Associação de jornalistas acusa CAEAL de confundir notícias com propaganda

FOTOGRAFIA: GCS

A Associação de Jornalistas de Macau, que representa repórteres dos ‘media’ de língua chinesa, acusou ontem a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) de confundir notícias com propaganda e considerou “um insulto aos jornalistas” a exigência de serem omitidas notícias ‘online’ nos dias de reflexão e eleição para a Assembleia Legislativa. “A menos que seja um Estado totalitário, nenhum Governo alguma vez pediu aos meios de comunicação social para retirar notícias de um determinado período em grande escala por motivos eleitorais ou outros”, denunciou, em comunicado, a associação. 

Na mesma nota, a associação lembrou ainda as recentes declarações de membros da CAEAL, acusando-as de “erradamente confundirem notícias como propaganda eleitoral”. “A tentativa da CAEAL de fazer dos meios de comunicação social um “instrumento de propaganda de campanha é não só um mal-entendido do jornalismo, mas também um insulto aos jornalistas”, criticou a associação que representa repórteres dos ‘media’ chineses. “Se isto não for uma deturpação ou uma distorção da lei, é uma tentativa de impor aos meios de comunicação uma exigência que se aplica apenas aos candidatos”, lê-se na mesma nota, em que se apela ainda a CAEAL a retirar as declarações proferidas e a fazer um esclarecimento público.

O presidente da CAEAL, Tong Hio Fong, tem vindo a afirmar que durante o período de reflexão e no dia de votação, os órgãos de comunicação devem bloquear ou ocultar temporariamente, nas plataformas online, “reportagens publicadas que exibam conteúdos de propaganda eleitoral”. “Se durante o período de campanha eleitoral forem emitidas reportagens sobre alguma lista candidata, estes conteúdos podem vir a influenciar a intenção de voto dos eleitores. Neste sentido, de acordo com as disposições relativas à lei eleitoral e a sua definição de ‘propaganda eleitoral’, a comunicação social deve, em caso de reunir as condições exigidas à prática do ato, bloquear ou ocultar temporariamente as mesmas na Internet durante o período de reflexão e no dia da votação”, frisou o juiz, que liderou a CAEAL nas eleições de Setembro de 2017 e na eleição suplementar de novembro de 2019. O juiz sublinhou que lei não é nova, mas que este ano acresce de importância nas eleições para a Assembleia Legislativa que se realizam em 12 de Setembro, devido ao aumento de anúncios dos candidatos e notícias, assim como o número de utilizadores que procuram informação na Internet.

Quanto a esta justificação, a Associação de Jornalistas de Macau acusou as autoridades de fazerem “dos meios de comunicação social o bode expiatório”, já que não se pode confundir notícias online com propaganda dos candidatos. “O período de reflexão é um pedido para que os candidatos deixem de se promover a si próprios, e não para que os eleitores deixem de encontrar e receber informações. Apenas com informação suficiente e diversificada os eleitores podem pensar em como fazer bom uso do voto sagrado”, sublinhou a associação.

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