This is My City, mais global, traz RE-TROS e Celeste Mariposa a Macau e leva Wu Tiao Ren ao Brasil

foto manchete (6).jpg
Mentor e um dos fundadores do festival, Manuel Correia da SilvA (FOTO EDUARDO MARTINS)

Re-TROS, a banda mais internacional de Pequim, e os Afro Bailes do projecto Celeste Mariposa são os destaques este ano do This is My City Festival – Global Creative Network (TIMC) que, em 2018, vai ao Brasil. Ontem foi revelado parte do programa do festival que pretende ser cada vez mais multidisciplinar. O evento, feito “de redes e cumplicidades”, foi criado em 2006 e está a alargar-se todos os anos, em resultado da necessidade dos organizadores quererem conhecer o que há “para lá de Macau e conseguir levar aquilo que Macau tem”.

TEXTO: Cláudia Aranda

Em 2018, o This is My City Festival – Global Creative Network (TIMC) alarga fronteiras, organizando um ‘Tour Fest’ que começa em Zhuhai, Shenzhen, na China continental e Macau, entre 22 e 25 de Novembro, e termina em São Paulo, Brasil, entre 5 e 9 de Dezembro. Este ano o festival apresenta o maior cartaz desde o seu início, em 2006, promovido pela associação cultural +853. Todos os eventos são gratuitos, frisou o mentor e um dos fundadores do festival, Manuel Correia da Silva.

Além da música, o evento pretende “abordar uma outra área das indústrias criativas, neste caso, a fotografia”, adiantou Manuel Correia da Silva. “Isso é para nós importante porque acreditamos que este não deve ser só um festival de música, não é isso que ele quer ser, nós queremos, cada vez mais, mostrar-nos como um festival multidisciplinar. Na verdade, cada vez mais os artistas são multidisciplinares e nós queremos que o festival seja um reflexo disso também”, acrescentou.

O festival cresceu em número de dias, de eventos e na área geográfica “graças a mais alguma apoio financeiro que fomos capazes de encontrar”, disse o organizador. Mas, “acima de tudo, graças a esta rede de pessoas que se vai organizando e coordenando e encontrando, as oportunidades certas para que possamos estar presentes nos eventos uns dos outros. Este ano conseguimos coordenar com São Paulo”, prosseguiu. O apoio financeiro, de cerca de meio milhão de patacas, provém na maior parte do Governo de Macau. A organização conta com o apoio logístico, também, de associações e entidades privadas.

Ontem foi revelado parte do programa do festival que tem como cabeça de cartaz a banda Re-TROS (Rebuilding the Rights of Statues), uma formação musical de pós-punk chinês, considerada a banda de rock da China continental com mais influência internacional. O grupo já actuou em festivais na Europa e nos Estados Unidos, além de ter feito as primeiras partes de bandas como os Depeche Mode e os The XX, bem como os Gang of Our e os PiL – de John Lydon dos Sex Pistols. Re-TROS é uma das bandas mais significativas do panorama Indie chinês e vai tocar pela primeira vez em Macau, a 25 de Novembro, nas Oficinas Navais 2.

Celeste Mariposa, a espalhar a música africana em português

Outro dos pontos altos do cartaz do TIMC 2018 é o projecto baseado em Lisboa, Celeste Mariposa, criado em 2008 por Francisco Sousa e Wilson Vilares, “dedicado a espalhar a palavra e promover a música dos países africanos de expressão portuguesa”, refere o comunicado da organização. Celeste Mariposa irá organizar Afro Bailes no The Oil Bar, em Shenzhen, a 23 de Novembro, e, em Macau, no D2 Club, a 24 de Novembro, assim como no espaço da Live Music Association (LMA) a 25 de Novembro.

As noites do TIMC vão trazer outro nome importante do universo da dança de Lisboa. João Vieira, a mente por trás de duas das maiores bandas independentes de Portugal, X-Wife e White Haus, que irá actuar como DJ Kitten, no The Oil Bar, em Shenzhen, a 23 de Novembro, e em Macau, no D2 Club, a 24 de Novembro, e no LMA, a 25 de Novembro. Outro momento musical de destaque do TIMC será́ o concerto da banda indie de Macau, Forget the G, também a 24 de Novembro, nas Oficinas Navais 2. Forget the G é um grupo que combina a música experimental com o pós-rock, adicionando elementos multimédia às suas actuações ao vivo.

