Open House Macau: Adesão do público está a superar as expectativas

Novo campus da Universidade de São José, na Ilha Verde
Fotografia: Eduardo Martins

Os organizadores do evento Open House Macau apontavam para uma participação de mil pessoas e já contam com mais de 500 registos nas visitas guiadas. As vagas para visitas ao edifício Rainha D. Leonore ao antigo Hotel Bela Vista já esgotaram. Há 50 edifícios para visitar no fim-de-semana, nos dias 10 e 11 de Novembro, todos com entrada livre, alguns com acesso condicionado exigem inscrição prévia.

Cláudia Aranda

 

Com o aproximar do evento Open House Macau, que se realiza este fim-de-semana, nos dias 10 e 11 de Novembro, o número de inscrições nas visitas guiadas gratuitas aos 50 edifícios que vão abrir portas ao público, reunidos domingo e segunda-feira, já ultrapassava os 500 registos, adiantou ao PONTO FINAL o curador do evento, o arquitecto Nuno Soares. “Está a superar as nossas expectativas, nós tínhamos contado ter uma adesão de cerca de mil pessoas e já vamos ter mais de 500, além das entradas livres. Até ver, está a correr bem melhor do que estávamos a contar”, disse.

O arquitecto adiantou que háedifícios que já estão completos, como é o caso doprédio modernista Rainha D. Leonor, projecto de 1959 concluído em 1961, e do antigo Hotel Bela Vista, actual residência oficial do cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, prédio neo-clássico, de 1870, “que tiveram muita adesão”.  “E, há vários outros, como o Torreão do Jardim de São Francisco, que está quase cheio, a Escola Portuguesa de Macau está com muita gente, assim como o Farol da Guia, há claramente alguns edifícios que são mais populares”, adiantou.

O registo é necessário para edifícios com visitas guiadas ou com acesso condicionado. “Mas há muitos outros edifícios que vão ter acesso livre, portanto nós também não queremos passar a mensagem de que os edifícios estão a ficar todos cheios, não é o caso, e mesmo os que estão cheios se as pessoas quiserem arriscar, caso haja alguma desistência de última hora, as pessoas ainda poderão visitar esses edifícios”, assegurou o arquitecto. O curador avançou que, no caso dos edifícios com visitas guiadas, “que já estão muito cheios, se virmos que há muita adesão e que ainda conseguimos introduzir no calendário, vamos acrescentar mais vagas”.

Macau acolhe este ano a primeira iniciativa Open House a realizar-se na Ásia. Os edifícios, públicos e privados, estão organizados em cinco categorias de arquitectura, vernacular chinesa, neo-clássica, art-déco, modernista e contemporânea.

 

Arquitectos de Macau são os guias de algumas visitas

 

Uma das particularidades deste evento, com curadoria e organização da CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo,é que há arquitectos ligados aos projectos ou especialistas conhecedores da história dos edifícios que vão orientar algumas das visitas guiadas. É o caso do arquitecto Francisco Vizeu Pinheiro, que vai conduzir visitas ao novo campus da Universidade de São José, na Ilha Verde, na tarde de sábado, dia 10. O projecto de arquitectura sustentável, do japonês Koji Yagi, tem a particularidade de ter sido planeado por forma a minimizar desperdícios e o consumo de energia.

No sábado à tarde, o arquitecto João Palla vai estar a mostrar o edifício sede da TDM – Teledifusão de Macau, de Manuel Vicente. A arquitecta Carlota Bruni vai estar no sábado a comentar o Quartel de Bombeiros e Escola da Areia Preta, também de Manuel Vicente, enquanto no domingo de manhã, Rui Leão apresenta a Escola Pedro Nolasco em Macau, de 1969, actual Escola Portuguesa de Macau, de Raúl Chorão Ramalho.

Na arquitectura contemporânea, o curador da iniciativa destaca edifícios como a subestação de electricidade D. Maria, do arquitecto Vicente Bravo Ferreira, construída entre 1986 e 1988, “com um alçado muito invulgar destinado a passar cabos, a arquitectura é pensada com motivações muito funcionais, com um propósito claro e invulgar”. Nuno Soares enaltece  também “a grande qualidade plástica” das torres dos quartéis de bombeiros, “muito idiossincráticas” dos edifícios inseridos na lista dos 50.

Ainda sábado o arquitecto Adalberto Tenreiro vai comentar o Arquivo de Macau, que mistura arquitectura neo-clássica, de 1901, com contemporânea, naquilo que é o projecto de renovação do edifício, por Manuel Vicente, de 1988. Nuno Soares realçou o facto de Adalberto Tenreiro ter sido o arquitecto que acompanhou a execução, “portanto ele conhece a obra em pormenor”, sublinhou. No domingo, o investigador Jay Ho vai comentar o Pátio da Claridade, de arquitectura vernacular chinesa.

O Clube Militar, exemplo do neo-clássico, vai ter visitas comentadas no domingo pelo arquitecto Bruno Soares e por Manuel Geraldes, membro da direcção do clube – neste caso há um ‘dress code’ e calções e roupa desportiva não são aceites. Nuno Soares acrescentou que vai haver mais visitas guiadas a abrir nos próximos dias e está previsto serem lançados dois percursos urbanos ‘walk-and-talk’, no centro histórico, por edifícios que não integram o Open House.

 

Nuno Soares: Há arquitectura em Macau para assegurar evento anual

 

A lista final dos 50 edifícios que abrem portas este fim-de-semana foi publicada na semana passada. Na lista inicial constavam 200 propostas. “Nós tínhamos o objectivo de ter os 50 e conseguimos os 50. Começámos a contactar os donos dos edifícios em Julho e foi um processo longo. Foi esta relação dinâmica entre o curador e os donos dos edifícios que nós não estávamos à espera que fosse tão desafiante. Contactámos 200 edifícios para conseguirmos ter 50, portanto foi um trabalho muito exaustivo de contacto com instituições e pessoas diversas. E estamos muito contentes, o conjunto é muito rico e muito diversificado, são todos eles edifícios com histórias muito interessantes”, assegurou o curador.

Nuno Soares está seguro de que Macau tem arquitectura suficiente para sustentar a organização anual do evento. ”Há muita coisa, nós contactámos 200, portanto há outros 150 que são bastante interessantes e que ainda não entraram. Macau felizmente tem riqueza arquitectónica suficiente para mantermos este evento anualmente”, assegurou.

Este ano o Open House ficou-se só pela península de Macau e “teve uma linha curatorial focada nestes distintos períodos”. Mas “há várias outras abordagens que vamos explorar ao longos dos anos. No ano que vem, vamos ate à Taipa, e no ano seguinte, vamos até Coloane”, adiantou o arquitecto. De qualquer maneira, sublinha, “a arquitectura da cidade vai-se construindo, portanto espero que paulatinamente, ano a ano, consigamos contemporaneamente acrescentar mais obras meritórias que devam fazer parte das Open House do futuro. Estamos a trabalhar a vários níveis, nas escolas, nos nossos ateliês. A arquitectura qualificada não é uma coisa só do passado, temo-la também contemporaneamente e temos que continuar a melhorar para o futuro”, afirmou.

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