Taguspark quer captar empresas chinesas e já tem em cima da mesa contrato para receber ‘startups’


O Departamento do Comércio do Condado de Jiashan apresentou ao Taguspark uma proposta de contrato, revelou ao PONTO FINAL Eduardo Correia. Segundo explicou o presidente executivo do parque tecnológico localizado em Oeiras, este contrato tem em vista a fixação de empresas chinesas em Portugal.

 

Catarina Vila Nova

 

De passagem pela China para atrair empresas chinesas a fixarem-se em Portugal, Eduardo Correia, presidente executivo do Taguspark, recebeu do Departamento do Comércio do Condado de Jiashan, próximo de Xangai, uma proposta de contrato, revelou o empresário em declarações ao PONTO FINAL. Este contrato deverá resultar na fixação de ‘startups’ daquela zona e seu desenvolvimento no parque tecnológico localizado em Oeiras que, a acontecer, serão as primeiras empresas da China a sediarem-se no Taguspark. Por estes dias, Eduardo Correia encontra-se em Macau para participar na primeira conferência sobre inovação de conhecimento entre a China e os países de língua portuguesa e latino-americanos, que ontem decorreu na Universidade Cidade de Macau.

O Taguspark, explicou Eduardo Correia, tem vindo a trabalhar no sentido de estabelecer contactos e receber delegações de parques de ciência e tecnologia da zona de Xangai, interessados em realizar projectos em Portugal. Um deles, adiantou o empresário, é o Shanghai International Medical Zone, mas foi o Departamento do Comércio do Condado de Jiashan, na província de Zhejiang, que apresentou já uma proposta de contrato para o Taguspark receber e ajudar a promover ‘startups’ daquela zona. “Nós vamos assinar o contrato, espero, no próximo mês mas, acima de tudo, estou muito interessado em identificar a primeira ‘startup’ da região que possa transferir-se para o Taguspark. Isso sim é o fim em si e é isso que nós sabemos fazer, é transformar pequenas empresas e boas ideias em ideias que vingam no mercado”, afirmou o também professor do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), acrescentando que esta “será a primeira empresa chinesa a estabelecer-se no Taguspark”.

A este jornal, Eduardo Correia revelou que o Taguspark se prepara para alargar o espaço da sua incubadora para o dobro e que pretende que este crescimento se traduza numa maior internacionalização. “Estamos muitíssimo interessados em que esse alargamento corresponda também a uma internacionalização e a internacionalização significa atrair para ali empreendedores provenientes de outras regiões e a China é, evidentemente, um alvo muito interessante”, afirmou o também antigo professor da Universidade de Macau.

 

“É SENSATO QUE A CHINA PROCURE NOVOS DESTINOS, NOMEADAMENTE A EUROPA”

 

A captação de empresas é, de resto, apenas uma das vias pelas quais o Taguspark pretende enveredar, sendo a outra a promoção de produtos ali produzidos no mercado chinês. “Vejo também com interesse a apresentação de produtos oriundos das ‘startups’ que trabalham no Taguspark para o mercado chinês. Estas matérias têm que ser vistas como bidirecionais para poderem ser interessantes”, afirmou Eduardo Correia. Neste sentido, preocupa-o o requisito da transferência de tecnologia exigido por Pequim para a entrada de empresas estrangeiras na China? “Não, eu penso que isso é uma situação absolutamente normal e vejo isso com grande naturalidade. É normal que a China, com o poder que tem e com o potencial de consumo que tem, tenha direito a fazer um conjunto de exigências que são, do ponto de vista chinês, sensatas”, considerou o empresário.

Contudo, Eduardo Correia não ignora os “momentos de incerteza” que a China hoje vive “relativamente à forma como este crescimento se está a disseminar pela sociedade”. “Há alguma incerteza face ao excessivo aquecimento que a economia possa ter. Por outro lado, vê-se hoje perante um desafio novo que são as enormes taxas alfandegárias que foram impostas pelos Estados Unidos aos produtos chineses”, afirmou o professor. Para o empresário, a solução para Pequim pode estar na Europa. “Perante este desafio e esta nova abordagem é sensato que a China procure novos destinos, nomeadamente a Europa que, enquanto continente, é muito poderosa. A China tem hoje o segundo maior GDP [PIB] do mundo, aproximou-se muito dos Estados Unidos, mas se fizermos o somatório a Europa está muito perto destas realidades”, destacou.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s