Macau celebra Sporting campeão nacional de futebol

Adeptos do clube português festejaram em suas casas e também noutros pontos do território. O adiantar da hora não permitiu grandes euforias, mas houve tempo para ir até ao “Marquês”.

Gonçalo Lobo Pinheiro

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com

O Sporting Clube de Portugal sagrou-se campeão nacional de futebol sénior em Portugal depois de uma longa travessia no deserto de 19 anos. Naturalmente, que a festa em Portugal foi de arromba, mesmo com as diversas restrições devido à Covid-19.

Em Macau, em celebrações mais frugais, diversos adeptos sportinguistas assistiram à vitória de 1-0 perante o Boavista que acabou por carimbar o selo de campeão nacional que os verde-e-brancos buscavam desde o último título conquistado em 2002 com Lazlo Boloni ao leme e figuras de proa como Mário Jardel, João Vieira Pinto ou André Cruz no plantel.

“Não escondo uma certa euforia pela conquista do título”, começou por dizer ao PONTO FINAL o jornalista António Bilrero que, ao longo da sua vida “felizmente assistiu a diversos títulos do Sporting”, mas há muito que aguardava por este em especial.

Bilrero viu o jogo num bar da Taipa com mais uma dezena de pessoas. Entre um e outro copo de cerveja, o nervosismo estava patente, mas a esperança também. O caminho foi percorrido com brio e só uma hecatombe tiraria este título ao Sporting. 

“Dá uma enorme alegria, satisfação e orgulho ter visto, ao longo desta época, uma equipa que verdadeiramente honrou os pergaminhos e o lema do Sporting: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. E termina o campeonato em glória, na verdade”, notou o jornalista.

“A meu ver, o Sporting é um justo vencedor e espero que esta conquista seja o renascer do leão, porque o espírito e as bases estão lá. Os responsáveis têm de aproveitar o que de melhor se faz na formação”, acrescentou António Bilrero, que disse ainda que quando o jogo acabou “todos brindaram e foram até ao leão do MGM Cotai”. “Fomos os primeiros a chegar ao ‘Marquês’”, afirmou a rir-se.

Lavar a imagem

O ‘personal trainer’ João Braga também viveu com muita alegria este título do Sporting. Juntamente com diversos sportinguistas assistiu ao jogo no FoodTruck. Braga fala em “lavagem de imagem” depois de tempos conturbados no reino do leão.

“Saímos de um período de tempo onde não me identificava com a oratória dos dirigentes para uma imagem mais centrada no clube, nos atletas e nos objectivos desportivos”, admitiu ao nosso jornal.

Braga assume que o regresso à formação é o caminho a seguir, tal como o Sporting sempre fez no passado. “É muito daquilo que nos deu reconhecimento no passado e que ficou em cacos com uma má liderança. Sinto que estamos no caminho certo, e já me dá prazer acordar a meio da noite para ver a as cores do clube a brilhar.”

Sorrisos e lágrimas foi o que se viu nos rostos da maioria dos sportinguistas do território. Estar a quase 11 mil quilómetros do Estádio de Alvalade não é fácil, mas a malta cá do burgo aguentou-se e festejou como pode, e com alívios emocionais enormes.

Tomás Ramos de Deus foi um dos que esteve colado ao ecrã madrugada adentro. “É uma emoção muito grande. São muitos anos em que as expectativas saíram goradas com plantéis muito superiores. Este ano, com expectativas reduzidas devido ao plantel com muitos jogadores jovens, era uma incógnita. Assim sabe muito melhor”, afirmou ao PONTO FINAL

O músico viu o jogo sozinho, em casa, porque é assim que gosta de ver os jogos pela televisão. “Sempre o fiz. Só vejo com gente à volta, ao vivo, no estádio. Gosto de ver os jogos sozinho, para estar totalmente atento ao desenrolar do jogo”, revelou.

Para o sportinguista Tomás, o grande segredo da conquista deste título, para além do treinador Rúben Amorim e dos jogadores abnegados do plantel, “foi o Sporting estar preocupado consigo mesmo e muito menos com os outros”. “Fomos respeitadores e não quisemos saber de provocações. No passado andávamos carregados de soberba e tínhamos um espírito bélico que não me agradava. Hoje somos mais humildes e campeões”, rematou.

Rúben Amorim e mais onze

Quem também viu o jogo em casa foi José Reis. O adiantado da hora não permitiu grandes combinações com amigos, mas nem por isso deixou de festejar a preceito, no seu sofá. “Uma felicidade imensa é o que sinto. É muito bom. 19 anos é muito tempo, mas um título é sempre um feito muito grande”, começou por dizer ao nosso jornal.

Reis considera, como quase todos os sportinguistas que o PONTO FINAL ouviu, que “o Sporting não era favorito”. “Começámos com uma equipa subvalorizada e, com a ajuda do Rúben Amorim, conseguimos coisas fantásticas. Ele fez claramente a diferença pelas escolhas que fez, pelas tácticas que montou”.

E mesmo que o Sporting esteja bem agora, José Reis não esquece o trabalho feito por Bruno de Carvalho. “Sempre fui apoiante do Bruno de Carvalho e acho que o que lhe fizeram não se faz. Apesar do seu tom bélico, demonstrou que queria lutar contra aqueles que, de facto, o tramaram. Mas eu quero é falar do futuro e o futuro, espero, tem de ser com o Rúben Amorim a comandar a equipa”, concluiu.

Para a educadora de infância Joana Cortes Simões, esta conquista “é uma sensação única”, ainda para mais na companhia das duas filhas. “Obrigada, Sporting, por este campeonato e por poder partilhar com as minhas filhas esta sensação única de sermos campeãs, porque isto de ser do Sporting não se explica, apenas se sente e se vive”, começou por dizer ao PONTO FINAL.

Durante a época, Joana viu os jogos que pôde em casa. De tal maneira que achou que não deveria, uma vez mais, mudar a sua rotina, mesmo que tivessem surgido oportunidades de ver o jogo com os amigos. “Achei que não podia mudar nada nas rotinas e fiquei em casa a ver o jogo em vez de ir para qualquer sítio com outros sportinguistas que também vivem aqui em Macau”, confidenciou.

Mas o que mais aborrece a educadora neste momento são “as saudades de casa”. “Apertaram ainda mais por não poder estar em Portugal a festejar com aqueles de quem tanto gosto e que sentem o Sporting como eu”, desabafou.

Joana, ainda assim, acredita que “este grande amor é sentido do outro lado do mundo à mesma velocidade que o turbilhão de emoções que senti quando foi o apito final e pudemos todos gritar ao mesmo tempo: somos campeões”.

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