IFFAM mostra “Diamantino” e elege Tracy Choi e Chao Koi Wang para plataforma de financiamento de projectos

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A realizadora de Macau, Tracy Choi (FOTO EDUARDO MARTINS)

“Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, vencedor do Grande Prémio da Semana da Crítica do Festival de Cinema de Cannes de 2018 é o filme português que integra a secção de filmes fora de competição “Flying Daggers”, da terceira edição do IFFAM, a decorrer de 8 a 14 de Dezembro. Há ainda dois projectos de Macau seleccionados para a fase de angariação de financiamento do IFFAM: “Wonderland”, de Chao Koi Wang, e “Lost Paradise”, de Tracy Choi.

TEXTO: Cláudia Aranda

Há dois projectos de Macau seleccionados para integrarem a fase de angariação de financiamento da terceira edição do “Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios – Macau” (IFFAM, na sigla inglesa), que realiza-se entre 8 e 14 de Dezembro. O IFFAM Project Market (IPM) – denominado na primeira edição do IFFAM por “Crouching Tigers Project Lab” – acontece entre 9 e 11 de Dezembro e destina-se a dar espaço aos realizadores de cinema para mostrarem os seus projectos a especialistas da indústria e investidores. Este ano, esta plataforma seleccionou 14 projectos para longa-metragens, sete dos 14 são projectos de cineastas do sexo feminino, distinguidas pelo “trabalho dinâmico” e “diversidade de práticas e contribuições para o cinema contemporâneo”, refere uma nota oficial. Os projectos seleccionados de Macau incluem “Wonderland”, de Chao Koi Wang, e “Lost Paradise”, de Tracy Choi, realizadora de “Sisterhood”.

O assédio sexual é o tema daquela que poderá ser a terceira longa-metragem de Tracy Choi, para a qual a cineasta espera angariar entre cinco e 10 milhões de dólares de Hong Kong no Project Market, assim como conseguir o ‘feedback’ de outros realizadores e especialistas da indústria sobre como desenvolver o projecto, disse ao PONTO FINAL. A realizadora explicou que a sinopse do filme resulta da leitura de um livro de uma escritora de Taiwan, ainda antes do movimento “MeToo”, que aborda “uma história muito realista” sobre o assédio. Tracy Choi adiantou que quer explorar os dilemas interiores da vítima, que nestes casos tendem a desenvolver um sentimento de culpa e a sentirem-se “sujas” por força do julgamento que a sociedade lhes faz. A autora de várias curtas e do filme vencedor de prémios “Sisterhood” encontra-se, entretanto, em fase de pré-produção para a sua segunda longa, sobre a gravidez na adolescência, tencionando começar a filmar em Hong Kong, nos meses de Março ou Abril de 2019, enquanto o terceiro projecto deverá ter início mais para Agosto, avançou.

Conseguindo financiamento, “Wonderland” será a primeira longa-metragem de Chao Koi Wang, realizador da curta “Come, the Light”, distinguida com o prémio de melhor curta-metragem da 9ª edição do FIRST International Film Festival de Xining e no Festival Internacional de Curtas-metragens de Bangalore. Ao PONTO FINAL, o realizador adiantou que espera conseguir “entre cinco e seis milhões de patacas” para produzir uma história que tem como sinopse “a morte acidental de um jogador, que faz com que um agente de casino perca toda a sua fortuna. A partir daí, ele começa a pensar sobre o que é um país das maravilhas. Esse personagem é da China continental. No passado, Macau era o seu país das maravilhas, mas, agora, ele acha que Macau já não tem boas condições e quer encontrar um novo lugar, o verdadeiro paraíso”, explicou o realizador.

“Diamantino” na secção “Flying Daggers”

O filme português “Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, vencedor do Grande Prémio da Semana da Crítica do Festival de Cinema de Cannes este ano, integra a secção “Flying Daggers” (“Adagas Voadoras”). Esta co-produção entre Portugal, Brasil e França é um dos seis filmes fora de competição que integram a secção que destaca “o melhor na actualidade do cinema internacional de género”. A primeira longa-metragem de ficção do português Gabriel Abrantes e do norte-americano Daniel Schmidt conta a história de Diamantino, interpretado pelo actor Carloto Cotta, uma super-estrela do futebol mundial que cai em desgraça.

Integram esta secção, ainda, “Buybust”, do filipino Erik Matti, “In Fabric”, do britânico Peter Strickland, “Mandy”, do realizador italo-canadiano Panos Cosmatos, “Tumbbad”, dos indianos Rahi Anil Barve e Adesh Prasad, e “The witch: Part 1 – The Subversion”, do coreano de Hoon-jung Park.

Além dos seis filmes da “Flying Daggers”, foram anunciados os seis da secções “Director’s Choice”, que vão ser exibidos a par com o Programa de Competição Internacional, dedicado exclusivamente a primeiras e segundas obras de cineastas, com um prémio de 60 mil dólares norte-americanos para a melhor longa-metragem.

Na retrospectiva dos realizadores “Director’s Choice” incluem-se, então, “Lawrence of Arabia”, de David Lean, de 1962, escolhido por Mabel Cheung; “The Truman Show”, por Edwin, um filme de Peter Weir, de 1998. Paul Schrader escolheu o clássico de Yasujirō Ozu “An Autumn Afternoon”, de 1962. Erik Matti indicou “Once upon a time in America”, clássico de 1984, de Sergio Leone. A escolha de Ben Wheatley foi para “Hard Boiled”, de 1992, de John Woo, enquanto Phillip Noyce optou por “Bandit Queen”, de 1994, da autoria de Shekhar Kapur.

Mabel Cheung, realizadora, escritora e produtora de Hong Kong, a actriz indiana Tillotama Shome e o realizador e produtor australiano Paul Currie, junto com o presidente, o realizador chinês Chen Kaige, compõem o júri que vai decidir os vencedores do programa da Competição Internacional.

 

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