O magnetismo de Jamestown que valeu o ouro a João Miguel Barros nos prémios PX3

Em Acra, no Gana, há um distrito de pescadores que se chama Jamestown. “Um areal gigantesco que vai dar a uma baía e onde no topo está o farol de Acra”, descreve João Miguel Barros. Jamestown foi o cenário que valeu ao fotógrafo o primeiro lugar nos Paris Photo Awards (PX3). “É um sítio magnético”, diz.

André Vinagre

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

João Miguel Barros ganhou o prémio Gold nos Paris Photo Awards, comummente chamados de PX3. O fotógrafo concorreu com imagens feitas em Jamestown, em Acra, capital do Gana. Jamestown, um dos mais antigos distritos da cidade e sítio de pescadores, é um lugar “magnético”.

As fotografias que valeram ao fotógrafo o primeiro lugar na categoria de imprensa para não-profissionais mostram os pescadores de Jamestown em terra, num aglomerado de favelas onde a entrada não é fácil. João Miguel Barros conta que, da primeira vez que tentou entrar na zona, foi sempre barrado. “Fui muito imprudente”, lembra, explicando: “Fui com um condutor, mas aquilo é tudo muito controlado com guias e malta que não é propriamente muito simpática, nomeadamente para fazer fotografias, e eu acabei por desistir porque senti que não valia a pena estar a pôr em risco nada”.

Quando voltou a Acra, para visitar Jamestown, “aquilo correu bem”. Nessa altura, já levava um guia local que facilitou a entrada. “Acabei por tirar muitas fotografias, basicamente do trabalho deles em terra, porque aquela era uma altura de defeso, os barcos estavam na baía, não andavam na pesca. Tenho pena de não ter podido acompanhar um barco na pesca com eles, mas não era possível”, conta.

Sobre Jamestown, descreve: “Aquilo é impressionante em termos visuais, é enorme, é um areal gigantesco que vai dar a uma baía e no topo está o farol de Acra, que é um dos faróis mais antigos ali da costa”. “Aquele sítio é magnético”, acrescenta.

Jamestown “é uma zona muito antiga da cidade de Acra, onde existe um aglomerado muito grande de pescadores e de pessoas com poucos rendimentos, que trabalham na indústria da pesca e nas indústrias associadas. Para além do arsenal da pesca, existiam lá dezenas e dezenas de habitações informais e aquilo era como se fosse uma pequena favela, muito controlada, dentro da cidade de Acra”. O projecto “acabou por resultar num conjunto de fotografias de que eu gosto particularmente”, afirma João Miguel Barros.

O Gana tem sido ponto-chave de João Miguel Barros enquanto fotógrafo. Lá, fotografou o pugilista Emmanuel Danso, tendo construído o projecto “Blood, Sweat and Tears”. À boleia de Danso, João Miguel Barros acabou também por fotografar Wisdom, um complexo onde funciona uma escola com 250 alunos, e agora Jamestown.

Nos PX3, João Miguel Barros já tinha ficado em segundo lugar, em 2018, com o projecto “Blood, Sweat and Tears”, e, em 2019, ficou também em segundo lugar com fotografia “Child’s Dream”.

O fotógrafo explica a relevância do concurso: “Há, a nível mundial, um conjunto de prémios importantes que são lançados por várias entidades e este, o Paris Photo Awards, o PX3 como é conhecido, é um deles”. “É um dos grandes prémios que existem na fotografia contemporânea”, assinala.

FOTOGRAFIA: Eduardo Martins

“Eu tenho vindo a concorrer a estes prémios desde que comecei a fazer fotografias com o objectivo de fazer um trabalho muito empenhado e sério na fotografia contemporânea”, explica, acrescentando: “Acho que uma das formas de se tentar crescer é apresentar trabalho que nós temos nestes prémios internacionais porque aí somos um no meio de milhares, ninguém nos conhece, e os prémios acabam por ser o reconhecimento de pessoas que olham para as fotografias sem saberem quem é que as tirou e valem só por si”.

Jamestown é o projecto que está sintetizado na “Zine.Photo” número dois, uma publicação de João Miguel Barros que tem três edições por ano, e cujo lançamento aconteceu em Maio deste ano, na Fundação Rui Cunha. O primeiro número da zine é “Wisdom”. O número três é “Courtyard”, sobre o pátio inserido no complexo de Wisdom. Os trabalhos fazem parte do projecto fotográfico “Ghana Stories”.

 

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