Suplemento de Cinema Panorama: À terceira edição, o IFFAM adiciona secção de competição para filmes em língua chinesa

Green Book
Filme de abertura, “Green Book” (EUA), do realizador Peter Farrelly (FOTO IFFAM)

Há mais de 50 filmes para ver este ano, na 3ª edição do Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios (IFFAM, na sigla inglesa), entre 8 e 14 de Dezembro. A organização revelou ontem a lista completa das longa-metragens que integram as várias secções, assim como os 11 filmes em competição internacional, mais os seis na nova secção dedicada ao Novo Cinema Chinês. Não há nenhum filme em competição falado em português, mas o público de Macau vai poder ver a estreia no território de “Hotel Império”, de Ivo M. Ferreira.

TEXTO: Cláudia Aranda

A organização do Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios (IFFAM, na sigla inglesa) anunciou ontem os 11 filmes internacionais em competição, mais os seis em língua chinesa em competição numa nova secção dedicada ao Novo Cinema Chinês. A terceira edição do evento vai acolher, igualmente, a estreia em Macau do filme do realizador Ivo M. Ferreira, “Hotel Império”, filmado em 2017. A sessão inaugural do 3º IFFAM está marcada para dia 8 de Dezembro, às 19 horas, no Centro Cultural de Macau, seguida, às 20h30, da exibição do filme de abertura, “Green Book”, dos Estados Unidos da América (EUA), do realizador Peter Farrelly.

Entre 8 e 14 de Dezembro, 52 filmes vão ser exibidos em Macau, dos quais uma boa parte são em língua chinesa. Para além desta programação, que inclui filmes de várias origens, o festival vai mostrar 14 curtas-metragens e documentários que se destacaram no programa “Macau – O Poder da Imagem”. Este projecto promovido pelo Centro Cultural de Macau, desde há 11 anos, já apoiou a produção local de mais de 100 vídeos.

Há duas longa-metragens, filmadas no território, que integram a secção “Macau no grande ecrã”, para cuja exibição vão ser organizadas sessões de gala: trata-se da co-produção entre Portugal, Macau, China continental e Líbano, “Hotel Império”, que teve a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Pingyao, em Outubro; e “Nobody nose”, produção chinesa protagonizada por Gordon Lam. A contracenar com a actriz portuguesa Margarida Vila-Nova em “Hotel Império”, está o protagonista Rhydian Vaughan, actor de origem britânica e taiwanesa, que foi embaixador-estrela da primeira edição do IFFAM.

O Novo Cinema Chinês em destaque

A somar à já existente secção de competição internacional, dedicada a primeiras e segundas obras de realizadores de todo o mundo, a edição deste ano do festival apresenta como novidade uma secção em competição dedicada ao Novo Cinema Chinês. A responsável pela Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST) e presidente da comissão organizadora do IFFAM, Maria Helena de Senna Fernandes, explicou que esta secção surge da vontade de incluir mais cinema de realizadores veteranos, clarificando que a secção se destina a produções em língua chinesa. “Nesta nova secção podem entrar realizadores que tenham mais experiência, que não seja já a primeira ou segunda obra, a condição é que falem em chinês ou qualquer dialecto chinês”, esclareceu a responsável.

A directora da DST adiantou que, “nos últimos dois anos, temos ouvido bastantes opiniões, do cinema chinês, eles querem ter uma participação mais activa no festival. Como na parte da competição temos mantido que queremos que seja uma plataforma para novos directores, [a obra em competição] tem que ser o primeiro ou o segundo filme do realizador, e como da parte do cinema chinês, os realizadores que têm mais experiência também querem participar no festival, por isso, sentimos a necessidade de criar uma plataforma para cinema chinês”, esclareceu Maria Helena de Senna Fernandes. Na opinião da responsável, “há bastante produção de filmes chineses”, sendo que esta secção “é dedicada aos filmes que utilizam a língua chinesa”. “Por exemplo, temos um filme que é da Malásia, mas falado em chinês [“Fly By Night”]. Também podem ser outros dialectos chineses”, adicionou a responsável.

O orçamento do festival, este ano, anda a volta do montante de edições anteriores, 55 milhões de patacas, sendo que a contribuição do Governo de Macau é de 20 milhões, adiantou a directora da DST.

Festival pode ser rampa de lançamento de criativos locais

Maria Helena de Senna Fernandes defendeu que com a organização do festival de cinema, a DST quer, também, “criar uma plataforma para fazer avançar as indústrias criativas de Macau. “Acho que o festival tem este papel, de continuar a ajudar a indústria criativa de Macau”, constituindo “esta plataforma de intercâmbio entre o ocidente e as nossas produções”, acrescentou.

O IFFAM é também uma boa oportunidade para o público de Macau ver cinema de qualidade, disse a responsável, referindo que, em 2017, o IFFAM mostrou o filme “The Shape of Water”, de Guillermo del Toro, vencedor do óscar para melhor filme na 90ª edição da “Academy Awards”, em 2018.

“Este ano também temos vários filmes que têm possibilidades, segundo o nosso director artístico, que podem ir longe nos grandes festivais e nos grandes prémios. Por isso, da nossa parte, achamos que é uma boa oportunidade para que a audiência, os residentes de Macau, possam ver filmes de alto nível”, reforçou a responsável.

Sobre a adesão do público local à iniciativa, inicialmente reduzida, Maria Helena de Senna Fernandes defendeu que, no ano passado, “já teve um melhoramento”, justificando que, na primeira edição, “os filmes foram confirmados muito tarde e, por causa disso, não houve a possibilidade de fazer uma projecção como deve ser. O ano passado e este ano já estamos a anunciar os diferentes filmes e convidados que vão participar, por isso, acho que já estamos a melhorar muito nestes aspecto”, disse. A responsável reconheceu que, “para incentivar as pessoas a vir ver os filmes, temos que ter bons filmes, mas também temos que fazer a divulgação”.

Para além da projecção de filmes, o IFFAM inclui secções dedicadas à indústria. O IFFAM Project Market (IPM) – denominado na primeira edição do IFFAM por “Crouching Tigers Project Lab” – acontece entre 9 e 11 de Dezembro e destina-se a proporcionar encontros entre realizadores de cinema e especialistas da indústria e investidores. Este ano, esta plataforma seleccionou 14 projectos para longa-metragens, sete dos 14 são projectos de cineastas do sexo feminino. De Macau, foram selecionados dois projectos,“Wonderland”, de Chao Koi Wang, e “Lost Paradise”, de Tracy Choi.

 

 

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