Projecto consagrado ao patrono dos carpinteiros, Lu Ban, valeu medalha de ouro ao arquitecto André Lui

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FOTO André Lui Chak Keong

A Sala de Exposição dos Trabalhos de Carpintaria do Mestre Lu Ban, na sede do Grémio dos Carpinteiros, na Rua de Camilo Pessanha, valeu ao arquitecto André Lui Chak Keong a medalha de ouro dos Macau Architecture Awards 2018, da Associação dos Arquitectos de Macau, que distinguiu ainda outros sete projectos, em três categorias. Entre essas distinções incluem-se os projectos de Maria José de Freitas, Rui Leão e Carlota Bruni, e Carlos Marreiros.

TEXTO: Cláudia Aranda

A réplica em grande escala, toda em madeira, da chave de Lu Ban, ou “Lu Ban So”, é a instalação que salta à vista e desperta a curiosidade de quem entra no salão principal do altar do Grémio dos Carpinteiros ou Sede da Associação Seong Ká Môk Ngai de Macau, na Rua de Camilo Pessanha. Do tecto entra a luz, através da estrutura em ferro e vidro, que se encaixa didacticamente, como um jogo de peças de lego.

Na Sala de Exposição dos Trabalhos de Carpintaria do Mestre Lu Ban há ferramentas tradicionais de carpintaria, e há as invenções de Lu Ban, engenhosas formas de utilização da madeira na construção passadas de geração em geração. Há, também, uma janela, uma clarabóia, uma escada, que mostram técnicas de construção com recurso a encaixes de peças de madeira, aqui, não há nem um prego ou parafuso a arrepiar a madeira lisa.

Este projecto, que tem como conceito central a chave de Lu Ban, valeu ao arquitecto André Lui Chak Keong a medalha de ouro dos Macau Architecture Awards 2018, da Associação dos Arquitectos de Macau, que distinguiu ainda outros sete projectos, distribuídos por três diferentes categorias (ver caixa).

“O meu projecto consistiu em restaurar e introduzir algumas inovações para adaptar o edifício, antigo, ao pequeno museu de carpintaria tradicional chinesa”, explicou ao PONTO FINAL o arquitecto André Lui Chak Keong, esclarecendo que o  templo e o museu são um projecto no todo, que se encontra aberto ao público desde Julho de 2015.

“Para aquele espaço o que eu fiz foi abrir a clarabóia, além disso havia um pequeno pátio como normalmente se encontra nos pequenos templos chineses em Macau, mas durante os anos 1940 a associação dos carpinteiros fechou esta área, então o que fiz foi  reabrir esta parte”. Na parte do salão do altar, o arquitecto levantou o tecto, introduziu iluminação natural, abrindo a clarabóia usando uma estrutura inspirada na chave de Lu Ban.

O projecto de restauro e conservação teve como patrocinador o Instituto Cultural, que em parceria com a Associação Seong Ká Môk Ngai decidiram criar a Sala de Exposições de Trabalhos de Carpintaria do Mestre Lu Ban, consagrada ao inventor e patrono dos carpinteiros, Lu Ban. O restauro do prédio, construído à volta de 1840,  abrangeu obras para impedir infiltração de água e remoção de sal das paredes no primeiro andar da sala onde se encontra o altar a Lu Ban, a reparação dos tijolos, o reforço estrutural do edifício e a reabertura da clarabóia. O projecto incluiu a reconversão da antiga sala de actividades da associação num pequeno museu ou sala de exposição, que juntamente com o salão principal do altar de Lu Ban e o pátio exterior, constituem a Sala de Exposição dos Trabalhos de Carpintaria do Mestre Lu Ban, numa área total de 172 metros quadrados.

O desafio de inovar em edifícios antigos

Um dos desafios maiores desta obra, contou André Lui, foi convencer os membros do Grémio dos Carpinteiros, a aceitarem inovações. “Eu acho que, porque o templo e o prédio são usados ​​pelos carpinteiros tradicionais do Macau, eles já tinham algumas ideias para o museu. Quando eu apresento a minha proposta eles não a aceitaram imediatamente porque já tinham uma solução mais tradicional para o espaço”, disse.

O arquitecto explicou que começou por fazer uma pesquisa sobre o mestre. “Segundo a lenda, Lu Ban era um carpinteiro chinês inteligentíssimo que viveu há milhares de anos, com um legado enorme, ele inventou muitas ferramentas e muitas técnicas de carpintaria, e, no meu projecto, tentei encontrar soluções relacionadas com a lenda de Lu Ban”, disse, para explicar como surge a ideia de usar a chave de Lu Ban como elemento central do seu projecto.

“A chave de Lu Ban consiste em seis peças de madeira, que se fixam quando colocadas de uma forma específica, quis utilizar esta forma como conceito principal do museu. Por exemplo, tentei introduzir mais luz natural e criei a estrutura de metal e vidro da clarabóia, que é inspirada na fechadura Lu Ban”. Quem entra no templo pode ver, sob a luz natural que entra pela clarabóia, a chave de Lu Ban em grande escala rodeada de miniaturas, “são como pequenos brinquedos intelectuais de madeira”, para que o público se envolva e perca alguns minutos a brincar com a peça engenhosa inventada há milhares de anos. A chave do mestre e patrono dos carpinteiros serviu de modelo também para o desenho da estrutura de vidro onde se arrumam as ferramentas na sala de exposições. “Usei este elemento para simbolizar as tradições chinesas, a relação entre o mestre e o aluno, porque o carpinteiro tradicional começava por praticar, fazendo esses brinquedos de madeira”, esclareceu o arquitecto.

 

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AAM atribui sete distinções, além da Medalha de Ouro

A Associação dos Arquitectos de Macau (AAM), distinguiu nos Macau Architecture Awards 2018, anunciados a 18 de Outubro, outros sete projectos, em três diferentes categorias: projectos de conservação, de edifício de utilidade pública e projectos residenciais, além de conceder a Medalha de Ouro ao projecto de arquitecto André Lui Chak Keong, distinguido na categoria de projectos de conservação, Na categoria de conservação, foram atribuídas duas menções honrosas, uma ao projecto de renovação da Estação de Correios da Taipa, da autoria da arquitecta Maria José de Freitas, enquanto que a outra foi concedida à obra do Quartel de S. Francisco, dos arquitectos Carlos Marreiros e Dennio Long Fat Chi. A dupla Marreiros e Chi foi distinguida também com a obra do Departamento de Trânsito da Policia de Segurança Pública, na categoria de edifício de utilidade pública. Também nesta categoria ganhou uma menção honrosa o arquitecto Wong Chung Yuen da P&T Architect and Engineers, com a via pedonal da Colina da Guia, em Macau. Wong Chung Yuen viu o trabalho reconhecido, igualmente, pelo projecto residencial no NAPE, The Paragon. Outras duas distinções foram concedidas a projectos residenciais. Uma foi atribuída aos arquitectos Rui Leão e Carlota Bruni, pelo complexo habitacional do Fai Chi Kei, enquanto a dupla Chan Wai Fong Lawrence e Jimmy Wardhana mereceu a distinção pelo complexo One Guia Hill.

 

 

 

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