“Houve uma campanha intencional de tentar criar a imagem do português como bom colonizador”

Herberto Smith desenvolve em Portugal um projecto de activismo político através do retrato da comunidade negra de Lisboa. Em Macau, o fotógrafo-activista apresenta uma parte do trabalho, que admite que nunca estará finalizado, e que se tornou no seu “álbum de família”.

Texto: Catarina Vila Nova

Fotografia: Eduardo Martins

 

O que começou como uma procura de fotografar o outro, o excluído e o marginalizado rapidamente se transformou numa forma de activismo político para Herberto Smith. É através da fotografia que procura pôr no mapa as franjas da sociedade que não têm acesso à cidade, retratando-as de uma forma que diz não encontrar nos media tradicionais. Neles procura a pureza e a essência do que é ser humano, expondo a experiência do que é ser negro em Lisboa. Porque defende que o racismo não só existe, como está embutido na sociedade portuguesa, através de uma atitude de “bom colonizador” que se perpetuou até aos dias de hoje. Agora a viver no Alentejo, Herberto Smith explica que as sessões fotográficas perderam a sua espontaneidade e começaram a ser mais pensadas e planeadas. Por outro lado, o seu trabalho enquanto activista político começou a crescer como facilitador, como alguém que encontra as oportunidades para os jovens negros. Ainda que, muitas vezes, são eles próprios que falham em encontrar significado nestes momentos. Mas Smith não desiste e cada vez mais sente que este é o caminho a seguir porque, como ele próprio diz, “está tudo por fazer ainda”. O próximo passo é levar para Lisboa os dois irmãos responsáveis pelo projecto Instituto Favela da Paz, do Brasil. Herberto Smith esteve em Macau onde a sua série de 80 retratos integra a mostra “Alter Ego”, parte da Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Em entrevista ao PONTO FINAL, o fotógrafo-activista explicou o conceito que move todo o seu corpo de trabalho e que o impele, diariamente, a quebrar os preconceitos e estereótipos que ainda circundam a comunidade negra em Portugal. Os rostos captados por Smith, que, juntos, formam o seu “álbum de família”, podem ser vistos até 9 de Setembro, no Museu de Arte de Macau.

 

Para a série fotográfica que apresenta em “O Eu”, parte integrante da exposição “Alter Ego”, explicou que começou por mapear a exclusão da área urbana. Em que consistiu este processo?

Eu vivi em Lisboa durante algum tempo e cheguei a viver em zonas um bocado periféricas. Vivi em Queluz, em Miratejo, em Odivelas e, na altura, era um estudante, não tinha noção do que esses sítios podiam representar como periferia do centro. Depois houve um período em que estive a viver no centro de Lisboa, trabalhei no mundo da moda, tive experiências no teatro, trabalhei no Bairro Alto e tive acesso ao centro e ao núcleo mais restrito. Depois saí de Lisboa, vivi cinco anos em Águeda e quando voltei para Lisboa vi que as coisas tinham mudado imenso e comecei a identificar principalmente jovens negros. O facto de ter estado fora, num sítio onde não via muitas pessoas negras, fez-me pensar: “Tanta gente nova, tanta gente bonita, como é que eu não vejo essas pessoas na televisão e na imprensa?”. Também percebi que encontrava um determinado padrão nas pessoas que me começaram a interessar. Eram pessoas que faziam parte dessa Lisboa invisível e, nesse sentido, são pessoas que são, de uma certa forma, excluídas.

 

E que padrão era esse?

São coisas que, para mim, são fáceis de identificar porque há um código na forma como as pessoas se vestem, como se movem, como se apresentam. Os jovens negros, muitos deles de rastas, com um estilo mais urbano, andam sempre de fato de treino, de ténis, com bolsas. Há uns códigos que eu conseguia identificar e muitas dessas pessoas faziam parte dessa Lisboa excluída. Houve esse impulso porque são pessoas que eu conhecia menos e que também pertencem a esse universo de pessoas que só apareciam na imprensa quando acontecia qualquer coisa de mau. Então houve esse impulso de começar a identificar onde estão essas pessoas que estão excluídas e comecei a desenvolver essa relação a partir daí.

 

Referiu que, com este trabalho, procura retratar as franjas mais marginalizadas da sociedade. Nesse sentido, a dimensão com que apresenta as imagens também contribui para este efeito, para criar uma maior aproximação entre o retratado e o público?

