Escritor brasileiro lança livro com Macau e Luís de Camões no enredo

“Dinamene” é a nova obra de Maicon Tenfen. O romance histórico conta a história de amor multicultural tendo como pano de fundo a criação d’Os Lusíadas que ajudou a forjar o idioma e a identidade de Portugal, e passa por Macau.

Gonçalo Lobo Pinheiro

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com

O escritor brasileiro Maicon Tenfen acaba de lançar o seu 21.º livro intitulado “Dinamene”. Trata-se de uma história que envolve o escritor português Luís de Camões, a sua obra maior, Os Lusíadas, e uma chinesa por quem se apaixonou. O enredo passa-se em Macau, depois do naufrágio do ícone literário português no rio Mekong.

“O livro reconta a lenda de Dinamene, amada de Camões, que o teria acompanhado durante a redacção final d’Os Lusíadas”, disse o autor ao PONTO FINAL.

Tenfen parte do naufrágio de Camões na China para romancear possibilidades. Reza a lenda que, enquanto que a caravela que viajava se afundava, o poeta português teria enfrentado o dilema de salvar das águas a amada, Tin Na Men, ou o manuscrito d’Os Lusíadas. 

Mas em “Dinamene”, porém, Tenfen reverte a lenda e imagina a vida de Camões em Macau depois de ter optado por salvar a mulher, perdendo o mais importante livro da literatura portuguesa.

“A história passa-se em 1563, quando Camões era o Provedor dos Defuntos e Ausentes na feitoria portuguesa de Macau, uma cidade que infelizmente nunca estive, pelo que a recriação do cenário se deu através de pesquisas”, confidenciou Tenfen ao nosso jornal.

O autor brasileiro sugere que passemos a conhecer o poeta português numa dimensão mais romântica, assim como a enigmática Tin Na Men, ou “Dinamene”, uma habilidosa praticante de Kung Fu que se vê no meio de uma guerra familiar na China do século XVI. 

“A namorada chinesa era doce e graciosa como um lírio num vaso de ouro, um pêssego em forma de gente, uma flor de tamareira. Tinha os olhos mais verdes que o poeta conheceu (algo raro numa chinesa) e declamava madrigais depois do amor”, escreveu o autor num texto publicado na revista Veja, em 2018. 

Macau, cujos portugueses tinham acabado de chegar, passa a ser o cenário de muitos encontros inesperados: da Língua Portuguesa com as artes guerreiras orientais, dos jesuítas com os devotos da deusa A-Má, do mercantilismo europeu com os costumes chineses e de um aventureiro inconsequente chamado Luís de Camões com uma jovem destinada a um casamento convencional.

Instado a comentar sobre a corrente que acredita que Luís de Camões nunca esteve em Macau, Maicon Tenfen foi peremptório. “Sim, deparei-me com isso, mas ‘Dinamene’ é uma obra de ficção. Assumi que Camões esteve em Macau e que ali finalizou a redacção d’Os Lusíadas”, referiu ainda o autor.

O romance está à venda nas livrarias online e em breve deve chegar às lojas físicas, para já apenas no Brasil. A obra, com chancela da Ronin, conta, ainda, com projecto gráfico de Vilmar Schuetze e Jean Valim, e ilustração de Rubens Belli.

Maicon Tenfen, nascido em Blumenau no estado de Santa Catarina, tem tido, nos últimos anos, algumas das suas obras em destaque. Em 2015, “Quissama — O Império dos Capoeiras”, foi finalista do Prémio Jabuti e seleccionado para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático. Em 2018, o romance “O Manuscrito” foi finalista do Prémio Leya de Literatura.

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