“The City in My Heart”: Uma dose de reflexão de jovens artistas locais

foto manchete
FOTO EDUARDO MARTINS

Enquanto a transformação de Macau chama a atenção de muitos, uma nova geração de artistas locais parece ter a sua própria interpretação da cidade onde vivem. Uma exposição de obras de arte criativa, “The City in My Heart”, está em exibição no Post-Ox Warehouse Experimental Site até 18 de Novembro.

TEXTO: Stacey Qiao

O desenvolvimento de Macau não é um assunto novo nos dias que correm, mas debaixo da enorme riqueza derivada do jogo e do turismo cada vez mais problemas sociais e de sustentabilidade têm trazido preocupações dos residentes locais, especialmente da nova geração. No Post-Ox Warehouse Experimental Site (o novo espaço da associação Armazém do Boi, na Rua do Volong), oito jovens artistas e nove estudantes universitários mostram em conjunto as suas obras criativas na exposição “The City in My Heart”, apresentando as suas próprias versões artísticas da cidade. A exposição vai até ao dia 18 de Novembro.

Bianca Lei, curadora desta exposição e membro do corpo docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), diz que a ideia de sediar uma exposição para jovens artistas surgiu após o tufão Hato, no ano passado. “Muitas pessoas não entendem os jovens dos dias de hoje, acham que estão felizes com a vida abastada e não se importam com a cidade. Mas eu acho que os jovens sabem e interessam-se pela cidade e pelas mudanças pelas quais está a passar. No ano passado, depois do Hato, muitos jovens foram voluntariamente limpar as ruas e não pouparam esforços. Foi quando percebi que os jovens têm as suas próprias ideias sobre a cidade e que as suas vozes devem ser ouvidas”. As rápidas mudanças de Macau continuam a entusiasmar os nervos dos artistas e tornam-se um tesouro de matéria criativa, observa Lei.

A obra que abre a exposição, intitulada “Morphine”, é criada pelo ilustrador local SOUR GRAPHIK. O artista critica a busca popular pela “estabilidade” em Macau, como um emprego estável e uma segurança de vida permanente, e compara-a a morfina. “Ao contrário do LSD aparentemente nocivo ou da cocaína, a morfina é projectada para aliviar a dor e fazer-se sentir confortável. As pessoas de Macau podem parecer viver uma vida muito mais feliz do que as pessoas de outros lugares, mas em muitos aspectos a cidade ainda é primitiva. Por exemplo, a obsessão pela estabilidade. Não há problema em querer estabilidade, todos nós queremos, mas qual é exactamente a definição de estabilidade? Perseguir incansavelmente um emprego estável, o dinheiro e o posto podem custar o tempo pessoal e familiar, assim como seus próprios sonhos”, considera. “As principais crenças e valores aqui não são condizentes com seguir os seus caminhos individuais”, acrescentou.

1. exposiçao
FOTO EDUARDO MARTINS

Lin Ge, outro artista participante, apresenta o seu trabalho “Dissatisfaction”. As nove criações de giclée-em-papel redondas, com panoramas cheios de notificações de telemóvel, água ou passageiros, visam reflectir a “falta de sinceridade” (significando literalmente “insatisfação” em chinês) escondida na plenitude da vida quotidiana. “Em Macau, nunca se tem poucas inspirações. Nesta obra de arte há dois conceitos contrastantes, a nossa insatisfação ou a falta de harmonia com a cidade resulta da ‘plenitude’ física. Peguei nos fragmentos da vida quotidiana para exemplificar o contraste”, explica Lin.

Os alunos de Bianca Lei do IPM, com especialização em arte e design, também participam na exposição. “Alguns deles são do continente e alguns locais. Eles contribuem com diferentes perspectivas do mesmo lugar, seja positivo ou negativo. E é exactamente isso que eu quero apresentar”, diz Lei.

Depois de ter sido professora de arte durante mais de uma década, Lei acredita que o ambiente geral de arte melhorou muito ao longo dos anos. “O Governo tem de fazer mais para que os artistas de Macau sejam reconhecidos internacionalmente, por exemplo, os espaços de exposição do Governo devem dedicar mais dos seus horários aos artistas locais. Além disso, embora o Executivo tenha tomado algumas medidas para encorajar o desenvolvimento da arte, acho que falta um sistema de apoio de longo prazo para jovens artistas. Afinal, apoiar artistas nos dias de hoje não significa apenas reembolsar os seus pincéis ou telas de pintura”.

Lei argumenta que a arte traz um valor incalculável: “A arte não pode ser directamente igual ao dinheiro, e o investimento pode não ver lucros a curto prazo, assim como na ciência e na tecnologia. Mas isso determina o valor cultural de um lugar, e acho que o Governo deve intensificar e diversificar as medidas de apoio. Outras forças não-governamentais, como as galerias de arte e casas de leilão, também precisam de ser fortalecidas para criar um ecossistema saudável e sustentável”, concluiu.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s