Novo Macau insiste na consulta pública sobre lei do trânsito

A principal plataforma pró-democracia da cidade defende que apenas alguns pontos mais polémicos da consulta pública sobre a Lei do Trânsito Rodoviário deviam ter sido removidos. A Associação Novo Macau diz ser contra a suspensão da auscultação da população e acredita que a decisão da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego foi uma resposta às críticas do campo pró-Governo.

Fotografia: Eduardo Martins

 

Catarina Vila Nova*

 

A Associação Novo Macau (ANM) defende que a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) deve continuar com a consulta pública sobre as alterações à Lei do Trânsito Rodoviário, suspensa desde a noite de segunda-feira. Em conferência de imprensa, Sulu Sou, vice-presidente da ANM, disse acreditar que a decisão do organismo surgiu na sequência das “fortes críticas” da população, bem como de deputados e associações pró-Governo. “Pessoalmente, não fiquei surpreendido pela decisão da DSAT. Nos últimos seis dias, todos os deputados e associações pró-‘establishment’ criticaram esta medida, o que não é uma situação normal em Macau”, declarou o democrata.

Sulu Sou apontou que algumas medidas propostas na consulta pública, cujo início estava previsto para 28 de Junho, tais como o aumento das multas para o estacionamento ilegal, colheram o desagrado da população. Assim, o deputado sugere que a DSAT retire estes pontos da proposta de lei e que avance com a auscultação à população. “A Novo Macau considera que a DSAT deve dar continuidade à consulta pública com os pontos que reúnem o consenso da sociedade. Devem apenas remover os pontos que o público fortemente criticou”, defendeu o dirigente da Novo Macau.

A ANM deixou também ontem um conjunto de propostas que, considera a associação, podem melhorar a situação do tráfego na cidade. Uma das medidas passa pela criação de um departamento, afecto à DSAT, para coordenar os mais de dois mil veículos que o Governo detém, explicou Sulu Sou. “De acordo com os números que eu tenho, existem dois mil carros oficiais, mas cada departamento é que gere os seus veículos. Se existisse um departamento para coordenar estes carros o seu número poderia ser mais reduzido e existiria uma melhor utilização dos recursos públicos”, defendeu o deputado.

Sulu Sou argumentou também que o Governo deve implementar um sistema de estacionamento automático nas zonas antigas da cidade e gradualmente cancelar os passes mensais de estacionamento. Numa primeira fase, a associação propõe que os passes mensais sejam distribuídos através de sorteio público e, posteriormente, que se proceda à sua eliminação. A Novo Macau sugere ainda a utilização de ‘big data’ para calcular a necessidade de lugares de estacionamento em cada zona do território.

Sobre a manifestação agendada para este sábado (ver caixa), Sulu Sou considerou que “agora não seria a melhor altura para a realizar”. “Se o Governo realiza uma consulta pública nós devemos respeitar o seu mecanismo. Esta teria sido a minha resposta antes da noite de ontem [segunda-feira] mas hoje [ontem] o propósito de organizar este protesto ficou ainda mais fraco”, considerou o deputado.  *Com Margarida Pun

 

 

Manifestação organizada por Ng Kuok Cheong e Pereira Coutinho prossegue

A manifestação contra o aumento das multas de estacionamento, marcada para este sábado, vai mesmo realizar-se, garantiu ao PONTO FINAL Ng Kuok Cheong, um dos dinamizadores da iniciativa. O deputado e fundador da Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau (IDCM) explicou que o assunto foi ontem discutido pela associação que decidiu alargar o âmbito do protesto. “Vai incluir o aumento das multas para o estacionamento ilegal, o reconhecimento mútuo das cartas de condução e vamos pedir mais lugares de estacionamento”.

À Rádio Macau, Ng Kuok Cheong tinha avançado com a possibilidade de a manifestação ser transformada num fórum para discutir estes assuntos. A este jornal, o deputado explicou que esta já não era uma opção porque, como já tinha sido apresentado um pedido de manifestação ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, o âmbito da iniciativa não iria ser alterado. “Como nós fizemos um pedido ao IACM a dizer que é uma manifestação, não vamos mudar”. Também o deputado José Pereira Coutinho confirmou ao PONTO FINAL que a manifestação do próximo sábado “vai prosseguir” e que “não há mudanças”.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s