Promotora de jogo ligada ao crime organizado de Taiwan

Lin Bing-wen, condenado a prisão por combinar resultados na liga de basebol de Taiwan, admitiu ser o líder do Venus Group, um promotor de jogo VIP com operações no MGM Macau e no Galaxy Macau. Um perito defende que Lin não tem a idoneidade para trabalhar na indústria dos casinos.

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Vítor Quintã

“Quando se abre um casino, perder dinheiro é algo normal de vez em quando”. Foi assim que Lin Bing-wen confirmou ao jornal Apple Daily de Taiwan ser o homem forte por detrás do Venus Group, uma empresa que opera salas de jogo VIP nos casinos MGM Macau e Galaxy Macau. O problema é que o empresário foi condenado em 2010 por crime organizado e, segundo a legislação vigente, não deveria poder ter qualquer ligação à indústria do jogo local, confirma um perito.

Lin fez parte de um grupo que adquiriu a equipa “dmedia T-Rex”, então parte da liga profissional de basebol de Taiwan, em 2008. Dois anos depois, foi um de 24 réus considerado culpado de combinar os resultados de pelo menos 10 jogos de forma a ganhar milhões em apostas. Lin foi condenado a dois anos de prisão ou a pagar uma multa no valor de 730,000 novos dólares de Taiwan (193 mil patacas).

O próprio empresário confirmou ao Apple Daily que depois da decisão judicial saiu de Taiwan para trabalhar como promotor de jogo em Macau, onde criou o Venus Group. A empresa tem uma página na Internet, no Facebook e no WeChat, onde diz operar salas de jogo VIP nos casinos MGM Macau, Galaxy Macau e no City of Dreams Manila. No entanto, não há qualquer empresa com esse nome entre os promotores de jogo licenciados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).

A página do Venus Group na Internet dá a entender de forma explícita que a empresa tem ligações à Suncity, o maior promotor de jogo VIP em Macau. Segundo o director-executivo da unidade asiática do banco de investimento Union Gaming, Grant Govertsen, a Suncity detém quase 50 por cento do mercado de jogo VIP e é responsável por cerca de 20 por cento das receitas totais dos casinos de Macau.

No entanto, Lin Bing-wen tentou distanciar-se do grupo liderado por Alvin Chau Cheok Wa.  “Há notícias que referem de forma incorrecta que eu e Chau Cheok Wa somos bons amigos e trabalhamos de forma conjunta há anos como irmãos, eu no Venus e ele no Suncity”, disse ao Apple Daily. O PONTO FINAL pediu um comentário tanto ao Venus Group como à Suncity mas não recebeu qualquer resposta.

Idoneidade em causa

Segundo a legislação em vigor, a licença de promotor de jogo só pode ser atribuída a um “candidato que seja considerado idóneo para a obter”. O Governo verifica a idoneidade com base na entrega de dados pessoais do potencial promotor, dos sócios ou dos “principais responsáveis”. A Administração pode ainda exigir um relatório de avaliação de risco sobre o candidato a junket, que deve conter “dados relativos à identificação da pessoa ou sociedade e respectivos titulares dos órgãos sociais, às acções judiciais por esta interpostas ou em que é demandada”.

Os pedidos têm ainda de ser acompanhados pela declaração de uma concessionária de jogo, que indique ter intenção de trabalhar com o promotor de jogo em causa. O PONTO FINAL pediu um comentário à MGM Macau, Galaxy Entertainment e Melco Resorts & Entertainment – que opera o City of Dreams Manila –, mas apenas a Galaxy respondeu, pedindo mais informações sobre o Venus Group.

“Parece-me óbvio que esta pessoa em particular não tem a idoneidade necessária”, disse ao PONTO FINAL Pedro Cortés, referindo-se a Lin Bing-wen. O problema, acrescentou o advogado, é que a lei não define quem são os “principais responsáveis” das promotoras de jogo. “Isso foi deixado para um regulamento administrativo que nunca foi publicado”, lamenta Cortés. Ou seja, acrescenta o perito, é possível que Lin tenha de facto um papel de relevo numa promotora sem que tenha sido vetado.

Mesmo que seja esse o caso, sublinha Cortés, a DICJ tem poderes para exigir à Suncity ou a qualquer outra promotora informações sobre Lin Bing-wen, “se achar que os factos provados em tribunais são passíveis de afectar a idoneidade” da própria empresa ligada ao empresário de Taiwan. O PONTO FINAL perguntou à DICJ se Lin foi submetido ao processo de verificação de idoneidade e se o regulador liderado por Paulo Martins Chan planeava investigar a situação, mas não recebeu qualquer resposta.

Não é a primeira vez que o Venus Group se vê na ribalta, pelos piores motivos. Em Abril passado a empresa Lantai Digital Application Technology Co Ltd incluiu o promotor entre os parceiros de uma nova moeda virtual que seria lançada em Macau. O Venus Group emitiu na altura um comunicado a negar qualquer envolvimento no projecto, que acabou por levar a Polícia Judiciária (PJ) a deter um residente. A PJ disse então estar à procura de mais 10 suspeitos de fraude de crime organizado. O PONTO FINAL perguntou à PJ se houve qualquer evolução neste caso, mas não recebeu qualquer resposta.

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