O conceito do festival tem estado a consolidar-se a cada ano, também, com a criação e consolidação de redes e de “cumplicidades”. Manuel Correia da Silva explicou que “esta ideia de ser um ‘tour’ festival, um festival em andamento, um festival que consegue, num espaço de tempo relativamente curto, estar representado em várias cidades, para nós parece-nos algo inovador e necessário. Isto também nasce de uma necessidade nossa de querer conhecer para lá de Macau e conseguir levar aquilo que Macau tem: chegar a Shenzhen, poder ter o Celeste Mariposa a tocar kuduro, mornas e funanás e, ao mesmo tempo, estar em São Paulo a mostrar os Wu Tiao Ren, com um folk e um dialecto muito específico da província de Cantão, fazer isso só mesmo indo lá. Por isso, essa ideia do ‘tour festival’ é muito importante. Isto implica viajar com eles, interessa-nos que, para criar a rede, se criem cumplicidades, e a viajar criam-se cumplicidades”. É importante “envolvermos para construirmos qualquer coisa juntos”.

1. this is my city.jpg
Mentor e um dos fundadores do festival, Manuel Correia da SilvA (FOTO EDUARDO MARTINS)

“Olhar para cidades onde temos capacidade de fazer a diferença”

Para o ano, “há datas importantes a celebrar relativamente a Macau e às relações da China com Portugal, e nós queremos poder alargar esta rede que queremos que seja o mais global possível e queremos estar presentes em Portugal”, disse Manuel Correia da Silva.

O alargamento do evento para norte do Delta do Rio das Pérolas também não está posto de parte. “Acho que a cidade de Pequim se justifica, por exemplo, grande parte dos conteúdos e das bandas que estamos a trabalhar, a maior parte deles são de Pequim. No entanto, tentamos olhar para cidades onde temos capacidade de fazer a diferença, isto porque olhando para a cidade de Pequim, que está completamente esgotada, é muito difícil fazer algum impacto. Às vezes, é olhando para cidades de segundo ou terceiro nível que conseguimos fazer mais com menos. Portanto, é esse equilíbrio que tem que se ir construindo”, disse Manuel Correia da Silva. Na opinião do criativo, no final, essa construção “quase sempre resulta de pessoas, por isso, é preciso encontrar as pessoas certas para conseguir que as coisas aconteçam”.

A edição deste ano do TIMC também procura pôr em contacto artistas e projectos chineses e lusófonos, promovendo conferências e eventos de ‘networking’ com o objectivo específico de ligar os mercados asiáticos, europeus, africanos e sul-americanos. É por isso que o TIMC abre a 22 de Novembro com uma conferência sob o tema “Global Creative Network” nas Oficinas Navais 2, às 18 horas.

Outros destaques do TIMC 2018 são as conferências “Live Houses and the City”, no dia 24 de Novembro, às 16 horas, e “Festivals and the City”, no dia 25 de Novembro, as 15 horas, nas Oficinas Navais 2, que vão incluir nomes de Macau, da China continental e de Portugal da indústria musical. João Vaz, da produtora portuguesa Pataca Discos, é um dos oradores, bem como Márcio Laranjeira, da promotora portuguesa Lovers & Lollypops, responsável por organizar o Festival Tremor nos Açores, Portugal, e Luís Viegas, da agência musical portuguesa Até́ ao Fim do Mundo.

Este ano, o TIMC irá também participar no SIM São Paulo 2018 – Semana Internacional de Música de São Paulo, uma das mais importantes convenções de música da América Latina, entre 5 e 9 de Dezembro, no Brasil. Representantes do TIMC estarão na conferência “Festivals and the city”, mas também irão levar a banda chinesa de rock Wu Tiao Ren para participar num dos serões musicais do SIM.

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s