Sim, foi propositado. Para mim, o mais importante era conseguir passar essa energia, essa emoção e o que é estar próximo do outro. Ao mesmo tempo, ser desprovida, não ser pretensiosa porque a minha relação com eles é exactamente a mesma. Eu não quero que essas imagens sejam um troféu e quando eu tenho essas experiências eu não estou a pensar “Uau, essas fotografias vão dar uma boa exposição”. Eu só penso “Uau, essa situação é incrível, vou arranjar a forma mais poética que conseguir para passar isso aos outros e para quebrar medos, quebrar estereótipos”, e é o que eu tento fazer. Muitas vezes aqueles espaços podem ser vistos de uma forma completamente diferente ou as pessoas podem ser fotografadas de uma forma completamente diferente. O mais difícil é encontrar poesia e beleza naquilo. Isso é o que eu tento fazer.

 

E que estereótipos e preconceitos são esses que procura quebrar?

Preconceitos em relação ao que é marginal, ao que é negro. Há uma série de estereótipos que nós conhecemos que estão associados às pessoas negras, de serem pobres, desses jovens estarem ligados à vida da criminalidade. Só por aí eu acho que já há muito para trabalhar e muito para discutir. O meu trabalho é mesmo esse porque eu próprio também tenho as minhas ideias pré-concebidas, quer seja em relação à minha própria comunidade, quer seja à outra. Basta ser o outro, basta ser desconhecido que há sempre essa tentativa de simplificar e catalogar e isso é sempre redutor.

 

E é essa fronteira entre o eu e o outro que procura diluir?

Sim, sim. Ao mesmo tempo é um trabalho espiritual porque esse é um caminho que eu tenho estado a fazer e eu sinto essa necessidade de voltarmos a ser humanos. Com a tecnologia e as redes sociais as pessoas estão cada vez mais a perder essa dimensão humana e a acreditarem muito mais na tecnologia. Eu acho que é preciso fazer o caminho oposto. O que começou como fotografia daquelas pessoas que são diferentes, que eu quero descobrir, conforme eu me vou aproximando e elas vão ficando íntimas, passa a ser fotografia sobre mim próprio. Eu consigo rever-me nos outros e as coisas vão evoluindo e chega a um ponto que se gera maior empatia e sentimento de pertença. Quanto mais próximos conseguimos estar dos outros, conseguimos viver naquelas pessoas e fazemos parte de uma família.

 

No seu corpo de trabalho vêem-se principalmente rostos jovens. Porquê esta tendência?

Durante este caminho eu estive mais ligado a movimentos activistas e comecei a perceber que, nesses encontros, há discussão desses assuntos, mas eu sinto que há uma falta de aproximação. Para mim, é pouco eficaz falar de racismo ou é menos eficaz falar também de violência policial, sem perceber como é que essas coisas acontecem. Se essas mensagens não forem passadas a esses jovens, se forem só discutidas pelos activistas, essas coisas provavelmente vão continuar a acontecer ou vāo-se repetir. Se houver essa aproximação  e se houver essa tradução enquanto estamos com esses jovens e explicarmos porque é que essas coisas acontecem, que medidas é que eles podem tomar, que apoios é que eles podem conseguir, isso tudo eu acho que é muito mais eficaz do que só discutir do ponto de vista psicológico, académico ou político. Para um jovem negro a experiência que ele tem é, por exemplo, ir a qualquer lado, estar em grupo e, de repente, sentir que está a ser vigiado. Ele está no comboio e o fiscal está sempre a fazer mais pressão e a experiência acaba por ser uma coisa muito visceral e, intelectualmente, não é articulado. Se um jovem daqueles conhecer os apoios que pode ter e conseguir perceber, mesmo do ponto de vista psicológico, o que faz despertar esses medos – não quer dizer que ele tenha de deixar de ser aquilo que é – consegue trabalhar com aquilo. Se é abordado, mesmo para sua protecção física, é mais capaz de conseguir manter um diálogo, conseguir evitar situações de maior tensão ou de conflito.

E o outro lado também não deve ser trabalhado?

Sem dúvida. Essas associações de activistas também já fazem a sua parte mas é uma questão tão entranhada e tão profunda que é um longo caminho a percorrer. É uma questão estrutural e uma questão de privilégio porque as pessoas não percebem porque é que são racistas e não conseguem ver-se a si próprias como racistas na maior parte dos casos. Eu não tenho dúvida nenhuma que esse trabalho precisa de ser feito e o facto de eu fotografar, para esse caso em específico, só pessoas negras, é um ‘statement’. É também uma questão de familiarização, das pessoas estarem expostas às coisas e habituarem-se a elas. Este é um projecto pessoal, mas como trabalho profissional eu sou fotógrafo editorial, faço também publicidade, trabalho corporativo e comunicação interna para algumas empresas importantes e eu movimento-me naquele espaço. O facto de eu estar presente e de me relacionar é como se estivesse a representar algumas pessoas que têm as mesmas características que eu. É uma coisa muito consciente mas a questão que tu levantas é igual, é preciso fazer trabalho com as pessoas que também são racistas, sem dúvida. Eu acho que a maior parte do trabalho devia ser feito daquele lado. Eu ainda não sei como é que o posso fazer, isso ainda estou a descobrir.

