Pais de crianças com necessidades educativas especiais exigem aumento do subsídio de invalidez

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FOTO EDUARDO MARTINS

A Associação Promotora para Alunos com Necessidades de Educação Especial de Macau lançou uma petição, que conta já com cerca de seis mil assinaturas, a exigir o aumento do subsídio de invalidez. O deputado Sulu Sou vai enviar hoje uma interpelação exortando o Executivo a lançar o subsídio para cuidadores, anunciado há um ano.

TEXTO: Catarina Vila Nova

Aos quatro anos, o filho de Ruby Hui foi diagnosticado com autismo. Um ano depois, passado entre avaliações, diagnósticos e preenchimento de formulários, Lam conseguiu entrar na turma de alunos com necessidades educativas especiais, apenas para os seus pais descobrirem que a escola não oferecia terapia da fala, um tratamento que a sua mãe considera ser “fundamental” para estas crianças. Os dois anos seguintes seriam passados em viagens semanais a Hong Kong para que Lam pudesse receber terapia da fala, na ausência destes serviços em Macau. Hoje, Lam tem oito anos e, conta Ruby Hoi ao PONTO FINAL, os vários serviços de terapia já estão razoavelmente difundidos no território, mas apenas no sector privado, o que sobrecarrega financeiramente estas famílias. Daí que Ruby, vice-presidente da Associação Promotora para Alunos com Necessidades de Educação Especial de Macau, lançou a 25 de Outubro uma petição exigindo o aumento do subsídio de invalidez. A missiva, que conta já com cerca de seis mil assinaturas, será entregue ao Governo em data a anunciar.

Ao PONTO FINAL, Ruby Hui defendeu que o montante do subsídio de invalidez atribuído actualmente – oito mil patacas por ano – não é suficiente nem para cobrir o custo das sessões de terapia. “Agora o Governo dá cerca de 600 patacas por mês como subsídio de invalidez, mas eu acho que este valor é muito baixo. Para os estudantes com necessidades educativas especiais que precisam de terapia da fala, terapia ocupacional, ou qualquer tipo de terapia, cada sessão – e estou apenas a falar de uma sessão – custa 600 patacas”, explicou Ruby Hoi. “Nós queremos que eles aumentem o subsídio de invalidez e sugerimos que sigam a taxa de inflação. Se possível, gostaríamos que aumentassem para o dobro”, afirmou Hoi, que trabalha como gestora num casino.

O subsídio de invalidez é atribuído aos residentes permanentes da RAEM que tenham passado na avaliação do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência. O apoio é concedido anualmente, numa única prestação, no valor de oito mil patacas (subsídio de invalidez normal) ou de 16 mil patacas (subsídio de invalidez especial). O último ajustamento foi em Junho de 2016, para estes montantes, o que correspondeu a um aumento de 6,67%.

PARA QUANDO O SUBSÍDIO PARA CUIDADORES, QUESTIONA SULU SOU

O deputado Sulu Sou vai enviar hoje uma interpelação ao Executivo questionando quando será criado o subsídio para cuidadores, prometido para este ano. “Nós exortamos o Governo a criar o novo subsídio para os cuidadores, especialmente para aqueles que cuidam dos deficientes e das crianças com necessidades educativas especiais. Eles não podem ignorar a carga financeira dos cuidadores, pelo que este é um tipo de ajuda financeira diferente. Um é para as crianças com deficiências e o outro é para os cuidadores”, explicou o também vice-presidente da Associação Novo Macau em declarações ao PONTO FINAL.

Em Novembro do ano passado, Celeste Vong, presidente do Instituto de Acção Social (IAS), prometeu lançar, este ano, um subsídio para quem tem ao seu cuidado idosos, doentes incapacitados ou crianças com necessidades educativas especiais. Na altura, a dirigente explicou que este apoio estava já contemplado nos planos a 10 anos do Governo para as áreas da reabilitação e dos serviços de apoio a idosos. Em Julho último, Celeste Vong disse esperar que o estudo sobre a criação do subsídio para cuidadores fosse concluído ainda este ano, prevendo que todos os trabalhos estivessem concluídos no primeiro semestre de 2019.

Na interpelação que hoje será entregue, Sulu Sou questiona ainda o Governo sobre a estratégia para resolver o problema da falta de terapeutas em Macau, nomeadamente através de aumentos salariais e de melhorias do estatuto profissional. “Eu falei com muitos pais que me disseram que a falta de terapeutas é o principal problema em Macau, o que faz com que seja muito caro levar os seus filhos aos tratamentos. Os serviços dos terapeutas são o aspecto mais importante que o Governo deve melhorar”, defendeu o pró-democrata.

 

 

 

 

 

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