Open House Macau: Prédios com “arquitectura notável” abrem portas para o público ver além da fachada

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FOTO EDUARDO MARTINS

Ao longo do fim-de-semana de 10 a 11 de Novembro, Macau acolhe a primeira iniciativa Open House a realizar-se na Ásia. Há 50 casas e prédios de arquitectura vernacular chinesa, neoclássicos, art-déco, modernistas e contemporâneos, que abrem portas ao público. Mais de 100 voluntários aderiram à iniciativa e vão ser destacados para informar e conduzir os visitantes. Arquitectos ligados aos projectos ou especialistas conhecedores da história dos edifícios vão orientar visitas guiadas, adianta o curador Nuno Soares.

TEXTO: Cláudia Aranda

Ver a arquitectura para além da fachada é o objectivo da iniciativa Open House Macau (OHM), à qual já aderiram mais de 100 voluntários, interessados em participar no evento como colaboradores. No fim-de-semana de 10 a 11 de Novembro o público de Macau vai poder visitar gratuitamente 50 edifícios em Macau, que acolhe este ano a primeira iniciativa Open House a realizar-se na Ásia, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer os bastidores de casas e prédios que normalmente não estão acessíveis ao público. Os edifícios estão organizados em cinco categorias, de arquitectura vernacular chinesa, edifícios neoclássicos, art-déco, modernistas e contemporâneos.

“Durante aquele fim de semana, de 10 e 11, vamos poder visitar edifícios de excelência arquitectónica, edifícios notáveis de Macau, que normalmente não estão acessíveis ao público. O nosso critério de selecção tem a ver com o mérito arquitectónico e de representatividade da época, uns são edifícios públicos, outros são privados”, explicou ao PONTO FINAL o curador e coordenador da iniciativa, o arquitecto Nuno Soares, da CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, que organiza o evento.

“Do ponto de vista da arquitectura, Macau tem uma história urbana de mais de 450 anos portanto tem um conjunto de património arquitectónico muito diversificado e muito rico, e faltam eventos em Macau que permitam visitar e discutir esses edifícios. O Open House tenta fazer isso, tenta fazer uma democratização da arquitectura”, prosseguiu.

Este ano, o evento tem o ‘slogan’: “Architecture Beyond Walls”. “Como é o primeiro evento que organizamos em Macau, não queremos só mostrar os edifícios, queremos, também, contar as histórias que estão por detrás daquelas paredes”, explicou o curador. A CURB foi escolhida pela Open House Worldwide para organizar nos próximos anos o Open House Macau, “um evento que é anual e que terá lugar sempre no fim-de-semana antes do Grande Prémio, em Novembro”, adiantou o arquitecto.

Do neoclássico do Tap Seac ao modernismo “brilhante” da EPM

Na selecção de edifícios a visitar, alguns dos estilos arquiectónicos são dominantes. “O neoclássico é um período muito rico, Macau tem exemplos muito bons muito qualificados, existem muitos edifícios, que estão em actividade, é um dos períodos mais representados, em Macau é bastante eclético, tem elementos bastante diferentes, todo o Tap Seac enquadra-se neste período, as escolas Pui To, Pui Cheng”. Mas, esclarece, à pergunta se é possível datar cada uma dessas épocas, que “os períodos não são estanques do ponto de vista cronológico, não se pode dizer que acaba um e começa o outro, porque há edifícios que são tardios, que são neoclássicos, mas que são contemporâneos de edifícios art-déco. Não podemos fazer uma história da arquitectura de Macau com períodos estanques, mas há elementos marcantes de cada um destes períodos e que são evidentes”, explicou.

No entender de Nuno Soares, o que vai surpreender mais as pessoas, “é o chinês vernacular, de que não há muitos exemplos”, como o Pátio das Seis Casas. Já no modernismo e no contemporâneo, “normalmente não olhamos para os edifícios como património arquitectónico”. Porque, “são relativamente recentes, as pessoas não os valorizam tanto, nós queremos mudar um pouco essa percepção, há exemplos brilhantes do modernismo. A EPM será talvez um dos melhores exemplos. A arquitectura é toda esta construção de espaços, essa materialidade que é muito motivada por ideias e conceitos, e é isso que queremos discutir no local com os nossos visitantes do Open House”, sublinhou o curador.

Mais de 100 voluntários, embaixadores do património

O evento, entretanto, ainda não começou, mas já está a despertar interesse na comunidade fora do circuito dos especialistas em arquitectura. Explica Nuno Soares que a organização abriu candidaturas para voluntários, que terminou esta semana, mas “que surpreendeu pela adesão, tivemos mais de 100 voluntários a participar no Open House”. Destes, 40% são estudantes universitários de várias instituições, mas também há “jornalistas, arquitectos, advogados, pessoas com profissões diversas”.

Atrair estudantes e profissões diversas é uma das metas da iniciativa. “Esse é um dos objectivos do Open House, formar embaixadores de património, que consigam no futuro continuar a promover o património arquitectónico que temos em Macau. Estes voluntários são pessoas muito importantes para nós, porque vão ser a face do evento, quando formos visitar os edifícios os voluntários vão estar a receber-nos e, também, a explicar a história dos edifícios”, disse, para acrescentar que a organização espera que estas pessoas continuem a desenvolver o seu interesse pelo património e façam outros eventos relacionados. “Isto não é um fim, é um princípio”, afirmou.

Além dos voluntários, que vão assistir os visitantes distribuídos pelos diferentes edifícios, estão previstas visitas guiadas com especialistas, investigadores, “pessoas que estudaram a história do edifício, que são quem gere aquele edifício ou que tiveram um papel durante a construção do edifício, que são arquitectos que estão em Macau e que vão fazer visitas guiadas aos edifícios que projectaram”.

Em cada uma das cinco categorias de arquitectura há “edifícios marcantes da história arquitectónica da cidade de Macau”, como o Farol da Guia, que vai estar aberto ao público, o quartel de bombeiros na Areia Preta, o edifício da Associação de Arquitectos de Macau o edifício da Santa Casa da Misericórdia de Macau. Fazem parte da selecção, também, o edifício da Teledifusão de Macau (TDM) e o do Leal Senado. O edifício modernista Rainha D. Leonor, que está sob ameaça de demolição, também integra a lista.

“A nossa ideia é que as pessoas ao visitarem estes edifícios se consigam aperceber da história que encerram e que o património de Macau seja celebrado e conhecido pela população em geral e não só por especialistas”, frisou o arquitecto Nuno Soares. O conceito Open House foi fundado em Londres, em 1992, com o objetivo de promover uma melhor compreensão da arquitectura fora da profissão. Em Lisboa o evento realiza-se desde 2012. É o maior evento de arquitectura mundial do ponto de vista da audiência, por cada ano reúne cerca de 750 mil visitantes nos vários eventos que acontecem em diferentes países. A iniciativa em Macau é membro da Open House Worldwide, que inclui mais de 40 cidades em quatro continentes.

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