Escolas estrangeiras prometem cumprir lei do hino, mas levantam problemas de espaço

FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS/ARQUIVO

A partir de 1 de Junho, todas as escolas de ensino primário e secundário do território, sem excepção, vão ter que realizar a cerimónia do hastear da bandeira uma vez por semana. Os directores de instituições de ensino estrangeiras contactados pelo PONTO FINAL garantem que vão cumprir com as disposições, mas problemas de espaço podem impedir a concretização do cerimonial nos termos desejados pelo Governo.

Catarina Vila Nova

catarinavilanova.pontofinal@gmail.com

Quatro das escolas estrangeiras de ensino primário e secundário de Macau prometem cumprir com as novas disposições da lei do hino, mas alegam problemas de espaço para não conseguirem realizar semanalmente a cerimónia do içar da bandeira ou com todos os alunos. Isto mesmo disseram ao PONTO FINAL os directores da Escola Portuguesa de Macau, Escola das Nações, Escola Internacional de Macau e Colégio Anglicano. Destas três instituições, só a de currículo português é que não tem condições, neste momento, para realizar este cerimonial, enquanto que, na Escola das Nações e na Escola Internacional de Macau, tal já acontece. No Colégio Anglicano ainda não é realizada esta cerimónia, mas o director Robert Alexander assegura que isto vai começar a acontecer a partir de 1 de Junho.

O regulamento administrativo anexo à lei do hino, em vigor a partir de 1 de Junho, indica que “nas escolas de ensino primário e secundário integradas na educação regular do regime escolar local é realizada uma vez por semana uma cerimónia do hastear da bandeira nacional”. Ontem, a DSEJ assegurou ao PONTO FINAL que as novas directrizes vão entrar em vigor a partir de 1 de Junho. “A partir de 1 de Junho, as escolas com condições terão que realizar uma cerimónia do içar da bandeira semanalmente. Para aquelas que não têm condições, a DSEJ irá ajudar a criar as condições necessárias”, afirmou o organismo. “Esta direcção de serviços disponibilizará recursos pedagógicos, nas versões chinesa, portuguesa e inglesa, às escolas primárias e secundárias de Macau”, afirmou a DSEJ. A lei do hino indica que “o hino nacional é integrado no ensino primário e secundário da educação regular do regime escolar local, organizando-se os alunos para aprenderem a cantar o hino nacional e ensinando-lhes a compreender a sua história e o seu espírito”.

 

ESCOLAS VÃO CUMPRIR

 

“Pela chamada que recebi de um funcionário da DSEJ, a cerimónia [do içar da bandeira] deve ser realizada uma vez por semana, e se essa é a regra que eles requerem, então a escola vai, obviamente, obedecer. Na conversa não foi estipulado o número de alunos que devem estar presentes, mas claro que vamos expor o máximo de alunos possível à cerimónia, mas penso que isso também depende das disposições internas da escola”, disse Robert Alexander, em declarações ao PONTO FINAL. Questionado sobre se, actualmente, o Colégio Anglicano já realiza cerimónias do içar da bandeira, o director respondeu que “neste momento não, mas é algo que temos que implementar até 1 de Junho”. “É suposto que seja implementado a partir de 1 de Junho, por isso, a partir de Junho, nós vamos começar a testar a cerimónia do içar da bandeira e o nosso departamento de Chinês vai ajudar os alunos a aprender sobre isso”, acrescentou o professor, ressalvando que, “logisticamente”, não será possível ter todos os estudantes presentes na mesma cerimónia.

Manuel Machado, presidente da direcção da Escola Portuguesa de Macau (EPM), garantiu também que a instituição vai cumprir com o que estiver estipulado na lei, mas sublinhou que, por causa de limitações de espaço, não é possível realizar cerimónias do hastear da bandeira. “Obviamente que nós, sendo uma escola de Macau com alvará de funcionamento concedido pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, temos obrigação de cumprir o que está estipulado na lei, mas as condições físicas das diferentes escolas não são as mesmas”, afirmou. “Nós estamos em condições de expor a bandeira da República Popular da China nas nossas instalações, mas não ainda hasteada num mastro alto visível de vários pontos do exterior”, disse Manuel Machado, admitindo a possibilidade de, “sendo criadas as condições para que isso aconteça”, a EPM comece a realizar cerimónias do hastear da bandeira.

Vivek Nair, director da Escola das Nações, revelou ter sido contactado pela DSEJ, já no ano passado, a propósito de um subsídio para financiar a instalação de um mastro para realizar a cerimónia do içar da bandeira. “Nós dissemos que sim e agora temos uma haste na escola e já realizamos uma cerimónia”, disse o professor. Questionado sobre se a instituição estaria disponível para realizar este cerimonial uma vez por semana, Nair indicou não ter recebido esta informação, pelo que ainda não considerou o assunto. “Ainda não recebi qualquer directiva dessa natureza, por isso, quando receber, vou reunir-me com a minha equipa e tomar uma decisão”, afirmou. Sobre o número de alunos presentes nestes momentos, também Vivek Nair explicou que a escola não tem condições para reunir todo o corpo estudantil numa mesma cerimónia.  

Mark Lockwood, director da Escola Internacional de Macau, confirmou que as cerimónias do içar da bandeira já acontecem no Dia da Implantação da República Popular da China e no Dia da RAEM. Segundo explicou, uma vez que a Escola Internacional de Macau se encontra no campus da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), o professor não está certo de como é que a regra do cerimonial semanal se aplicará a esta instituição. Lockwood acrescentou que “alguns dos alunos” participam nestas cerimónias que são organizadas pela instituição de ensino superior. “Uma vez que estamos no campus da MUST, nós participamos nas cerimónias do içar da bandeira da MUST”, referiu o director.

 

ALUNOS VÃO APRENDER A CANTAR A “MARCHA DOS VOLUNTÁRIOS”

 

Em termos curriculares, nada vai mudar na EPM com as alterações à lei do hino. “No nosso currículo, no âmbito da lecionação da História e Geografia de Macau e da China, ensinamos os símbolos nacionais chineses e ensinamos a letra – num dos manuais está também a música do hino nacional da República Popular da China”, explicou Manuel Machado, sublinhando que, “em termos curriculares, não há alteração nenhuma no que diz respeito à Escola Portuguesa”. O mesmo sucede na Escola Internacional de Macau, onde a bandeira e o hino nacionais eram já ensinados nas aulas de Mandarim. “Faz parte do currículo da Escola Internacional de Macau e nós temos a bandeira em exposição na nossa escola”, disse Mark Lockwood.

Já na Escola das Nações e no Colégio Anglicano, o currículo terá que ser ajustado para cumprir com as disposições da nova legislação. “Não é ensinado. Eu sei que, a partir de 1 de Junho, devemos implementar certas disposições daquela lei. Será feito através do nosso programa de língua chinesa”, explicou Robert Alexander. Vivek Nair sublinhou que, até ao momento, o ensino do hino e da bandeira não era obrigatório, mas sim encorajado. “Não era incluído no currículo e, neste momento, a única mudança é que, agora, vamos assegurar-nos que, durante as aulas de Mandarim, [os alunos vão aprender a cantar] o hino nacional”, afirmou o director da Escola das Nações.