Homem faleceu após consulta ilegal em habitação

Um homem de 44 anos, oriundo da China continental, faleceu no dia 17 de Junho, dois dias depois de ter sido observado e medicado por um indivíduo sem qualificações médicas num apartamento situado na Areia Preta. No local foi encontrada mais de uma centena de medicamentos, alguns dos quais com prazo de validade expirado, para além de seringas e lâminas cirúrgicas.

 

Pedro André Santos

 

A Polícia Judiciária (PJ) conseguiu ontem interceptar um indivíduo, residente de Macau, de 71 anos, que alegadamente utilizava um apartamento situado no Edifício Kin Wa, no Bairro da Areia Preta, para prestar serviços médicos sem licença ou habilitações profissionais para o fazer.

O caso foi desvendado no decorrer da investigação da morte de um homem, de 44 anos e oriundo da China continental, após uma consulta que teve lugar no dia 15 de Junho. Na ocasião, segundo explicou fonte da PJ ao PONTO FINAL, a vítima apresentou-se na “clínica” com a garganta inflamada e febre, tendo recebido medicação e tratamento através de injecção por parte do indivíduo de 71 anos, que não é profissional médico registado, segundo indicaram os Serviços de Saúde.

Na manhã de 16 de Junho a vítima desmaiou e foi levada para o hospital público, acabando por falecer um dia depois. “Fomos à clínica ilegal várias vezes mas não conseguimos entrar em contacto com o ‘médico’. Finalmente encontrámo-lo hoje [ontem] para prestar declarações. Ele disse que começou a prestar serviços médicos desde 2014, não tem qualquer tipo de licença médica e o apartamento não está registado como um instituto de medicina”, disse fonte da PJ ao PONTO FINAL, acrescentando que o indivíduo não ficou detido.

 

 

Segundo as autoridades, a autópsia descartou a possibilidade de a morte estar ligada aos medicamentos administrados, não tendo sido revelada a causa por questões de “privacidade do falecido”.

Na fracção foi encontrada mais de uma centena de medicamentos, alguns dos quais fora do prazo de validade, incluindo antibióticos, analgésicos e anti-alérgicos, para além de “grandes quantidades de agulhas”, soro fisiológico e lâminas cirúrgicas. Os fármacos terão sido adquiridos no interior da China, segundo revelaram as autoridades, não havendo garantia sobre a qualidade dos mesmos.

“Ele confessou que prestava serviços clínicos aos vizinhos. Levava os medicamentos do interior da China, são medicamentos prescritos e injectáveis. Fomos notificados que foram recolhidas as provas ‘in loco’ e não pode ser excluído que os residentes já recorreram várias vezes aos médico, e espero que possam fazer denúncia”, disse ontem Leong Pui San, Chefe da Unidade Técnica de Licenciamento das Actividades e Profissões Privadas de Prestação de Cuidados de Saúde (UTLAP). A responsável acrescentou ainda que não há indícios que o indivíduo estivesse a actuar com assistência de outras pessoas.

O caso será hoje entregue ao Ministério Público.

 

 

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