Raimundo do Rosário: Inundações no Porto Interior sem solução a curto prazo

Fotografia: Eduardo Martins

As inundações no Porto Interior vão continuar nos próximos dois anos, disse ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas. Raimundo do Rosário afirmou que para conseguir-se melhores resultados é preciso aguardar por obras de grande envergadura, sendo que, em princípio, só em 2021 haverá condições para o Governo avançar com a construção de comportas. Em todo o caso, o Executivo vai envidar esforços para minimizar os prejuízos nas zonas baixas da cidade.

 

Cláudia Aranda

 

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, afirmou ontem que, “a curto prazo, vai continuar a haver inundações”. “Acho que é inevitável, não consigo mesmo evitar isto, vou tentar envidar todos os esforços para minimizar os prejuízos das pessoas que estão a viver nas zonas baixas de Macau. Mas, se me perguntar se consigo resolver o problema da inundação no Porto Interior, num curto espaço de tempo, em um ou dois anos, eu não consigo”, afirmou o secretário, em sessão plenária na Assembleia Legislativa (AL), destinada a que representantes do Governo respondessem às interpelações orais dos deputados.

A discussão sobre as inundações prolongou-se com a intervenção de vários deputados, em apoio à interpelação de Ng Kuok Cheong, que questionou o Governo quanto ao ponto de situação das obras de infra-estruturas contra inundações, exigindo a apresentação de uma calendarização das obras.

“Há bocado o director disse que os resultados dos trabalhos não são satisfatórios, sim, porque não se trata de obras de pequena dimensão, mas de grande envergadura. Para conseguir melhores resultados temos que esperar pelas obras de grande dimensão, mas estamos a envidar todos os esforços para minimizar os prejuízos das zonas baixas e impactos”, reiterou o secretário.

Pouco antes, no plenário, um dos representantes do Governo havia explicado que a construção das comportas consiste numa medida de longo prazo para resolver as inundações no Porto Interior, cujo desenvolvimento ainda não era satisfatório. “Sim, o andamento não é satisfatório porque estamos ainda na fase preliminar da elaboração do plano geral, agora estamos ainda em estudos de viabilidade, estamos a fazer um estudo, que tem a ver não só com a orla marítima de Macau, mas também de Zhuhai. Alguns estudos já foram enviados para o Governo Central e encontram-se à espera de aprovação”, referiu o responsável.

Raimundo do Rosário explicou que, em relação às inundações, o Governo tem planos de obras de curto, médio e longo prazo, que em relação ao Porto Exterior, Ilha Verde, Fai Chi Kei e Coloane “elaborámos um plano para proteger aquelas zonas”, disse. O secretário explicou ainda que os trabalhos são desenvolvidos “com a cooperação e apoio do interior da China, que as empresas envolvidas são todas do interior da China, mesmo aqueles planos para 10 anos, 20 anos, também são feitos por empresas do interior da China, ou seja, são desenvolvidos em colaboração com empresas do continente”.

Adirectora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, Susana Wong,fez a apresentação de algumas das obras e das dificuldades no Porto Interior, referindo que vão ser construídas comportas por forma a elevar a capacidade de transbordo das águas do mar ou intrusão da água do mar, com uma altura de 2,3 metros. A “situação mais complicada” é no Porto Interior, que exige a construção de cerca de dois quilómetros de comprimento de tubagens subterrâneas, prevendo-se que só em 2021 haverá condições para o Governo avançar com a construção de comportas.

O Executivo afastou a possibilidade de construir um aterro para resolver o problema de inundações, porque “os aterros têm que ser autorizados pelo Governo Central, por isso é que optámos pelas comportas”. “Tivemos apoio do Governo Central e de Zhuhai, quanto às comportas, até ao momento estamos todos a envidar esforços para evitar os aterros”, referiram os representantes do Governo.

O secretário adiantou que as alterações climatéricas são também responsáveis pelo aumento das dificuldades nos trabalhos desenvolvidos. “Estamos a fazer mais, mas depois de algum tempo as pessoas começam a dizer que os resultados não são satisfatórios, porquê? Acho que tem que ver com as alterações climatéricas, porque estamos a trabalhar mais, mas a situação está a piorar”, afirmou. Por outro lado, indicou o secretário, “no Porto Interior, uma obra não é simples, temos aquelas pontes-cais e não é fácil dialogar com os diferentes proprietários”, disse, respondendo à proposta para a criação de soluções contra inundações que integrem passeios na marginal e linhas de metro junto à orla marítima.

 

 

 

 

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