Polícia volta a não querer dizer quantos agentes estiveram na vigília proibida

FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

Na noite de 4 de Junho, não houve vigília pelas vítimas de Tiananmen. Foram vistos apenas polícias à paisana que iam tirando fotografias a quem passava no Largo do Senado. Questionado pelo PONTO FINAL, o Corpo de Polícia de segurança Pública (CPSP) não quis dizer quantos agentes estiveram no Senado para evitarem que se fizesse o luto pelas vítimas de 1989. “Não é conveniente divulgar os detalhes”, disseram as autoridades policiais.

André Vinagre

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

Se na noite de 4 de Junho do ano passado a presença de agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) era evidente, este ano notou-se uma menor presença de elementos da polícia identificados. No entanto, os agentes à paisana estiveram presentes em peso em vários pontos do largo e até nos telhados nos prédios da zona. Os agentes iam observando quem passava e fotografando os cidadãos que ali estavam.

O PONTO FINAL tentou saber quantos agentes policiais, identificados e à paisana, estiveram presentes no Largo do Senado para evitarem que alguém fizesse o luto pelas vítimas do massacre de Tiananmen. No entanto, o CPSP limitou-se a responder que a corporação “patrulhou várias zonas de Macau, incluindo o Largo do Senado, como habitualmente, de acordo com os requisitos gerais de policiamento e para o desempenho das funções policiais relevantes, a fim de prevenir e combater o crime, manter a ordem pública e a lei e a ordem”. Quando questionadas sobre quantos agentes tinham sido, então, destacados para “manter a ordem pública e a lei” no Largo do Senado, as autoridades disseram apenas que “não é conveniente divulgar os detalhes dos destacamentos policiais”.

Recorde-se que no ano passado o CPSP também não quis revelar quantos agentes tinham estado no Largo do Senado para evitar que se realizasse a vigília. Na altura, o CPSP tinha dito ao PONTO FINAL que tinham sido destacados “agentes policiais, como é habitual, para a execução de tarefas policiais de rotina e patrulha na Praça do Senado”. “Não contabilizámos, em particular, o número de agentes da polícia” presentes no largo, referiu o CPSP em Junho de 2020.

A polícia também se tinha negado a divulgar o número de agentes presentes na Praça do Tap Seac, em Março, para evitar que fosse realizada uma manifestação contra o plano de consumo do Governo, entretanto proibida pelas autoridades. Na altura, a praça foi vedada por centenas de polícias, mas o CPSP não quis detalhar quantos.

Mas nem sempre a polícia se escusou a dar detalhes sobre as suas operações policiais. Após a manifestação organizada pela Associação Novo Macau pela liberdade de imprensa, em Abril, o CPSP divulgou um comunicado a assinalar que estiveram presentes 12 agentes policiais.

“A VERDADE HISTÓRICA NÃO DEPENDE DA DEFINIÇÃO DO GOVERNO”

Com o Senado interdito, os democratas Au Kam San e Ng Kuok Cheong reuniram-se na Calçada de Santo Agostinho para transmitirem a vigília através do Facebook. Mais de 1.700 pessoas viram, no Facebook, o vídeo da vigília dos dois democratas que, encostados à parede, iam falando sobre os acontecimentos de 4 de Junho de 1989, em Pequim.

Já a Associação Novo Macau assinalou os 32 anos do massacre com um comunicado onde se lê que o Governo da RAEM optou, este ano, por introduzir “acusações falsas” para acabar com a vigília. “No entanto, acreditamos que a verdade histórica não depende da definição do Governo”, aponta a Novo Macau. A associação, da qual o deputado Sulu Sou é vice-presidente, critica também a decisão do. Tribunal de Última Instância (TUI), que deu razão à polícia para proibir a vigília: “O direito a comemorar os mortos não deve ser rejeitado”. 

A associação democrata refere que a luz das velas servia também para “testemunhar a nossa liberdade no quatro do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”. “Face à exigência de reformas políticas, o Governo deve responder com a maior tolerância possível, não com processos penais”, indicam os democratas. “Esperamos que cada cidadão de Macau não esqueça o incidente”, lê-se no comunicado.

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