Nove artistas locais apresentam-se em mostra colectiva no Albergue SCM

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FOTO Eduardo Martins

Apresentando 23 obras de arte criadas por nove artistas locais, a “Exposição dos Artistas da Calçada da Igreja de São Lázaro” está actualmente em exibição no Hall D1 do Albergue SCM, onde permanece até 10 de Novembro.

TEXTO: Stacey Qiao

Através do pátio com decoração festiva, a “Exposição dos Artistas da Calçada da Igreja de São Lázaro” foi desvendada no Hall D1 do Albergue SCM na noite de Halloween. A mostra, que apresenta 23 trabalhos a tinta-da-China, de caligrafia, aguarela, gravura e entalhe de sinetes, decorre até 10 de Novembro (das 12 às 20 horas, de terça-feira a domingo e das 15 às 20 horas à segunda-feira). Com curadoria do artista Pun Ngai, a exposição apresenta trabalhos de nove artistas locais, nomeadamente Chu Yat Cho, Cheong Kuok Hong, Chong Kam Seng, Fu Sio Fan, Lao Iong Chio, Lao Weng Ian, Pun Ngai, Tam Wa Shen e Wong Iok Leng. O cartaz com o título da exposição foi redigido pelo conhecido calígrafo local Ho Pan.

Momentos antes da inauguração, Pun Ngai explicou ao PONTO FINAL: “A exposição não é organizada por nenhuma organização. Nós decidimos organizar a exposição porque nos conhecemos há muitos anos e queríamos mostrar os produtos das nossas explorações em conjunto. Pode ver esboços, pinturas a óleo, entalhe de sinetes, etc., nesta exposição. Nós acreditamos que a diversidade das formas e dos temas de arte vão criar uma experiência visual rica”.

Também os trabalhos de Pun estão, desta vez, em exposição, incluindo o esboço de um retrato e um entalhe de sinete. “Eu tenho um interesse ávido por muitas formas de expressão artística. Para além de desenho e entalhe de sinete também aprecio escultura e escultura em madeira, em parte devido ao meu antigo trabalho”, disse Pun.

O trabalho, para surpresa de alguns, não foi em nenhuma escola de artes ou museu mas em cozinhas de hotéis. “Eu fui testemunha do ‘boom’ da indústria hoteleira nas últimas décadas, com novos hotéis a abrir todos os anos e a reclamação das terras a acontecer. Eu comecei a trabalhar como cozinheiro há mais de 30 anos, num dos únicos hotéis de cinco estrelas que existiam na altura. Nesses dias aprendi a fazer esculturas de gelo, esculturas em manteiga e esculturas em frutas e vegetais para banquetes no hotel, que eram particularmente populares entre os hóspedes”, recordou Pun.

“Com a experiência em fazer este tipo de esculturas tornou-se mais fácil experimentar outros materiais e formas humanas porque eu já conhecia muito bem as características e proporções da figura humana e o essencial da criação artística. Por exemplo, uma pessoa mede, em média, sete cabeças e meia (incluindo a cabeça)”, continua. “Com isto em mente, conseguia continuar e dar asas à imaginação”.

Após a reforma, Pun pôde dedicar todo o seu tempo à arte. “Agora eu tenho o meu próprio estúdio e o meu foco está no desenho e entalhe de sinete. Tive de desistir da escultura em madeira porque o meu estúdio é num ‘tong lau’ ou prédio com vários andares, e o barulho da motosserra que usava para esculpir as formas mais grosseiras era demasiado alto para os meus vizinhos”, gracejou Pin. “Tenho que me virar para as formas mais silenciosas – entalhe de sinetes e também modelos em gesso que podem ser desenvolvidos para estátuas em bronze. Uma das minhas estátuas em bronze foi entregue ao General Vasco Joaquim Rocha Vieira, o último Governador de Macau”, disse, orgulhoso.

Falando dos outros artistas da exposição, Pun referiu que “eles têm abordagens e métodos muito diferentes. Por exemplo, o ‘Retrato do senhor Carlos Marreiros’, uma criação de tinta sobre papel de Chu Yat Cho, é muito impressionante pelo facto que carrega uma grande semelhança com o sujeito, o senhor Marreiros, o que é muito raro nas pinturas a tinta-da-china. Os trabalhos de caligrafia de Chong Kam Seng são também muito únicos – os traços e a estética são muito especiais, não consegue encontrar um segundo calígrafo com um estilo semelhante”.

Enquanto vencedor por duas vezes da “Exposição Colectiva de Artes Visuais de Macau”, Chong Kam Seng contribuiu com quatro trabalhos de caligrafia para esta exposição, todos no estilo arcaico de escrita clerical. “Os quatro trabalhos são basicamente consistentes em estilo, mas cada um tem variações subtis e inovações nos traços e na estrutura”, disse Chong ao PONTO FINAL.

Chong recebeu treino em caligrafia desde tenra idade e desenvolveu gradualmente uma preferência pela escrita clerical, uma das cinco principais categorias de caligrafia chinesa. Esta tem uma ostentação com uma onda de traços principais isolados, especialmente um traço diagonal para a direita ou para baixo. “Em comparação com outras escritas, a escrita clerical tem uma legibilidade relativamente elevada e deixa a impressão do peso histórico”, explicou Chong.

Mesmo para não falantes de chinês, Chong acredita que eles podem apreciar a beleza da caligrafia. “Eles podem imaginar o movimento de escrever cada traço em cada caractere – de facto, a caligrafia chinesa é um processo dinâmico afectado por vários factores”, sustentou. Os traços, a ordem dos traços, a estrutura dos caracteres, o equilíbrio e o ritmo, tudo influencia o resultado final, tornando cada trabalho único.

Na exposição, os observadores podem também desfrutar da paisagem do Tibete nas impressões digitais de Tam Wa Shen, da memória de uma cidade de canais nas criações de óleo sob tela de Lao Weng Ian, entre outras.

 

 

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