DICJ empurra plano da Yat Yuen para os “serviços competentes”

Na terceira proposta apresentada, agora à DICJ, a Companhia de Corridas de Galgos continua a insistir no prolongamento do prazo para abandonar as instalações do Canídromo, tendo arriscado os 120 dias. A Yat Yuen voltou ainda a solicitar a utilização das cavalariças desocupadas do Jockey Club para colocação provisória dos galgos. O regulador do jogo não lhe faz, para já, a vontade, e remete o plano para a tutela de Raimundo do Rosário.

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FOTO EDUARDO MARTINS

Sílvia Gonçalves

À terceira tentativa, a Yat Yuen requereu à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) a extensão do prazo de permanência nas instalações do Canídromo por mais 120 dias, após do término da concessão, a 21 de Julho, garantindo que “irá concluir os processos de realojamento dos galgos e de saída do Canídromo nesse período de tempo”, divulgou ontem a DICJ. No plano apresentado na terça-feira ao organismo liderado por Paulo Martins Chan, a empresa solicitou ainda que lhe seja permitido utilizar, “de forma provisória”, as cavalariças desocupadas do Jockey Club para colocar os galgos até que estes sejam adoptados. A entidade reguladora do jogo considera que, terminando o uso do terreno para exploração das corridas de galgos, “e atendendo que a fiscalização da gestão e uso de solos não é da competência da DICJ”, não lhe cabe decidir, pelo que reencaminha o pedido “para os serviços competentes”.

Em comunicado ontem divulgado, a DICJ esclarece que a Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) solicitou “autorização para que seja prorrogado o prazo do uso das instalações do Canídromo, por mais 120 dias, após o termo do prazo da permanência até 20 de Julho do corrente ano, garantindo que irá concluir os processos de realojamento dos galgos e de saída do Canídromo nesse período de tempo”. Na mesma nota, o regulador do jogo diz ainda ter sido solicitado que “seja autorizada a ocupação, de forma provisória, das cavalariças desocupadas da Companhia de Corridas de Cavalos de Macau”, para instalar os galgos “até os mesmos serem adoptados”.

Relativamente ao primeiro pedido, o organismo dirigido por Paulo Martins Chan entende que, uma vez que “o uso do solo onde se encontra a Companhia de Galgos deixará de incidir sobre as actividades no âmbito da exploração da corrida de galgos, e atendendo que a fiscalização da gestão e uso de solos não é da competência da DICJ, o referido pedido será reencaminhado para os serviços competentes”. Serviços que, não sendo identificados pelo organismo, se depreende tratar-se das Obras Públicas.

Já em relação ao pedido para ocupação temporária das cavalariças do Jockey Club, entende a DICJ que este deve ser apresentado pela Companhia de Corridas de Cavalos “junto dos serviços competentes pela fiscalização do uso do solo, tendo em conta a alteração da finalidade do solo em questão”, remetendo, uma vez mais, para a tutela de Raimundo do Rosário. O regulador do jogo assinala ainda que é necessária “a autorização dos serviços competentes no âmbito da protecção e gestão animal”, para que possa apreciar o pedido em causa.

“ESTÃO A PASSAR A BOLA PARA O SECRETÁRIO RAIMUNDO DO ROSÁRIO”

Sobre o pedido da Yat Yuen de extensão do prazo para permanecer nas instalações do Canídromo, entende Albano Martins que a DICJ está “a dizer claramente que é um problema que não é deles, e eles têm razão, porque a concessão termina a 21 de Julho. Portanto, o terreno é da responsabilidade das Obras Públicas. Estão a passar a bola para o secretário Raimundo do Rosário”, considera o presidente da Sociedade Protectora dos Animais de Macau – Anima.

Já sobre a proposta de transferência dos galgos para o Jockey Club, Martins entende que a responsabilidade pende sobre a DICJ. “Mas eles dizem, calma, primeiro é preciso vocês obterem de quem concedeu o terreno, que são as Obras Públicas, autorização para isso, e depois perguntarem ao IACM se eles vêem algum inconveniente para o bem-estar animal, e só depois é que decidem”. Em suma, e socorrendo-se da metáfora futebolística, considera Albano Martins que as diferentes entidades envolvidas no processo “não chutam para a baliza, chutam para trás, ou para os lados ou para fora das quatro linhas. A nove dias do final deste campeonato, eles continuam a não querer marcar golos”.

O presidente da Anima insiste, como fizera repetidamente antes, que o Jockey Club não reúne condições para acolher os cerca de 600 galgos que ainda se encontram no Canídromo. “Não há condições nenhumas neste momento. Acredito que as instalações estão de tal modo degradadas que vai ser preciso fazer algum investimento para aquilo estar minimamente aceitável. Mas quem tem cavalos naquele sítio, com o tecto a cair, cavalos que morrem lá porque não têm refrigeração suficiente, não admira que ponham também lá os galgos. Mas pelo menos têm que fazer umas vedações metálicas e umas portas, que aquilo nem isso tem”.

Para o activista, impõe-se nesta altura uma intervenção do Chefe do Executivo. “Tem que puxar os galões e chamar esses meninos todos à ordem, e dizer ‘agora vamos resolver o problema’. Estamos a nove dias do final e vão mandar para um e para outro. Quando acabar a emissão dessas cartas, já eles perderam o prazo e alguém vai violar a lei ficando lá. O Chefe do Executivo é o principal responsável neste momento para resolver este problema”, defende.

A solução, insiste Martins, passa por a Anima assumir a gestão do Canídromo, ou o IACM, com a sua colaboração, até conseguir realojar todos os galgos. Se até agora Albano Martins indicava que necessitaria de um ano para o fazer, novos cálculos apontam para um período mais curto. “Hoje [ontem] fizemos um cálculo de quanto tempo precisamos para fazer estes animais saírem todos. Precisamos exactamente de trezentos dias, contados a partir de 21 de Julho. Nós já temos tudo feito, é preciso que o Governo tome decisões, mas o Governo pelos vistos não quer tomar decisões”, assinala o presidente da Anima.

 

 

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