigorosa várias medidas de prevenção de epidemia, manter distância e evitar multidões. “A vacinação é o único meio que de forma mais eficaz pode prevenir a pneumonia causada pelo novo tipo de coronavírus e reduzir efectivamente o risco de infecção, os casos graves e evitar em algumas situações a morte, para construir uma barreira imunológica que proteja todos os cidadãos, os seus familiares e Macau”, defendem as autoridades.

De destacar ainda que o último paciente infectado com SARS-CoV-2 – o pai da família de quatro indivíduos que testaram positivo no início do mês de Agosto – teve alta hospitalar este fim-de-semana, depois de testar negativo em dois testes de ácido nucleico seguidos. O homem, que chegou a ter tosse, febre e dor de garganta, vai agora permanecer no Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane por 28 dias e terá de testar igualmente negativo para poder novamente voltar a circular pelo território.

Dados relativos ao dia de ontem mostram que foram administradas até ao momento 621.410 doses de vacinas contra a Covid-19. 332.204 pessoas foram inoculadas, sendo que a primeira dose já foi administrada a 41.009 indivíduos e 291.195 pessoas estão totalmente imunizadas, com duas doses. Nas últimas 24h, ocorreram 10 notificações de eventos adversos (14 eventos adversos ligeiros e nenhum grave, tendo sido seis casos relacionados com a vacina inactivada da chinesa Sinopharm e oito casos da vacina mRNA da germânica BioNTech). Desde o início do programa de vacinação em Macau que ocorreram 2.661 notificações de eventos adversos, tendo sido a sua maioria (2.653) considerados adversos ligeiros e apenas oito graves.

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