Pansy Ho vai à ONU dizer que manifestantes não representam os cidadãos

FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS

A empresária Pansy Ho, filha do magnata do jogo Santley Ho e directora executiva da MGM China, e Annie Wu Suk-ching, filha do fundador do grupo de restauração Maxim, James Tak Wu, vão à ONU dizer que os “manifestantes radicais” não representam os cidadãos de Hong Kong.

Espera-se que as duas mulheres de negócios de Hong Kong, Pansy Ho e Annie Wu Suk-ching, se desloquem a Genebra para uma reunião no Conselho de Direitos Humanos da ONU agendada para esta terça-feira, noticiou o jornal South China Morning Post. “As opiniões de um pequeno grupo de manifestantes radicais não representam as opiniões de todos os 7,5 milhões [cidadãos de] Hong Kong. Os actos violentos sistemáticos e calculados deste grupo nunca foram tolerados por todos os [cidadãos de] Hong Kong”, vão dizer as duas empresárias, de acordo com uma copia do discurso a que o jornal de Hong Kong teve acesso.

No discurso, a multimilionária que lidera um grupo com investimentos em Macau, Hong Kong e China na área do imobiliário, transportes, hotelaria e construção civil, diz que a proposta de emendas à lei da extradição, que motivaram protestos desde 9 de Junho, foram “bem-intencionadas”, mas foram “sequestradas” por manifestantes radicais que a usaram como “propaganda para minar a autoridade do Governo de Hong Kong de proteger os direitos de um de seus cidadãos”.

Pansy Ho refere-se ao início da discussão das emendas à lei de extradição, na sequência do caso, o ano passado, de um cidadão do território que alegadamente matou a namorada grávida durante umas férias em Taiwan, mas que não pôde ser extraditado porque Taipé e Hong Kong não têm um acordo de extradição.

A filha mais velha do magnata do jogo Santley Ho, de acordo com o discurso que será proferido, defende o uso de gás lacrimogéneo e balas de borracha que os polícias têm utilizado contra os manifestantes desde meados de Junho. “O gás lacrimogéneo e as balas borracha são ferramentas usadas pelas forças policiais em todo o mundo e não são exclusivas da polícia de Hong Kong”, diz Ho no discurso. “Utilizados de acordo com os procedimentos de aplicação da lei, as balas de gás lacrimogéneo e borracha são uma maneira eficaz de criar uma distância entre a polícia e os manifestantes e evitar confrontos físicos e ferimentos”, acrescenta. Ho vai ainda dizer no discurso que os protestos tiveram um “impacto prejudicial” na economia de Hong Kong. 

A Chefe do Governo de Hong Kong anunciou na quarta-feira a retirada da lei de extradição, que esteve na origem dos protestos que duram há três meses no território. Apesar do anúncio do Governo os activistas pró-democracia já garantiram que os protestos iriam continuar. Motivados pela proposta que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental, os protestos evoluíram para uma campanha pró-democracia, durante a qual mais de um milhar de pessoas foram detidas, entre elas proeminentes activistas e deputados.

Neste momento, restam quatro reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as acções dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da Chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong. 

 

Lusa

 

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