 

Nas séries com artistas do universo do rap e hip-hop houve também uma tentativa de desconstrução da imagem com que geralmente eles se apresentam em público? 

No fundo, no hip-hop e no rap há uma linguagem e, na maior parte das vezes, essas linguagens são importadas dos Estados Unidos ou de França e há sempre essa tendência de aparecerem como durões, com ostentação e isso não me interessa. Quando faço as primeiras abordagens, eu faço imagens para aquilo que eles querem mas depois procuro uma imagem para mim, procuro aquela dimensão mais humana, mais frágil, mais vulnerável e é esse espaço que eu quero ocupar. Interessa-me mais o interior do que propriamente o exterior. Aos poucos vou conseguindo isso porque eles depois começam a perceber que eu, com as minhas imagens, consigo colocá-los noutro espaço. Começam a perceber realmente que o que estou a fazer tem algum valor e vou passando essa mensagem.

 

Referiu que acaba por criar relações de proximidade com os seus retratados. É por isso que chama ao trabalho final o seu álbum de família?

É uma coisa que eu vou descobrindo porque é um trabalho em progresso e a dificuldade é mesmo essa. É eu conseguir fechar essa série quando eu sei que continuo a ter que fazer porque o meu trabalho não é fotografia em si. É um trabalho de construção de relações, de construção de afectos e isso não vai parar. Eu vou continuar a achar que, com a minha experiência, posso ter alguma coisa para partilhar com os outros.

 

É um trabalho que nunca será acabado?

Acho que não. Agora, como vivo no Alentejo, tem que ser mais programado e tem que ser mais pensado. Se calhar pode é ganhar outras direcções, mas o que está a acontecer neste momento é que eu tenho fotografado menos mas, ao mesmo tempo, tenho aumentado a minha actividade como facilitador, como ‘networker’ e como alguém que cria ligações, alguém que consegue ter acesso. Eu tenho tido colaborações com o HANGAR [Centro de Investigação Artística] e então tenho conseguido criar e identificar as oportunidades para algumas pessoas. É claro que, muitas vezes, eles não se apercebem do potencial que as coisas podem ter, têm outras preocupações, mas eu tento.

 

Com o seu trabalho procura, nas suas palavras, “pôr no mapa as pessoas destas áreas marginalizadas”, e referiu que, em Lisboa, vemos pessoas negras mas não sabemos onde vivem porque não têm acesso à cidade. O que quis dizer com isto?

Por exemplo, um estrangeiro que venha a Lisboa consegue identificar que é uma cidade que tem presença de negros ou africanos mas, só de passagem, não consegue perceber onde estão essas pessoas. Mesmo que viaje pela cidade dificilmente vai ter acesso aos bairros e aos sítios onde aquelas pessoas vivem. Muitas dessas pessoas só vêm à cidade quando têm que trabalhar. As mulheres negras, geralmente mais velhas, só vêm à cidade porque têm que trabalhar nos escritórios e nas casas a fazer limpeza. Os jovens também não se envolvem mais em espectáculos, em actividades lúdicas ou mesmo em actividades mais interventivas porque é caro sair da zona onde estão para vir à cidade e as pessoas não têm essa noção. É mesmo muito caro e se não têm passe é muito caro saírem para ocuparem o espaço da cidade que também é delas.

Nota algum crescendo na representação da comunidade negra nos media?

O que eu noto é que há um crescendo da consciência da nossa condição. Há mais grupos e associações, há mais reivindicação pelos direitos e isso acho que está a acontecer. Provavelmente, com alguns casos de violência policial e de racismo que têm acontecido, as pessoas acabam por ser mais reivindicativas e interventivas. Isto é o que eu sinto neste momento, mas há um longo trabalho para fazer. Eu acho que está tudo por fazer ainda.

 

Ouve-se frequentemente dizer que Portugal não é um país racista, mas depois acontecem situações como a agressão à jovem colombiana na noite do Porto. Para si, trata-se de auto-ilusão ou, como referiu há pouco, das pessoas não terem a percepção que são racistas?

As pessoas não se aceitarem porque, no fundo, isso também é uma imagem construída. Essa questão do luso-tropicalismo porque, no fundo, houve uma campanha intencional de tentar criar a imagem do português como bom colonizador e as pessoas têm aquilo embutido e acham que “nós estivemos em África, até nos misturamos com eles, portanto nós não somos racistas”. Mas depois basta haver qualquer situação. É uma questão muito simples, vais ver comentários no Facebook e vais ver as coisas que as pessoas dizem.

