Sangria, tecidos, diabo e favela: Eis o 21.º Festival da Lusofonia

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FOTO EDUARDO MARTINS

São dez as comunidades lusófonas presentes em Macau que vão participar na 21.ª edição do Festival da Lusofonia, que se vai realizar este fim-de-semana, entre os próximos dias 19 e 21 de Outubro. Cada país vai mostrar o seu artesanato, gastronomia e música nas Casas-Museu da Taipa.

TEXTO: André Vinagre

O Brasil retrata as favelas, Goa dá a provar chamuças, Moçambique recria uma alfaiataria, Portugal oferece a sangria e Macau mostra um prato típico chamado diabo. São estes alguns dos principais atractivos da 21.ª edição do Festival da Lusofonia, que acontece entre os próximos dias 19 e 21 de Outubro junto às Casas-Museu da Taipa. Dez países ou regiões de língua portuguesa (Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Goa, Damão e Diu, Brasil, Portugal, Cabo Verde, Moçambique, Macau, Angola e Timor-Leste) vão juntar-se em Macau para mostrar o que de melhor produzem.

A Casa de Portugal não quer revelar o tema deste ano, diz que “é melhor verem quando chegarem”, mas a coordenadora Diana Soeiro adianta ao PONTO FINAL que não vai faltar a habitual oferta de sangria, queijos e chouriço. Além disso, haverá ainda espaço para a venda de pastéis de feijão, doces do Algarve, pastéis de nata, salgados e doces preparados pela Casa de Portugal e ainda do “melhor bolo de chocolate do mundo”. No espaço português, vai estar também Arlindo Moura, um artesão que faz trabalhos em filigrana. Para cada comunidade lusófona, o Instituto Cultural (IC) dá um total de 50 mil patacas, um valor que será ultrapassado pela Casa de Portugal. “Nós ultrapassámos o valor das 50 mil patacas. Mas ultrapassámos porque quisemos ultrapassar, não estamos a reclamar mais dinheiro”, garantiu Diana Soeiro.

Graziela Lopes, da Associação dos Guineenses e dos Amigos da Guiné-Bissau, revelou que, devido ao orçamento, não haverá grandes novidades. No espaço guineense estará uma chef e um artesão de estatuetas em madeira. Sobre o orçamento dado pelo IC, Graziela confessa que “suficiente nunca é”. “Mas não nos podemos queixar relativamente ao que têm dado”, diz, acrescentando que “pelo menos dão o suficiente para utilizarmos as barracas de forma a mostrarmos a Macau as nossas mais-valias. Para isso dá, mas não dá para altos voos”.

ALFAIATARIA DE ALDEIA NUMA BARRACA COM CARÁCTER SOLIDÁRIO

Moçambique quer mostrar como são as alfaiatarias de aldeia. “Nós vamos tentar recriar uma alfaiataria de aldeia, um espaço em que podemos encontrar tudo o que sejam tecidos e onde as pessoas possam comprar os tecidos ou as peças já feitas”, refere Helena Brandão, adiantando que também haverá espaço para uma passagem de modelos vestidos com as peças produzidos por esses alfaiates. A barraca de Moçambique também tem um carácter solidário: “Vamos promover também um projecto, que é o “Dress a Girl Around the World”, em que as pessoas fazem vestidos com tecidos doados para depois se deslocarem aos países mais pobres e distribuírem essa roupa pelos hospitais e organizações que necessitem”. Sobre o dinheiro disponibilizado para pôr de pé a barraca de Moçambique, Helena Brandão diz que “o facto de não terem cortado em relação ao ano anterior já equilibra as associações”.

Do Brasil chega uma favela. “Vamos fazer aqui um boteco de favela do Brasil”, adianta Jane Martins, presidente da Casa do Brasil em Macau. “Vai ser como se estivéssemos dentro de uma favela. Trouxemos um artista do Brasil, que é o Fábio Panone Lopes, que acabou de pintar a nossa favela”. A barraca do Brasil foi toda pintada em grafitti pelo artista. Na barraca brasileira vão ainda estar à venda peças de roupa pintadas por Fábio Panone Lopes. Além disso, “vamos ter também uma roda de samba e música”, diz Jane.

Sharoz Pernecar, presidente do Núcleo de Animação Cultural de Goa, Damão e Diu, diz que este ano a sua região vai apostar nos “petiscos de rua”. “Teremos o nosso sarapatel, chamuças, pão com chouriço, bebinca, massa frita com cebola, esse tipo de petiscos”. Goa, Damão e Diu vai ainda trazer a Macau um artesão que faz trabalhos em barro e Maria Inês, chef de gastronomia que veio de Goa.

Angola vai dar a provar os doces típicos do país, como a paracuca, um amendoim misturado com açúcar, e também a múcua, o fruto do imbondeiro, como explica Alexandre Correia da Silva, da associação Angola-Macau. No espaço vai ainda estar um artesão a exibir as suas peças tradicionais de escultura em madeira. A barraca de Timor-Leste não será muito “elaborada”, confessa Anabela Gonçalves, que explica que a decoração na barraca timorense será feita com posters alusivos à paisagem do ilhéu “paradisíaco” de Jaco, que fica na ponta Leste do país: “Vamos explicar o que é o ilhéu de Jaco, explicar onde fica, como é que se pode chegar lá, tentamos divulgar o que Timor tem de belezas naturais”. Além disso, Anabela explica que estará em Macau uma artesã que faz trabalhos com a aplicação de pano tradicional timorense de tais e cestaria. “Haverá ainda brincos e porta-chaves, em que é usada a palhinha e depois é aplicado o pano tradicional que é o tais”, explica.

A jogar em casa, o tema de Macau é o Farol da Guia. “Estamos agora a ultimar as decorações e esperamos uma grande afluência, já ouvi falar de previsões de 25 mil pessoas, mas tudo depende do tempo, claro”, refere o presidente da Associação dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes. Para comer, Macau vai apresentar o famoso diabo, um prato que aproveita todos os restos de comida que provém do Natal. “É um prato que já o ano passado fizemos, mas os pedidos foram tantos que temos de repetir”, diz. E deixa uma previsão: “Vai ser um sucesso, vai ser um bom fim-de-semana”.

A cerimónia de abertura do festival acontece às 19 horas de amanhã no anfiteatro das Casas-Museu da Taipa, seguindo-se a música e dança de Guiné-Bissau, Brasil e de Goa, Damão e Diu e um espectáculo de música ligeira de artistas de Macau no Largo do Carmo.

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