Viagem por seis portos asiáticos recupera rota marítima portuguesa

FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS

De Mascate, em Omã, a Macau, na China, vários portos asiáticos que contam a rota marítima portuguesa são o destino de uma viagem organizada pela Associação Amigos da Nova Rota da Seda (ANRS), entre Dezembro e Janeiro. A viagem de 15 dias tem como objectivo dar a conhecer a rota “que foi fundamental para o mundo”, mas que é “pouco falada, como se não existisse”, explicou à Lusa a presidente da ANRS, Fernanda Ilhéu.

A partida é de Lisboa, e a primeira escala é feita no Dubai, de onde o grupo parte finalmente para o primeiro de seis portos asiáticos com marcas portuguesas: Mascate, capital de Omã. Até Macau, a última paragem, percorrem Niswa (antiga capital de Omã), Calcute, Cochim, Goa (Índia) e Malaca (Malásia). Nagasaski, no Japão, só fica de fora “por questões logísticas”. “Vamos fazer o percurso que os navegadores portugueses fizeram”, ilustrou a economista, salientando que a rota tem despertado interesse em estrangeiros, curiosos em perceber “esta decisão estratégica dos portugueses”.

Em cada paragem, os viajantes são chamados a conhecer a “história e a presença” portuguesas, com o apoio de uma agência de viagens e de guiais locais. Com um total de 15 vagas, a viagem tem um custo total, por pessoa, de 7.250 euros e a concretização depende ainda de um número mínimo de interessados, ressalvou a professora universitária do Instituto Superior de Economia e Gestão.

A presidente da ANRS, que tem como objectivo encontrar projectos de cooperação entre Portugal e a China e de ambos com terceiros países, sobretudo lusófonos, traçou também um paralelismo entre esta ‘rota marítima portuguesa’ e a Nova Rota da Seda, lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping. “Na altura tínhamos objectivos que eram económicos, mas também religiosos, uma estratégia de poder no mundo, de globalização. Agora é ao contrário, é a China que vem para o Ocidente e tem o novo modelo de globalização e está numa fase de mudança”, apontou.

Fernanda Ilhéu considerou que “o mundo está bloqueado em termos de crescimento e é necessário dar uma outra visão desse processo de desenvolvimento. É aí que entra [a iniciativa] ‘Uma Faixa, Uma Rota’, que tem efeitos de aproximação entre os povos”, acrescentou. É um processo longo, mas, sustentou, “quando os portugueses começaram tinham objectivos, mas não sonhavam a volta que o mundo ia dar com essa iniciativa”, disse. Já sobre a actual Rota Marítima Atlântica, a também investigadora salientou ser importante que Portugal trabalhe com a China no seu aproveitamento e no desenvolvimento. 

A Nova Rota da Seda foi lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e inclui uma malha ferroviária intercontinental, novos portos, aeroportos, centrais eléctricas e zonas de comércio livre, visando ressuscitar vias comerciais que remontam ao Império romano, então percorridas por caravanas.

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