Joias escondidas é a proposta da ARTM para a próxima exposição em Ka-Hó

Vinte e três artistas locais doaram as suas obras de arte para o projecto Hold on to Hope para ajudar a criar sustentabilidade. Dinheiro da venda dos trabalhos reverte para a ARTM e ajudará a manter as antigas casas da leprosaria de Ka-Hó, em Coloane, até porque em Agosto passam a explorar mais duas casas.

Gonçalo Lobo Pinheiro

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com 

A Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) aliou-se, uma vez mais, à artista Alice Kok para promoverem a exposição de arte “Hidden Gems”. A mostra será inaugurada no próximo dia 15 de Maio, pelas 15h, na galeria da instituição nas casas amarelas da antiga leprosaria de Ka-Hó, em Coloane, e estará patente até 12 de Junho.

“Hidden Gems”, que conta com a curadoria de Alice Kok, vai revelar “belas obras de arte” de 23 artistas locais que doaram propositadamente os seus trabalhos para o projecto Hold on to Hope. “Tínhamos a ideia de inaugurar o espaço das exposições com esta mostra, mas não foi possível isso na altura. Por isso, esta que acaba por ser a nossa terceira exposição desde que abrimos portas, mostra o trabalho de diversos artistas de Macau”, começou por dizer ao PONTO FINAL o presidente da ARTM, Augusto Nogueira.

A entidade “precisa sempre de apoios” e como tal esta é mais uma exposição que servirá para angariar verbas que revertam a favor da mesma, numa óptica de sustentabilidade do projecto, até porque, segundo nos revelou Augusto Nogueira, o Governo da RAEM autorizou a ARTM a usar mais duas casas amarelas. “Vamos ficar a explorar, a partir de Agosto, mais duas casas amarelas, e precisamos de ter fundo de maneio para a decoração, compra de material, entre outras coisas. A galeria será deslocada para a terceira casa a contar do nosso café, sendo que a quarta casa passará a ser uma espécie de oficina para workshops, essencialmente dirigidos às famílias. O café será aumentado, sendo que a segunda casa passará a ser café com livraria e biblioteca, com possibilidade de organização de eventos como apresentações de livros, pequenos ‘show cases’ musicais, entre outras coisas”, revelou o responsável.

Augusto Nogueira revelou que os eventos têm sido um sucesso e que, com a última exposição de fotografia “Lights of Hope”, conseguiu-se angariar qualquer coisa como 25 mil patacas. “Foi óptimo. Muitas pessoas compraram a mesma fotografia e, no geral, a exposição teve uma aceitação tremenda. Acreditamos que o projecto Hold on to Hope está a ser muito bem aceite pela sociedade de Macau”, notou. 

Na primeira pessoa

Catarina Cottinelli da Costa é uma das artistas que cedeu trabalhos à ARTM. Dois desenhos em aguarela foi a proposta da portuguesa que se orgulha do convite feito. “Agradeço muito o convite que me fez a ARTM para participar nesta exposição e é com muito gosto que contribuo com dois desenhos aguarelados. O primeiro é o trilho de Hac Sá, em Coloane, e o outro do jardim Lou Lim Ioc, em Macau. São dois exemplos de paisagens que nos permitem observar a beleza natural única do território”.

O cerveirense Duarte Esmeriz também participa na exposição. A sua proposta, concebida em 2018, é uma gravura feita com a técnica de água-forte com verniz duro e mostra os “Segredos de Macau”. “Trata-se de um alvo em que no centro tem uma fechadura. Isso leva as pessoas a quererem ir mais além, a espreitar pela fechadura”, explicou o artista, também ele jurista de profissão.

O convite surgiu pela mão de Augusto Nogueira e Duarte Esmeriz nem pensou duas vezes. “É com muito gosto que participo e ajudo uma associação que é única e tem um papel tão importante no combate às drogas. Estarei sempre disponível para ajudar a ARTM”, afirmou ainda o artista.

O chinês Eric Fok, conhecido pelas suas obras cartográficas, apresenta o “Girassol”. Licenciado em Artes Visuais pelo Instituto Politécnico de Macau, Fok tem vindo a gozar de algum protagonismo no panorama artístico local, muito por culpa da unicidade da sua obra. “O Girassol com sementes de girassol é a proposta que apresento. Porque acho que essa flor nos dá energia. É uma flor que está sempre voltada para o sol, e mesmo depois que a flor murcha, ainda tem sementes”, constatou o artista que revelou estar “muito feliz por participar na exposição, uma exposição significativa, onde a vida afecta a arte e a arte afecta a vida”.

“Para aquele espaço, no meio da natureza, e para aquele efeito, pareceu-me adequado apresentar uma peça de vidro em forma de flor”, revelou ao nosso jornal a artista Cristina Vinhas.

“As flores do meu jardim” é o nome da obra que a portuguesa doou à ARTM, algo que vem fazendo ao longo dos anos porque considera que a associação “tem tido um trabalho meritório, prestando um serviço à comunidade que é de enaltecer”. “Já os apoio há anos, e desta vez também não podia deixar de o fazer. Apoio as causas sempre que me for possível”, notou.

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