
O primeiro livro do poeta chinês Jidi Majia a ser publicado em Portugal, “Palavras de Fogo”, chega este mês às livrarias e é uma janela aberta para a paisagem da China, com as suas múltiplas etnias, culturas e tradições. “Os poemas de Jidi Majia são janela para uma paisagem remota, mesmo debaixo dos nossos olhos: sacerdotes cerimoniais, caçadores que sopram chifres e se fazem ouvir pelas montanhas, montados em selas ornamentadas, o galope dos cavalos misturado com a melodia do berimbau nuosu”, descreve o escritor português José Luís Peixoto, tradutor do livro, editado em Portugal pela Rosa de Porcelana.
José Luís Peixoto espera que esta seja uma “leitura importante, [uma] janela a mostrar-nos mais deste mundo imenso, simultaneamente uno e múltiplo”. Com chegada prevista às livrarias portugueses ainda durante este mês, “Palavras de Fogo” é o primeiro livro publicado em Portugal da autoria de Jidi Majia, poeta chinês com mais de 20 obras, traduzido para mais de vinte idiomas e publicado em mais de trinta países. Esta edição foi este sábado apresentada no Festival Literário de Macau por José Luís Peixoto.
Na introdução, que assina, o escritor português fala da importância da tradução desta obra para português, na medida em que poesia possa ser o elo de contacto “entre duas culturas, distantes no espaço, com experiências e visões próprias e, ainda assim, partilharem tanto”. “A imensidão da China, distorcida pela distância a que a observamos, nem sempre permite que se tome consciência da sua enorme diversidade”, afirma José Luís Peixoto, sublinhando que são mais de cinquenta as etnias que compõem o país, cada uma com marcados elementos culturais próprios, como a língua, as crenças ou os costumes.
O Estado refere-se a estes grupos como “nacionalidades”, sendo compostos por uma população de mais de 90 milhões de pessoas, dos quais os Yi (ou povo nuosu) – grupo étnico minoritário a que pertence Jidi Majia – são cerca de nove milhões, ocupam principalmente as montanhas de Liangshan, no sudoeste da China, cobrindo parte das províncias de Sichuan, Guizhou, Guangxi e Yunnan, e estiveram fora do alcance do governo chinês até meados do século XX.
Sobre a tradução da obra, José Luís Peixoto conta que a vontade de a fazer nasceu por ter lido uma parte destes poemas justamente enquanto visitava as províncias de Sichuan e de Yunnan. O escritor português só lamenta não saber ainda suficiente mandarim para poder traduzir estes textos a partir do original. A primeira versão da tradução foi, então, feita a partir das traduções inglesa, francesa, galega e castelhana.
