Semana da Cultura Chinesa: Do pensamento à poesia

FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS

Em cinco dias, serão lançados sete livros na Semana da Cultura Chinesa. Entre a filosofia, a pintura, a estratégia militar e a poesia, os livros a serem apresentados têm como objectivo dar a conhecer a sinologia à lusofonia. Isto porque, para Carlos Morais José, que organiza as sessões, a tradução dos clássicos chineses para língua portuguesa “está bastante atrasada”.

André Vinagre

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

A filosofia, a etnografia, a pintura, a estratégia militar e a poesia da China vão estar em destaque na Semana da Cultura Chinesa, que acontece entre a próxima segunda e sexta-feira, na Fundação Rui Cunha. Nos cinco dias, serão lançadas traduções de clássicos chineses para português. Cinco destes livros são traduções inéditas. O objectivo desta Semana da Cultura Chinesa, que se realiza pela primeira vez, é deixar “instrumentos” para a “compreensão em português da cultura chinesa”, explicou ao PONTO FINAL, Carlos Morais José, que organiza as sessões.

“Estudo Maior”, “A Prática do Meio”, “As Leis da Guerra”, “Teoria da Pintura Chinesa” Volumes I e II, “Divino Panorama – Um Inferno Chinês”, e “Balada do Mundo”. São estes os sete livros a serem lançados entre 15 e 19 de Junho, no âmbito da Semana da Cultura Chinesa, organizada pelo jornal Hoje Macau e pela editora Livros do Meio. “Estudo Maior” e “A Prática do Meio” serão apresentados na segunda-feira; “As Leis da Guerra” será lançado na terça-feira; “Teoria da Pintura Chinesa” Volumes I e II serão lançados no dia 17; a 18 de Junho será lançada a tradução de “Divino Panorama – Um Inferno Chinês”, e no último dia da semana é a vez de “Balada do Mundo”. As sessões começam, todos os dias, às 18h30.

As traduções de “Estudo Maior”, “A Prática do Meio”, “As Leis da Guerra”, “Divino Panorama – Um Inferno Chinês” e “Balada do Mundo” são de Rui Cascais Parada. Já o primeiro e segundo volumes de “Teoria da Pintura Chinesa” foram traduzidos por Paulo Maia e Carmo. À excepção dos dois primeiros livros, todos os outros são traduções inéditas para português. Os sete livros são editados pela Livros do Meio.

Não há um tema principal, indicou Carlos Morais José, director do Hoje Macau e responsável pela Livros do Meio: “Vai desde a filosofia, à etnografia, pintura, poesia e estratégia militar”. É “começar com pensamento e acabar com poesia”, descreveu o responsável pela iniciativa. O único ponto que liga os livros é que, à excepção de “Estudo Maior” e “A Prática do Meio”, “são todas traduções inéditas, não existem estes livros em português”. 

Segundo Carlos Morais José, o objectivo desta Semana da Cultura Chinesa é deixar “instrumentos – neste caso livros – para a compreensão em português da cultura chinesa”. “A nossa sinologia está bastante atrasada, nomeadamente em relação a outros países europeus e outras línguas europeias”, afirmou o autor.

O responsável pela iniciativa reforçou: “Sendo que nós fomos dos primeiros europeus a chegar à China, a verdade é que, ao nível da tradução de clássicos chineses, estamos bastante atrasados em relação a outros países, neste momento”. Assim, “estando nós em Macau, parece-me que faz todo o sentido que parte da nossa comunidade seja detentora dessa cultura chinesa para o mundo lusófono”.

 

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“Estudo Maior” e “A Prática do Meio”, “dois livros fundamentais do confucionismo”

“Estudo Maior” (Da Xue) e “A Prática do Meio” (Zhong Yong) são dois dos quatro livros centrais sobre a filosofia confuciana. Do grupo dos quatro livros fazem ainda parte “Analects” e “Mencius”. Estes quatro livros estavam “na base dos exames que depois davam acesso ao mandarinato”. Sobre estes dois, cujas traduções serão apresentadas no dia 15 na Fundação Rui Cunha, Carlos Morais José descreveu: “São dois livros fundamentais do confucionismo da dinastia Song, que é quando o confucionismo ganha uma dimensão muito importante, a nível, por exemplo, dos exames imperiais”. “A ideia básica é de que na dinastia Song houve uma nova reformulação do confucionismo, no século XI. Aí, o confucionismo é reformulado e ganha uma importância muito grande a nível da teoria da ética e da moral”, explicou o organizador da Semana da Cultura Chinesa. Morais José explicou a importância histórica de “Estudo Maior” e “A Prática do Meio”: “Sendo o confucionismo uma das doutrinas mais importantes da história da humanidade, acho que é importante que nós, para compreendermos o povo chinês e a cultura chinesa, possamos ler estes livros para ver também aquilo que se passa hoje e que se vai passar no futuro”.

