Exclusão dos deficientes da economia custa “7% do PIB” aos países

Kaveh Zahedi
CRÉDITOS: UNESCAP

Representante da ONU, no Rehabilitation International Asia&Pacific 2019, defende que é tempo de passar das palavras à acção. O tempo é pouco para a mudança necessária, e num continente em que o crescimento económico acelera, as pessoas com deficiência não estão a dar o passo em frente que se ambicionava. E isso terá, inevitavelmente, uma consequência económica.

João Carlos Malta

Joaomalta.pontofinal@gmail.com

O secretário-executivo para o desenvolvimento sustentável da Comissão Económica e Social para Ásia e Pacífico das Nações Unidas, Kaveh Zahedi, traçou um cenário negro da região — durante a sessão de abertura do “Rehabilitation International Asia&Pacific 2019” — em relação à vida das pessoas com deficiência: têm mais propensão para serem pobres, menos acesso à educação, menos cuidados de saúde, e maior probabilidade de estarem desempregados. A tudo isto, soma-se uma baixa representatividade nas decisões políticas.

“As pessoas com deficiência ainda têm uma tremenda propensão para a pobreza extrema, são afectadas por grandes níveis de desemprego, e estão sub-representados nas decisões políticas, e nos processos políticos”, afirmou Zahedi. O mesmo representante da ONU disse, de seguida, que as pessoas com deficiência têm “uma baixa escolaridade” e reduzido “acesso às escolas, à saúde e aos serviços”. “A descriminação particularmente contra raparigas e mulheres com deficiência, continua. Estamos longe de viver sob o lema de ‘ninguém fica para trás’, como era prometido pela agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”, criticou.

O aumento da desigualdade na Ásia está a afectar este grupo, com a desigualdade de rendimento a crescer também, o que tem consequências em relação ao acesso a muitos serviços. “As pessoas com deficiência obtiveram baixos progressos em vários objetivos: como o de terminar o ensino secundário, conseguir um emprego a tempo inteiro ou alcançar um salário decente”, identifica.

Kaveh Zahevi diz que esta questão não é apenas social, tem também uma dimensão económica. “A exclusão de pessoas com deficiência da participação na economia custa aos países 7% do PIB. O investimento deficitário neste grupo está a tornar-se numa barreira ao desenvolvimento”, defendeu o secretário-executivo das Nações Unidas.

 

A envelhecer

 

Outro desafio importante que toda Ásia vai enfrentar, é o envelhecimento da população. “O número de idosos vai crescer de 600 milhões para 1,3 mil milhões, em 2050”, apontou o conferencista. Isso significa que um em cada quatro habitantes vai ter mais de 60 anos. “Em alguns países, mais de metade dos portadores de deficiência terá mais de 60 anos”, explicou o Zahevi.

A Ásia é um continente em que os desastres naturais são mais frequentes do que em outras zonas do globo, e os “riscos destas catástrofes são muito maiores para os deficientes”. “Ainda assim, apenas alguns governos têm programas de apoio para estas pessoas durante este tipo de evento”, elucida o elemento da instituição liderada por António Guterres. 

Por todas estas razões, para o secretário-executivo para o desenvolvimento sustentável da Comissão Económica e Social para Ásia e Pacífico das Nações Unidas, as estratégias de Incheon e de Pequim para o desenvolvimento sustentável, “não tiveram acção na nossa região, na escala necessária para fazer a diferença na vida das pessoas”.

 

Os quatro caminhos da mudança

 

Mas Zahevi não se limitou a fazer a análise do “estado da arte”, deu também soluções para ultrapassar a actual situação. Para isso, apresentou quatro campos em que é necessário apostar para conseguir mudanças reais. O primeiro da lista é o investimento, área na qual — para atingir os objectivos de desenvolvimento sustentável até 2030 — é necessária uma injecção adicional de 1,5 triliões de dólares norte-americanos, sendo que metade desse valor deve seguir para políticas que afectem directamente as pessoas. 

Outro segmento em que é necessário fazer alterações é o da colecta de dados sobre este universo. “É importante, para que haja informação sobre os deficientes, e esteja disponível, para que seja possível fazer comparações entre países”, afiançou. “É imperativo que se produzam dados fiáveis”, acrescentou.

Outro ‘driver’ da mudança é a tecnologia — através da inteligência artificial, e da automação — que está a mudar “a nossa forma de viver, bem como os locais de trabalho”. “A robótica está a alterar a vida das pessoas, e aqui na conferência podemos ver um software para invisuais que permite interagir com o sistema operativo Windows, ou cadeiras de rodas que são controladas por um telemóvel e por um sistema de voz”, afiança.

Por fim, Kaveh Zahedi argumenta que “a inclusão de pessoas com deficiência faz sentido para a economia”. “Traz crescimento e alarga o mercado a mais de mil milhões de pessoas que ou têm uma deficiência ou um familiar com deficiência”, finalizou.

 

 

 

 

 

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