ARTFEM regressa em Setembro, numa representação colectiva de Natura

FOTOGRAFIA: Eduardo Martins

Se o curso da pandemia não trocar as voltas à organização, a 2ª edição da Bienal Internacional de Mulheres Artistas instala-se, em Setembro, em quatro espaços da cidade. Confirmada está já a participação de 106 artistas, de vários pontos do globo, que, num espectro amplo de expressões artísticas, respondem ao tema “Natura”. Com curadoria de Carlos Marreiros, Alice Kok, Angela Li Zhenxiang, James Chu e Leonor Veiga, a ARTFEM 2020 tem como madrinhas as artistas Xiang Jing, de Pequim, e Un Chi Iam, de Macau. 

Texto: Sílvia Gonçalves 

Fotografia: Eduardo Martins

Com arranque previsto para Setembro, a ARTFEM 2020 – 2ª Bienal Internacional de Macau – Mulheres Artistas, vai congregar no território o trabalho de 106 criadoras de todo o mundo, sob o tema “Natura”, conceito vinculado à protecção ambiental e que “permite um largo espectro de interpretações plásticas”. A ampla mostra colectiva, que se estenderá ao longo de dois meses, apresenta-se este ano no Albergue SCM, no Antigo Estábulo Municipal, na Galeria Lisboa e na Casa Garden. Carlos Marreiros, Alice Kok, Angela Li Zhenxiang, James Chu e Leonor Veiga assumem a curadoria de um evento que tem como madrinhas as artistas Xiang Jing, de Pequim, e Un Chi Iam, de Macau, que sucedem a Paula Rego, agora madrinha honorária. 

“Queremos inaugurar sempre no dia 8 de Março, que é o Dia Internacional da Mulher. Este ano não conseguimos, não queremos protelar para o próximo ano, daí que não sendo nesta data simbólica – porque queremos que a data entre no mapa mental das pessoas -, faremos ainda este ano. Estamos um bocadito mais optimistas em relação a Setembro. A pandemia ainda não nos abriu ao mundo nem o mundo a nós. Portanto, para já, será em Setembro”, adianta Carlos Marreiros ao PONTO FINAL. 

O presidente da comissão organizadora da ARTFEM conta ainda que, depois de uma primeira edição, em Março de 2018, centrada no Museu de Arte de Macau (MAM), a bienal estende-se agora a quatro espaços da cidade: o Albergue SCM, o Antigo Estábulo Municipal de Gado Bovino, a Galeria Lisboa e a Casa Garden. “Este ano, a ideia é fazer percursos. Como vai haver – se puderem vir – uma participação de artistas bastante jovens, isto criava residências, criava sinergias. Resolvemos fazer em vários locais, ao contrário da primeira edição, em que foi tudo concentrado no MAM”. 

Confirmada está a participação de mais de uma centena de artistas, de latitudes que tocam sobretudo o mundo lusófono, a Europa e a Ásia. “São 106 artistas de todo o mundo, com alguma preponderância para a China e Portugal, e um bocado por todo o lado. Temos também alguns países lusófonos, e, entre nomes mais conhecidos, temos jovens artistas quer de Portugal, da China, de Itália, da Holanda, etc”, assinala o arquitecto e artista.

Na extensa lista de artistas e criadoras, figuram nomes como Kit Lee, Ana Pérez-Quiroga, Bianca Lei, Arahmaiani, Aurielle Jioya, Clara Maciulis, Ana Jacinto Nunes, Crystal Chan W. M., Gigi Lee, Francesca Zoboli, Kirsten Berg, Jiang Guoyuan, Maria Madeira, Nadine Norman, Carol Sin-chai Kwok, Laura Federici, Dawn Alane-Kelmenson, Raquel Gralheiro, Clarissa Baumann, Anabela Canas, Bella Tam, Gloria Wong, Vibha Galhotra, Lisette Schumacher, Elena Hoskyns-Abrahall, Phi Phi Oanh, Krupa Makhija, MJ Lee ou Kay Zhang.

“TEMOS DE GANHAR ESPAÇO, REGIONALMENTE E NO MUNDO”

Carlos Marreiros diz não ser ainda o tempo de cumprir a ambição antes manifestada, de estender a bienal a cidades da Grande Baía. “Não, impossível, temos que ganhar espaço, regionalmente e no mundo, ganharmos experiência, e depois abrir também para a Grande Baía, naturalmente. Mas a pandemia não permite nada disto, e, neste preciso momento, embora já tenhamos as instalações garantidas, a presença de muitas artistas vai ser complicada”. 

Se a primeira edição não apresentou um elemento agregador temático, a bienal define este ano um tema a que as artistas deverão responder na sua concepção plástica e visual: “Natura”. “Fomos bastante corajosos, numa segunda edição da bienal já arrancar com um tema. A primeira edição correu muito bem, foi sem tema, era genérico. Nesta segunda edição, as artistas trabalharam sobre o tema ‘Natura’. O que permite um largo espectro de interpretações plásticas, desde aspectos de protecção do ambiente, que é uma questão na agenda mundial”. 

Um conceito de matriz latina, alcançado em diálogo entre curadores, e que surge num tempo em que as questões ambientais se posicionaram no centro do debate. “Quando discutimos a organização desta bienal, em 2019, fazia todo o sentido devido a questões desde as queimadas na Amazónia, o sobreaquecimento, várias questões que, a nível mundial, marcaram muito o ano passado, e, de uma maneira geral, os últimos anos. Este ano foi um bocadinho esquecido por causa da Covid-19. É um tema actual, mexe com todos nós, no presente e no futuro, a vida do planeta está em causa. Além destas questões, permite também aspectos mais simbólicos, pesquisas plásticas sobre o simbolismo da Mãe Natura, as suas manifestações etno-folclóricas, da Europa aos Estados Unidos, em toda a Ásia. Aspectos que permitem que o tema seja desenvolvido plástica e visualmente”, assinala o arquitecto. 

FOTOGRAFIA: Eduardo Martins

PAULA REGO, MADRINHA HONORÁRIA

Além de Marreiros, a curadoria da bienal integra ainda Alice Kok, Angela Li Zhenxiang, James Chu e Leonor Veiga. Se na edição inaugural, Paula Rego amadrinhou o evento, tendo-se feito representar em Macau pela filha, Victoria Willing, na ARTFEM 2020, a pintora portuguesa, há décadas radicada em Londres, mantém-se associada como madrinha honorária. “Este ano queríamos alargar para mais madrinhas, e, portanto, convidámos a madrinha Xiang Jing, que é de Pequim. Uma artista de grande qualidade, tem uma carreira fulgurante internacional. É escultora, faz esculturas de mulheres nuas, carecas, de dimensões variadas, à escala humana ou maior, isoladamente ou agrupadas em tema. São esculturas extremamente hiper-reais, ela chega ao pormenor de pintar as veias, os poros, e debate objectivamente as questões da mulher, na China e no mundo”, descreve o presidente da comissão organizadora. 

Mas Xiang Jing não está sozinha. “Temos pela primeira vez uma madrinha de Macau, que é a pintora Un Chi Iam, a mulher de Mio Pang Fei. Queremos que Paula Rego seja madrinha honorária, uma vez que foi a primeira, da primeira bienal, e ela gostou do evento”. 

 

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