Questões de sustentabilidade analisadas e discutidas na USJ

Gilberto Camacho será um dos palestrantes (FOTOGRAFIA EDUARDO MARTINS/ARQUIVO)

Gilberto Camacho, fundador da associação ecológica Macau ECOnscious, conhecida por recolher lixo das praias locais todos os meses, vai participar num evento online organizado pela Universidade de São José (USJ) com uma palestra acerca da sua experiência com a iniciativa e a redução dos resíduos alimentares em Macau.

Joana Chantre

joanachantre.pontofinal@gmail.com

‘Food Sustainability and Waste reduction – a platform for action’ é o nome do seminário organizado pela Universidade de São José (USJ) já esta sexta-feira, das 15h00 às 18h00. O evento, que vai decorrer online através da plataforma zoom, terá como convidados cinco palestrantes que apresentarão individualmente assuntos nos quais se especializam.

“Enfrentar a perda alimentar global e o desperdício através de acções conjuntas” vai ser apresentado por Felicitas Schneider, do Instituto Federal de pesquisa para as áreas rurais, florestas e pesca em Braunschweig, Alemanha; “Prevenção e gestão de resíduos alimentares: Perspectivas de Macau”, apresentado por Franz Gassner e Warren Li da USJ; “Transformação de resíduos alimentares em plástico biodegradável utilizando a bactéria E. Coli artificial”, apresentado por Cheong WM e os seus estudantes da escola secundária Pui Ching; “Literacia alimentar: A comida é mais do que sabor”, por Ruby O, fundadora e presidente de uma sociedade local de comida e saúde ambiental; e “Iniciativa e redução dos resíduos alimentares em Macau”, por Gilberto Camacho, membro fundador da ONG Macau ECOnscious.

A encerrar o evento vai-se realizar uma sessão ‘roundtable’, onde serão discutidas em conjunto estratégias de sustentabilidade de comida e de redução de resíduos.

Gilberto Camacho, da associação Macau ECOnscious, falou ao PONTO FINAL acerca do seu contributo neste evento. “Vou falar um pouco da minha associação que organiza eventos para a recolha do lixo da praia todos os meses e vou enquadrar as coisas no campo mais alimentício, nomeadamente da ‘Refood’”, referiu ao PONTO FINAL. A ‘Refood’ é uma organização internacional, independente constituída por voluntários, orientada por cidadãos e organizada em comunidades locais, existindo já há 10 anos. Dedica-se à recuperação de comida em boas condições e à alimentação de pessoas necessitadas através da inclusão da comunidade local.

“Vou falar, do ponto de vista de Macau, da minha própria experiência e como Macau pode ser líder em muitas vertentes relacionadas com o ambiente. Refiro-me ao desperdício alimentar e à limpeza das praias”, explica o engenheiro informático. “Macau é uma cidade muito pequena e tem muitos recursos financeiros que outros países ou cidades não têm, portanto acho que Macau pode e deve se tornar num exemplo para muitos e eu gostaria muito que assim fosse”, apontou.

Quando questionado acerca de, em termos práticos, o que considera que poderia ser melhorado, com a ajuda do Governo, o conselheiro das comunidades portuguesas deu o exemplo dos transportes. “Em termos de autocarros podíamos mudar para um sistema eléctrico, como já se vê por quase toda a China. Acho que isto pode ser expandido por toda a nossa cidade também. Embora não saiba quais são as necessidades em termos de energia e corrente eléctrica, se for considerada acho que poderia ser estendida a toda rodoviária em Macau”, disse Gilberto Camacho.

Porém, do ponto de vista da sustentabilidade, da comida e dos restos, Camacho referiu que poderá haver algumas limitações fruto das especificidades de Macau. “Temos um problema que é que o nosso território tem um clima quente, e sendo bastante populoso, a nível sanitário temos um desafio, porque distribuir comida já cozinhada para outras pessoas não é bom. Portanto temos aqui alguns obstáculos e dificuldades que têm de ser geridos de outra maneira, porque comparando com Portugal, por exemplo,  temos muito mais humidade e consequentemente uma maior probabilidade de surgimento de vários factores perigosos, como o bolor”, lamenta.

O fundador da Macau ECOnscious revela também que, culturalmente, Macau ainda não se inclina muito para os mercados em segunda mão ou de produtos reaproveitados. “Em Macau há dois tipos de pessoas, no que diz respeito à compreensão do conceito da sustentabilidade. Há pessoas que saíram fora de Macau e outras que ficaram cá, e normalmente as que nunca saíram não têm ainda essa consciência ou noção. Mas com calma e com programas de divulgação e consciencialização, acho que chegamos lá”, concluiu.

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