Alexis Tam: “Se calhar, no futuro, quando se falar de arte, vai-se falar de Macau”

FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS

Durante uma palestra realizada no âmbito do Arte Macau, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura mostrou-se optimista relativamente ao estado da arte no território. Alexis Tam apelou ao contributo dos jovens e pediu que o público seja tolerante. Durante a palestra, o subdirector dos Serviços de Turismo sugeriu que se concentrassem obras de arte numa única rua, em Macau.

André Vinagre

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

 

“Se calhar, no futuro, quando se falar de arte, vai-se falar de Macau; e quando se falar de Macau, vai-se falar de arte”. Foi com esta frase que Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, fechou o discurso, ontem, no evento “Arte Macau: Conversa com Artistas”. Durante o encontro, Alexis Tam e Mok Ian Ian, presidente do Instituto Cultural, ouviram o realizador de Macau, Wong Su Fai, queixar-se de que, no estrangeiro, o território ainda é desconhecido no que toca à cultura. Cheng Wai Tong, subdirector da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), lançou uma sugestão: escolher uma rua de Macau e transformá-la num museu a céu aberto.

Neste evento, englobado no Arte Macau, festival de arte que acontece entre Junho e Outubro e que é organizado entre o Governo e as seis operadoras de jogo, Alexis Tam frisou que, além do Arte Macau, “desde Maio, lançámos com sucesso diversos programas excelentes, cobrindo a cultura e artes locais e estrangeiras, de exposições a espectáculos, que receberam respostas entusiásticas e uma participação activa de todas as camadas da sociedade”. Segundo os números do secretário, nove milhões de pessoas já viram as obras desta edição do Arte Macau.

Alexis Tam prosseguiu, apelando à criatividade dos jovens de Macau: “Os jovens são o grupo mais criativo e as principais forças do património e do desenvolvimento da arte”. “Espero sinceramente que através de tópicos como popularização e aperfeiçoamento, juventude e futuro, tradição e modernidade, forma e conteúdo, absorção e fusão, referência e inovação, características e diversidade, entre muitos outros, a presente conversa sobre a transmissão do património artístico possa inspirar novas ideias”, acrescentou.

Foi durante essa conversa, na qual participaram Miriam Sun, directora executiva do Museu de Arte Contemporânea de Xangai, o compositor Huang Ruo, o artista local Eric Fok e o realizador de Macau, Wong Su Fai, que o secretário ouviu o cineasta local dizer que ainda há trabalho a fazer.

“É uma pena que, quando eu trabalho em Hong Kong, no interior da China ou em Singapura, as pessoas não saibam que a obra é de Macau, não sabem que a obra é de um realizador de Macau”, referiu, pedindo: “Temos de produzir mais obras em Macau, é preciso um esforço conjunto entre as operadoras e o Governo”. Alexis Tam respondeu, depois, que já estão a ser feitos esforços nesse sentido. “O que estamos a promover é , não só uma cidade virada para a gastronomia, mas também uma cidade criativa”. Cheng Wai Tong frisou que o Governo tem “a missão de promover Macau no estrangeiro”.

O secretário pediu ainda que o público de Macau fosse mais tolerante em relação à arte e deu o exemplo da desconfiança relativamente à instalação das cabeças gigantes colocadas na Praça de Jorge Álvares, junto ao New Yaohan, intitulada “The Happy Heads” e criada pela dupla sino-francesa Benoît + Bo, sediados em Bruxelas. “Os artistas vivem há muito tempo na Bélgica e já fizeram várias apresentações, mas nunca esperaram que a sua obra fosse criticada pelos residentes locais”, disse Alexis Tam. “Nós temos de respeitar”, afirmou. O secretário acabou até por confidenciar que, aquando da sua visita à Bienal de Veneza, este ano, viu um filme inesperado: “Nós achávamos que era um filme pornográfico, claro que muita gente foi ver esse filme”. “A arte tem de ser tolerante e diversificada”, disse Alexis Tam.

O subdirector da DST, que também participou neste intercâmbio entre o Governo e jovens artistas, deu uma sugestão no âmbito da renovação urbana. Na opinião de Cheng Wai Tong, devia haver uma rua de Macau onde estivessem expostas obras de arte. “Nós podemos escolher uma rua para podermos observar obras públicas”, defendeu. Nem Alexis Tam nem Mok Ian Ian deram resposta à sugestão.

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