 

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As Leis da Guerra, “uma nova Arte da Guerra”

A tradução deste livro de Sun Bin é lançada na terça-feira, dia 16 de Junho, e é um livro “muito interessante”, referiu Carlos Morais José, explicando que Sun Bin é descendente de Sun Tzu, autor de “Arte da Guerra”. “É, digamos, uma continuação de um livro do seu antepassado”, indicou, acrescentando: “foi escrito no séc. III antes de Cristo, e andou desaparecido, até que, em 1972 foi encontrado numas ruínas numas escavações arqueológicas”, na cidade chinesa de Linyi, na província de Shandong. Depois de encontrado o manuscrito, “foi publicado em chinês e foi traduzido em várias línguas europeias, mas esta é a primeira vez que vai ser traduzido em português”, referiu o organizador do evento. “É uma nova Arte da Guerra”, descreveu. Como o livro de Sun Tzu, também o livro de Sun Bin versa sobre estratégia militar.

 

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“Teoria da Pintura Chinesa” Volumes I e II, textos “fundamentais” para compreender a pintura chinesa

No dia 17 são apresentados os livros sobre pintura chinesa, “Teoria da Pintura Chinesa” Volumes I e II. O primeiro volume, “Os Eixos da Tradição”, é da autoria de Xie He, Yao Zui, Jing Hao, Guo Xi e Zhang Yanyuan. O segundo volume, “O Fascínio do Gesto”, tem como autores Zhang Geng, Shitao, Shen Hao e Wang Yuanqi. “São os textos fundamentais teóricos sobre pintura chinesa do século VI ao século XVIII”, explicou Carlos Morais José. Duas obras que nunca tinham sido traduzidas para língua portuguesa, recordou o organizador da Semana da Cultura Chinesa. Os livros servem “para nós podermos compreender o que vemos quando olhamos para as pinturas chinesas, quer o que lá está, quer o entendimento dos pintores, quer a evolução da própria pintura”. “Estes textos são fundamentais”, indicou Morais José.

 

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“Divino Panorama – Um Inferno Chinês”, “uma amálgama de budismo, confucionismo e taoismo”

“Digamos que é uma coisa de etnografia, é um texto popular”, descreveu Carlos Morais José. O livro, de autor anónimo, será apresentado na quinta-feira, dia 18 de Junho, na Fundação Rui Cunha. Segundo o organizador da iniciativa, o “Divino Panorama – Um Inferno Chinês” é “uma amálgama de budismo, confucionismo e taoismo, que descreve o que acontece às almas depois da morte”. O livro explica as diferenças entre o “inferno cristão” e o “inferno chinês”. O inferno chinês está “dividido em dez tribunais” e “neste inferno, há uma saída, ou seja, no último tribunal as almas entram na roda do Dharma, que é a roda da reencarnação, e depois a alma, que já foi purificada, volta a reencarnar noutro ser”. Em conclusão, “é um livro de moral”, indicou o responsável da Livros do Meio. “O que se diz no livro é quais os erros e pecados que nós cometemos em vida e quais são as torturas associadas a esses pecados”.

 

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“Balada do Mundo”: “um livro de poesia de um dos maiores poetas da dinastia Tang”

No último dia da Semana da Cultura Chinesa será apresentado “Balada do Mundo”, de Li He. Carlos Morais José descreve: “É um livro de poesia de um dos maiores poetas da dinastia tang, chamado Li He, um homem que viveu muito pouco tempo, morreu aos 26 anos”. O poeta viveu em Henan, entre 790 e 816. Segundo o livro, Li He era descendente do príncipe Zheng e começou a escrever aos sete anos. Este livro conta com 108 dos poemas de Li He.

 

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