Mangais como exemplo de soluções sustentáveis da natureza em Macau

Karen Agano Tagulao é professora, especializada no estudo dos mangais em Macau, e está a organizar um workshop intitulado ‘Soluções sustentáveis incorporando a natureza, para as cidades’, conjuntamente com a Universidade de São José. Como palestrante, estará a professora Cristina Calheiros, da Universidade do Porto. Este workshop, que terá lugar na segunda-feira, irá abordar os conceitos, barreiras e oportunidades provindas das soluções sustentáveis que incorporam a natureza na arquitectura da cidade.

Joana Chantre

Joanachantre.pontofinal@gmail.com

Na segunda-feira, pelas 14h, vai realizar-se um workshop online, organizado pela professora Karen Agano Tagulao e pelo Instituto de Ciência e o Ambiente da Universidade de São José (USJ), acerca de soluções sustentáveis, incorporando a natureza, para as cidades.

O aumento da população nas cidades tem criado inúmeros problemas ambientais, económicos e sociais em todo o mundo, especialmente tendo sido comprovado que o fenómeno está associado ao impacto das alterações climáticas. As áreas urbanas tornaram-se mais impermeáveis, com um aumento da fragmentação dos habitats, degradação dos ecossistemas, intensificação do efeito ‘ilha de calor’, poluição da água, do ar e do solo, acabando por levar à deterioração do bem-estar humano e à desconexão com a natureza.

O objectivo deste workshop será discutir e trocar experiências acerca de possíveis estratégias para alterar a dinâmica dos territórios usando soluções baseadas na natureza, promovendo a multifuncionalidade, operando a diferentes escalas e dando prioridade à sustentabilidade de três factores: da natureza, para gerar vantagens ambientais como a conservação da biodiversidade ou adaptação às alterações climáticas; económicas, como criação de emprego e valorização imobiliária; e sociais, com na drenagem de água.

Este tópico desempenha também um papel importante na atenuação dos efeitos da urbanização, reforçando os ecossistemas urbanos em prol de resistirem melhor aos desafios das alterações climáticas e contribuírem para a transição para uma economia de baixo carbono.

A professora Karen Agano Tagulao, doutorada em Biologia Marinha e professora do Instituto de Ciência e Ambiente da USJ, será a moderadora do evento. Ao PONTO FINAL, falou sobre a iniciativa, que de momento conta já com 45 participantes de vários países. “Este é um workshop de cinco dias, com os primeiros três dias a terem um cariz mais teórico”, começou por explicar. “Portanto, a primeira sessão vai ser maioritariamente acerca da teoria e a explicação dos conceitos fundamentais e os princípios”, prosseguiu.

Sendo um workshop online, a moderadora explica que organizou actividades interactivas com os participantes. “A palestrante vai ser uma professora que está em Portugal, Cristina Calheiros, da Universidade do Porto, visto que é uma especialista nisto e foi por isso mesmo que eu a convidei”, refere a professora de nacionalidade filipina.

A professora Cristina Calheiros é engenheira ambiental com um doutoramento em Biotecnologia, que trabalha como investigadora na CIIMAR, no Porto, e no próximo dia 10 irá contribuir com alguns exemplos de como estas soluções sustentáveis, que incorporam a natureza, podem funcionar em Macau. “Na segunda sessão do evento continuaremos com a Cristina, mas com outros convidados peritos também, da Áustria e da Grécia, nomeadamente”, afirma.

As terceiras e quartas sessões serão basicamente visitas técnicas, onde a professora Karen levará os participantes para um terraço num jardim na Taipa onde um dos seus estudantes de doutoramento está de momento a trabalhar na sua tese académica. “Ele desenvolveu este terraço verde para demonstrar como soluções inspiradas na natureza podem resolver alguns dos problemas pertinentes na cidade”, comenta. “Na ultima sessão, que vai ser o último dia, vamos fazer uma visita de barco às plantas de mangal na Taipa e no Cotai, onde eu irei explicar e mostrar os mangais de uma perspectiva diferente, porque normalmente só são vistos da terra. Porém, é fundamental percebê-los a partir da água e explorar todos os seus aspectos com os seus micro-organismos”, conclui.

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