Teatro em português regressa à Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa pela mão do IPOR

O Instituto Português do Oriente (IPOR) volta a coordenar a “TEATRAU – Mostra de Teatro dos Países de Língua Portuguesa”, uma iniciativa de promoção de artes performativas inserida no programa da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Este ano, o certame traz ao território companhias de teatro de Moçambique, de Portugal, de São Tomé e Príncipe e de Timor Leste.

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Joana Figueira

Pelo terceiro ano consecutivo, o teatro volta a ser parte integrante da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, numa iniciativa que conta com a coordenação do Instituto Português do Oriente (IPOR). O “TEATRAU– Mostra de Teatro dos Países de Língua Portuguesa”, certame que decorre entre os dias 14 e 22 deste mês, traz anualmente ao território companhias de quatro dos oito países lusófonos que integram o Fórum Macau, aos quais se junta assiduamente a RAEM. A edição deste ano traz ao Oriente companhias de teatro de Moçambique, de Portugal, de São Tomé e Príncipe e de Timor Leste, que ao longo de uma semana vão subir ao palco do Teatro D. Pedro V.

O projecto do IPOR foi acolhido pelo Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países Lusófonos – entidade organizadora da semana cultural – por defender o objectivo de, “através do teatro, reforçar a língua como veículo de cultura e o conhecimento intercultural entre os diversos países e regiões de língua portuguesa”, explicou João Laurentino Neves, presidente do Instituto Português do Oriente, ao PONTO FINAL.

Representando Macau, o Teatro Hiu Kok leva ao palco “O cuco da noite escura”, peça que junta em palco duas figuras singulares num diálogo acompanhado pelo escuro nocturno. A companhia de teatro tem mais de quatro décadas de experiência e desde 1999 gere “um espaço que tem servido o desenvolvimento e a apresentação dos projectos criativos em que a companhia toma parte”. No Teatro D. Pedro V, a performance está agendada para o dia 18 e 19, pelas 20h em ambos os dias. A peça vai ser encenada em língua chinesa, com legendas em português.

O “TEATRAU” arranca, no entanto, com “Nahe Biti”, às 15h do próximo Sábado, com a apresentação a repetir-se no dia seguinte às 17h30. A peça aborda um dos elementos mais representativos do património cultural de Timor Leste: pela cerimónia “Nahe Biti” é oficializada a união de dois jovens, uma tradição ancestral que sofreu influência dos princípios do catolicismo introduzidos em Timor com a chegada dos portugueses. A peça é da responsabilidade do Grupo Arte Naroman Timor-Leste, que assume como o seu grande desígnio a promoção da cultura timorense e do ensino artístico.

No mesmo dia, às 17h30 – e uma segunda vez pelas 15h de Domingo – São Tomé e Príncipe mostra no palco do D. Pedro V a força sobrenatural da feitiçaria que coloca tanta gente em pólos opostos da crença. “Feitiçaria” é uma peça que retrata histórias reais, numa tentativa de provocar a reflexão sobre uma prática presente no quotidiano de muitos povos, incluindo no dos povos que habitam as ilhas de São Tomé e do Príncipe. Sete anos depois de ter sido formado, o grupo de teatro “Nós por cá” traz a Macau o drama mascarado de humor.

“Solange espera-nos num cabeleireiro de bairro” e “não tem papas na língua nem precisa que ninguém lha solte”, escreve o IPOR sobre a peça que representa Portugal na Mostra de Teatro. A criação dá espaço a uma voz politizada que espera uma revolução e que usa como arma o amor pela poesia – “lente de ver o mundo”-  pela mão do Nómada Art & Public Space. O grupo, com base no Porto, é uma plataforma nacional e internacional que cruza todos quantos se interessem pela confluência entre a arte e o espaço público. Leva ao palco do D. Pedro V “Solange – uma conversa de cabeleireiro” às 20h do próximo Sábado, com direito a repetição na Segunda-feira.

De Moçambique chega “Nkatikuloni (A outra)”, pelo Grupo de Teatro Girassol, criado em 1987, em Maputo: “Num mundo globalizado, em que os valores, costumes e hábitos culturais de diferentes sociedades e, no caso, da sociedade moçambicana, se tornam objecto de análise à luz de conceitos e práticas de pendor ocidental, a peça propõe uma reflexão sobre as ‘Nkatikuloni’, expressão que, em língua changana – língua bantu do sul de Moçambique –, designa as mulheres do mesmo marido”, explica o IPOR. A peça sobe ao palco no Sábado e na Terça-feira pelas 20h.

 

O TEATRO COMO REFORÇO DA LÍNGUA PORTUGUESA E CONHECIMENTO INTERCULTURAL

 

Em declarações ao PONTO FINAL, Laurentino Neves destaca três dimensões maiores do TEATRAU. Se, por um lado, o objectivo da iniciativa passa por permitir que “as pessoas possam assistir a espectáculos que de alguma forma traduzam aquilo que é o trabalho que cada país vai desenvolvendo no domínio do teatro e das artes performativas”, a segunda dimensão da mostra pretende levar o teatro e as técnicas teatrais às escolas.

João Laurentino Neves recorda que as companhias de teatro – convidadas anualmente por ordem alfabética – não participam na iniciativa apenas para apresentar os seus espectáculos, mas também para promover o intercâmbio directo com vários espectros da sociedade local: “As crianças podem tomar contacto com os actores, com técnicas de expressão corporal, com workshops sobre teatro, com conversas sobre os países [dos actores]. (…) Tudo isto ajuda a que esta comunidade de falantes de português, fale em português e fale sobre cultura em português”, diz o dirigente ao PONTO FINAL. “Uma terceira dimensão, eu diria que é aquela que envolve associações e projectos de artes performativas aqui em Macau, porque as companhias também vão a essas instituições ministrar workshops que têm a ver muito já com aspectos técnicos das artes performativas”, sublinha.  “Mas é também uma oportunidade para as associações locais e os projectos de artes performativas locais beneficiarem do saber, da experiência e sobretudo de formas muito diferenciadas que essas companhias trazem, e partilharem também aquilo que fazem com essas companhias”, apontal por fim, Laurentino Neves.

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