 

Sente que essa imagem do bom colonizador se perpetuou até ao século XXI?

Sim, sem dúvida. Essa visão paternalista continua. Não há dúvida.

 

Para si, que papel desempenha a forma como a comunidade negra é representada nos media? Não importa mais isto do que a representatividade em termos de números?

Sem dúvida. Isso eu acho que acaba por ser um bocado intencional porque eu acredito que as pessoas, se tiverem que deixar a sua parte humana e empática falar, elas sentem que nós somos iguais e que merecíamos os mesmos direitos, mas aí é também uma questão de privilégio e de medos. Perceber que esse tipo tem potencial mas vem de fora. Portugal é um país de brancos, primeiro estamos nós. São esses pensamentos que depois emergem e acabam por viciar tudo.

 

Nesse sentido, o projecto Rádio AfroLis, no qual está envolvido, também tem ajudado a desempenhar o seu papel em quebrar estereótipos?

Um dos papéis mais importantes é nós aprendermos a contar a nossa própria história. Já que a imprensa não se interessa em conhecer um bocado melhor a comunidade negra e conhecer um artista negro, um criativo negro, nós tentamos falar sobre nós e catalogar isso e criar um arquivo. Isso é importante, porque se essas coisas não ficarem registadas é como se elas não existissem. A verdade é que elas existem e elas acontecem. Por mais pequeno que esse gesto possa ser, ao fim de algum tempo aquilo vai ter um grande valor, nem que seja só como arquivo. Imagino que, no passado, houve coisas igualmente interessantes a acontecer mas que não estavam registadas portanto é como se não tivessem existido.

 

Tentam criar um arquivo para que os jovens da comunidade negra também possam sentir-se representados?

E criar um espaço de confiança onde as pessoas sintam que podem falar.

 

Para si, a descoberta da fotografia deu-se de frente para a câmara enquanto modelo. Como é que se deu a passagem para o outro lado?

No fundo, eu já tinha um fascínio pela fotografia desde miúdo. Eu lembro-me que o meu pai tinha uma câmara fotográfica e alguns negativos e, para mim, era uma coisa mágica. Eu tentava perceber como é que aquilo funcionava mas ele não me deixava usar. Aquilo já estava embutido em mim. Depois de ter entrado para a faculdade, comecei a trabalhar e comprei a minha primeira máquina e as coisas começaram a desenvolver-se a partir daí. Comecei a fazer experiências e ter trabalhado como modelo também me permitiu ter acesso ao mundo da moda, trabalhar como assistente e as coisas desenvolveram-se a partir daí. Foi uma questão de acesso, porque em São Tomé não tinha acesso às coisas. Se tivesse acesso provavelmente as coisas teriam começado mais cedo.

Em que projectos se encontra a trabalhar agora?

Projectos ligados à educação e formação. Com a HANGAR tenho tido essas colaborações e, provavelmente, no próximo mês tenho um projecto que vai envolver umas pessoas que vêm do Brasil e que vivem numa favela. Eles vão estar em Portugal a fazer formação e a dar palestras e eu vou tentar ter uma semana com eles e visitar alguns espaços. Gostaria que houvesse essa troca de experiências porque são pessoas com muita experiência e que vêm de um ambiente mais hostil que Lisboa mas que têm feito muito mais como comunidade. Eu gostaria que essa troca de experiências pudesse funcionar como ‘trigger’ para esses jovens perceberem que essas pessoas vivem naquelas condições mas ajudam-se uns aos outros e acreditam no bem. Se isso acontecer, acho que vai ser algo que vai despertar outras coisas num futuro muito próximo.

 

Que trabalho é que eles desenvolvem?

São dois irmãos músicos [responsáveis pelo projecto Instituto Favela da Paz] e a favela onde moram era considerada pela ONU como um dos bairros mais perigosos do mundo. Através da música eles conseguiram ir quebrando barreiras entre favelas e os ‘gangs’ e hoje vivem uma vida comunitária. São cinco famílias que vivem todas no mesmo espaço, partilham a mesma cozinha, conseguiram montar uma editora, têm equipamento para montar espectáculos, os artistas da favela vão lá gravar os discos, acreditam na economia da partilha, ninguém tem ordenado e tudo o que conseguem é para todos. Eles têm viajado pela Europa, Alemanha, Suíça, vão dar palestras e juntam esse dinheiro para partilhar. É quase como se fosse um caso de estudo. Claro que há teorias sobre economia da partilha ou da dádiva e há pessoas que já vivem aquilo sem articular intelectualmente. É uma experiência que é vivida e é essa experiência que eu gostava de ver acontecer nos bairros de Lisboa.

 

 

 

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